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2009/06/24


A diferença entre a tartaruga, o navio e os hackers

Existe um famoso texto que meio explica a idéia da cultura do software livre, acho que escrito pelo Eric S Raymond, chamado "A catedral e o bazar". Não pode ser dito um texto "fundador" do movimento, igual poderia ser dito para o princípio do Linux do famoso e-mail do Linus brigando com o Tannembaum, mas é um texto legal, bastante conhecido e citado...

Por causa deste e outros textos, e pela ação de muitos outros porta-vozes do movimento, hoje temos um número significativo de pessoas que se dizem aderentes desta filosofia, e reconhecem a diferença entre as duas culturas (da catedral e do bazar).

Tem gente hoje que meio se considera de uma "tribo dos fãs de produtos livres", o que inclui software e ainda arte de vários tipos, ou a Wikipédia e tal. E um fenômeno interessante que está havendo é que cada vez mais pessoas desta tribo não fazem parte de uma outra tribo muito relevante, os hackers.

Hackers e sua cultura estiveram no centro do desenvolvimento do software livre. Stallman RMS é um super hackerzão, e o mesmo vale pro ESR. Qualquer programador de compiladores e de coisas próximas ao sistema operacional, como drivers, são hackers queiram ou não, pela natureza destes programas... Funcionam numa área do sistema muito distante daquelas ilusões que hipnotizam os usuários.

Hackers sabem que telas de CRT são na verdade uma grande lâmpada que pisca a cada x segundos. Mais especificamente um pontinho de luz que vai correndo pela tela e mudando de cor. Eles não só sabem, como qualquer pessoa mais culta precisa saber, como ainda tem as manhas de vez ou outra se aproveitar disso pra fazer um dia algum programa que resolve um problema...

Hackers conhecem a fundo o detalhe de funcionamento das coisas, e exploram esse conhecimento para realizar às vezes proezas não imaginadas pelos usuários habituais, e por vezes nem mesmo pelos projetistas dos sistemas. Isso pode significar desde criar verdadeiras funcionalidades novas num sistema, até encontrar infelizes falhas de segurança. A ação de hacker de moral mais "flexível" explorando este tipo de falha de segurança encontrada rendeu à classe uma má reputação entre os leigos.

Mas como eu dizia, no princípio da cultura do software livre (e nem tanto das coisas livres em geral) boa parte dos usuários eram hackers. Programadores trocando entre si códigos hackers que faziam coisas hackers e permitiam aos usuários fazer coisas hackers. Isto significa, por exemplo, distribuir códigos-fonte e organizar os sistemas de uma forma "aberta", facilitando aos usuários hackers criar programas que saem por aí interagindo de maneira automática com outros programas dando origem a aplicações muito interessantes, às vezes até inusitadas ou inúteis, mas que muitas vezes exercitam os limites da tecnologia.

Mas aí tivemos coisas como o Setembro sem-fim. A tecnologia começou a ficar mais e mais acessível e a atrair mais e mais o interesse de pessoas nem tão hackers assim, seja por falta de perícia técnica, ou seja por não ver mesmo a graça no jeito hacker de ser.

Hoje temos um movimento software livre que é largamente povoado por não-hackers. Isso é a realização, até certo ponto, daquele sonho que muitos tinham de que o Linux "dominasse o desktop", se tornasse um sistema sendo utilizado por usuários comuns que geralmente usavam apenas o rwind0ws que vem "da fábrica". (Aliás outro fenômeno que começou a ter depois ali de 1993, isso das máquinas já virem da loja com o sistema operacional instalado, e eventualmente se tornar algo impossível você comprar uma máquina sem comprar um M1krozofd Wintous instalado ao mesmo tempo.)

O Linux dominou o desktop, pois. Não está sendo um domínio de larga escala, como eu mesmo achei que fosse ser. O que está havendo é essa criação de uma terceira cultura. É gente que não é hacker, mas que não usa wirdlowz. São talvez um pouco mais bem-informados do que a maioria dos usuários de Uimdols sim. Mas não acham legal ser hacker. Não acham legal "hackear" nada.

Uma marca pra mim que separa o hacker dos usuários não-hackers de Linux e FLOSS, é o Ubuntu. Quase todo usuário de Ubuntu que eu vejo São esses jovens que ignoram a noção de "hackear", e chegam até a se preocupam em se afastar da cultura hacker, porque sabem que são muitas vezes identificados como criminosos. Alguns até ACHAM isso. Mas aí querem se afastar porque isso atrapalha a grande "luta" deles de realizar lá o tal sonho de dominar o desktop.

Eu fico puto. Quer dizer, ficava, porque no começo achava que era uma coisa só: ser hacker e usar FLOSS. Hoje fui obrigado a entender que não. Os neófitos vieram, meio que tomaram a causa FLOSS pra eles das mãos de quem se preocupava com a causa, e jogaram os hackers na lixeira da história (se é que eles já não estavam chafurdando por lá esse tempo todo.)

Quem estava pouco se lixando pruma grande causa FLOSS continua sem se importar, tá lá escovando seus bits. Quem estava prevendo isso aí mesmo está batendo palmas. Eu sou de uma terceira categoria. Eu tive a ilusão por um tempo, e hoje vejo como era algo muito errado, de que a tal dominação do desktop seria uma conversão de toda a humanidade para se tornarem hackers cyberpunks malucos electro-hippies tipo o Stallman assim. Mas não!

A dominação vem dessa forma aí, formação de um público ciente da diferença entre FLOSS pra coisas como o Weird-OS dos Will Grates, mas que não é hacker não. Não tem as manhas e não ligam.

O motivo porque eu vim aqui hoje finalmente escrever esse texto, que já tava matutando há algum tempo, é que entrei aqui no site do FISL querendo ouvir a rádio do evento. O que eu queria? Entrar fácil no site, de preferência via elinks, meu browser favorito que funciona no console, achar rapidamente o URL pro stream da rádio, copiar e colar numa linha de comando e ouvir com o mplayer.

O que houve? Entrei no site via Firefox (só porque tava aberto!), cliquei num link que achei lá da rádio, e o que aconteceu? Primeiro um popup de alguma coisa que me pareceu ser um applet de Java perguntando alguma coisa que eu não li, oferecendo um checkbox que não sabia se era pra checar ou não, com dois botões. Aí apertei um dos botãozinho lá pra deixar ele feliz, e então apareceu dentro do browser um maldito playerzinho lá tocando a droga da rádio.

Ô diacho! Não é possível!! Me dá o stream!!! Hacker quer o URL do stream, pra abrir com o programa que quiser, de preferência um programa bem bizarro, que redireciona o stream entre várias coisas difíceis de explicar e justificar.

Mas não, não achei em lugar nenhum.

Sei lá, de repente eu que sou burro e não vi onde tava escrito, procurei no lugar errado. Mas isso não interessa. Se eles pensassem como eu o link estaria escrito num lugar que eu teria visto.

Situação? Hoje é mais fácil pra mim ouvir a CBN, de que eu descobri uma vez o URL usando engenharia reversa no site deles, do que a rádio do FISL. Eu até tentei rapidamente olhar o código fonte do site deles pra tentar descobrir o URL, não consegui. Logo, o FISL é tão hacker quanto a Rádio Globo. O nível de domínio técnico do pessoal do FISL é tão grande quanto o da Daniela Braun do IDG now.

Isso é ruim? Claro que não. Só tou falando, oras.

O mundo é feito de Daniela Brauns, oras. Eu já aprendi minha lição, no dia em que acabou minha adolescência: eu vivo no rabo da gaussiana, sou um outlier, e tenho que me conformar e deixar de ser chato.

Hoje gente como eu e o Stallman e sei lá mais quem (provavelmente muitos leitores deste blog) são conhecidos como "tards", de "retard" com ênfase em ser alguém do passado. Ubuntu é "legal" e Debian é "coisa de tard", que os retardados perdem tempo fazendo "errado" e os descolados "consertam" pra fazer o Ubuntu e tantos outras distribuições que "consertam" o Debian de alguma forma.

Essa visão tem muito a ver com a que eu mesmo tinha, mas agora adquiri uma perspectiva histórica melhor. FLOSS não representa tudo do movimento hacker, de forma nenhuma. Nós não somos portanto pessoas que pararam no tempo dos primórdios do FLOSS enquanto uma nova geração faz o "FLOSS 2.0".

Hackers são o que sempre foram e haverão de ser, FLOSS foi tipo um "spin-off", que nem mesmo dependeu só dos hacker pra existir, e não resume esta cultura (alguns hackers nem se importam com isso, tipo uns malucos que trabalham no alto das torres de marfim da IBM, Intel e ARPA desde os anos 1970). A associação das duas coisas (culturas FLOSS e hacker) não é uma dependência formativa, um não deixa de existir sem o outro...

Portanto podemos perguntar: qual a diferença entre um usuário de FLOSS e um de softwares proprietários? É meio difícil responder, viu... Por exemplo, nenhum deles paga pra usar o software (boa parte dos usuários de SW proprietário usam cópias piratas). A qualidade do software que todos eles usam é também, em boa parte do tempo, baixa. E estão todos cada vez mais dependendo mais de páginas da web baseadas em flash do que qualquer coisa, e isso é todo um mundo diferente daquele onde se separa FLOSS da alternativa.

Uma diferença importante hoje em dia entre o usuário de FLOSS e os outros é que quem usa software proprietário é muito bem-aceito por seus patrões, enquanto que o usuário de FLOSS é recriminado.

E os hackers? Vão bem obrigado!

2008/10/14


Abaixo os binários!

Um testemunho da minha vida de micreiro, e de usuário dos programas que eu uso.

Gosto muito da minha máquina, uma Compaq v6210br. Podia ser melhor em uma porção de coisas, principalmente podia nunca ter quebrado.

Ela deu uns biziu, madei pra patética assistência técnica da HP, e ela voltou 2 meses depois. Como eles formataram o HD, tou aqui instalando tudo de novo.

Ela rodava bonitinho. A placa de rede sem-fio não lembro se rodava originalmente com o módulo nativo ou por ndiswrapper, mas eventualmente tive que passar a usar um dispositivo de wi-fi por USB, e o que funcionou pra mim foi instalar um Linux 2.6.25 "na marra" (não foi por pacote do Debian (que eu me lembre)) e usar o driver nativo, um tal rt27xx, acho.

A partir daí foi só tristeza, porque a mãquina começou a travar. Não teve mais jeito e precisei mandar pra assistência, que trocou a placa-mãe, e formatou o HD de brinde.

Fui instalar o Debian outra vez, por cima do Mandriva em que não fui inteligente o bastante pra descobrir como fazer pra instalar emacs, e aí mandei um Lenny beta 2 pra ver o que rolava. Usei a instalação "gráfica", que devo dizer que está um xuxuzinho.

Aí fui instalar os dispositivos de rede sem-fio, e ainda o módulo da câmera Logitech que me emprestaram. Peguei os pacotinhos Debian dos kernels 2.6.24 e 2.6.26. Mas foi só tristeza... Não consegui usar a rede nem por ndiswrapper, nem pelo módulos nativos (o da broadcom mudou, agora um tal b43). A câmera funcionou só através do mplayer, mas não no xawtv e nos progs de opencv que tou mexendo.

Resolvi então "apelar", e peguei direto o source do 2.6.27, lembrando da felicidade que eu havia tido antes com outro kernel "em desenvolvimento", o 2.6.25. Rolei lá o make-kpkg, e quando finalmente bootei, a rede funcionou de primeira. Estava na escola, já tarde, e satisfeito arrumei minhas coisas e fui pra casa.

Cheguei aqui, preparei uma cerveja no lado esperando passar por uma sessão de desinsetização pra fazer a câmera funcionar, e não é que a bicha funcionou de primeira??

Feliz da vida, vim aqui dar meu testemunho.

1_ Eu sofro mas eu gosto.

2_ Não tenho a menor vontade de usar nada diferente de Debian. (Talvez Debian com HURD, ou com BSD, mas Debian). Mas não significa que eu não marreto meu sistema com coisas "de fora" de vez em quando, e é assim que é pra ser.

3_ Compilar direto da fonte ao invés de baixar o binário funciona. (às vezes, claro.) É muito bom ver isso, porque essa possibilidade é justamente a diferença mais marcante entre os softwares proprietaristas e livres.

Alguém pode dizer "mas se vc estivesse usando ruíndols teria funcionado de cara, e não precisando recorrer a compilar o kernel mais novo na marra". A estes peço que leiam de novo o item 2.

EDIT: Pra deixar o posto mais útil, uma dica. Pra criar o módulo da nvidia utilizadno a fabulosa ferramenta module-assistant, que te permite (quando está tudo OK) compialr e instalar módulos com o comando (e.g.) "m-a a-i nvidia", tive que alterar o código do pacote original. São mudanças que parece que serão necessárias pra passar do 2.6.26 pro 2.6.27. Segui as dicas desse site aqui.

Foi mais difícil do que o que devia ser, porque não dá pra alterar o código e então rodar o m-a, tem que jogar o código alterado no pacote que ele descompacta... Eu poderia tentar descobrir como criar um patch, mas ia dar muito trabalho.

Aí foi correr pro abraço...

Aliás, outra dica. Por muitos anos passei muita raiva ao mexer com a configuração do X, porque precisava parar de ouvir música (com o xmms, por exemplo), ou então tocar música num console de texto, com mplayer, o que não é confortável. A solução é usar o mpd pra ouvir música, um daemon que fica tocando músicas e pode ser controlado por diferentes clientes, incluindo gráficos, de console (curses) e linha-de-comando. Aí pode reiniciar o X tranqüilo. O cliente que eu uso é o ncmpc, que rodo numa janelinha de xterm com uma fonte pequenininha, fundo branco, e com a opção "auto-center" na lista de músicas... É o melhor tocador que já tive, porque tem um esquema muito simples de navegar pelos artistas ou arquivos. Mas tenho certeza que poucos dividirão comigo este gosto...

2008/08/25


Liberdade pela obscuridade?

ATUALIZAÇÃO 2:

Faz algum tempo que uns desenvolvedores do Debian têm se debruçado sobre um projeto "debian-live", criando um conjunto de ferramentas pra que as pessoas façam live-cds do jeito que elas quiserem. Você pode pegar paradas e ver as últimas notícias do projeto aqui.

E não é que hoje lançaram finalmente uma versão beta 1?

2008-08-27: Debian Live Lenny Beta1

The Debian Live team is pleased to announce the first beta of Debian Lenny's Live images.


Parece até uma resposta ao gNewSense, na minha mente paranóica.

Tá aí agora. Você pode usar essa ferramenta (que suponho se livre), pra selecionar só os pacotes que você realmente considerar livre, você pessoalmente, e criar o seu live CD.

Eu mesmo vou montar um sem Gnome, nem KDE nem xfce, vou fazer um livecd com vtwm!!!

E com IceWeasel, já que a logomarca do Firefox infelizmente não é livre, né... Me pergunto, por acaso o gNewSense não vem com o Firefox, ou eles não consideraram isto uma nuisance?

Este é o Debian way. Não é fazer uma distro livre, é fazer um pacote que você instala com apt, e te ajuda a fazer Live-CDs do jeito que você quiser. Pode até fazer um Live CD com os tais pacotes do Debian-Live dentro, pra gerar novos Live-CDs sob demanda, ao vivo. Isso não é simplesmente DOIDO DEMAIS?

Quem sabe faz ao vivo, e tudo com apt.

ATUALIZAÇÃO:

Na verdade a notícia do Slashdot foi absurdamente exagerada. O nível das notícias de lá está lentamente se tornando tão ruim quanto o dos comentários.

A distro nada mais é do que um Live-CD organizado pelo princípio de possuir apenas software estritamente free. A necessidade de derivar a partir do Ubuntu é antes de mais nada porque desejava-se um Live-CD, e isso o Debian (a fonte do próprio Ubuntu) não é. Só isso.

Aí misture-se a isso afirmações exageradas sobre Ubuntu ser muuuito mais bem-apessoado q qualquer outra distro, e sobre ser fundamentaaaal pro futuro da humanidade que todos possuam computadores com apeeeenas coisas absolutaemnte liiivres instaladas. Aí você tem uma receita pra uma notícia bombástica pra irritar o Nicolau.

No final das contas vc pode perfeitamente pegar esse negócio aí e instalar uns skype e varicad da vida com o bom e velho dpkg, e possivelmente colocar as fontes de pacotes contrib e non-free à disposição, inclusive os pacotes do Marillat... Nada diferente de usar Debian, exceto que deve possuir o "emerge" que é muuuuito mais fácil de usar do que apt, e vem num Live-CD que faz a instalação mais prazerosa pra usuários new-school.

i.e. nothing to see, move on...



ORIGINAL:
____
Fiquei meio encafifado com essa tal distro "patrocinada" pela FSF. Aqui vai um "reprint" do meu "comment"que eu "postei" no slashdot.

A NOTÍCIA

To me this feels just lame. It's a bit like the dream of the programming language that will forbid programmers to create bad code. "Oh, Debian is baaad, dude, it ALLOWS people to install proprietary filthy bits if that even crosses their minds. Let's do this new distro that kinda certifies every little file in the HD and if it meets something different from fully 100% GPL compatible, it just goes BOOM, explodes the box!!"

People must CHOOSE to have free software all the time, they must do so KNOWINGLY. They must be FACED with the alternative all the time, must be tempted by the devil all the time. That is how we go on with our lives. Yes, it is difficult.

The idea that we need a new "pure" distro instead of Debian (or many others) is ludicrous to me. People should just LEARN about how to use APT, and understand how that affect their lives, instead of look for a distro that "handle all that" for you, and send you to user heaven when you die without hassles.

This is a proposal to create alienated users, just like the dark side already does. It's playing by their rules. I've seen a lot of this in other contexts, it happens sooner or later.

Programming languages, like distros, are TOOLS. When we put limits to them, you are making a sin. That is the sin the proprietary world do all the time... Tools are extensions to our bodies and souls, and by limiting them, thei are crippling us. This distro is a limited distro. It was born from an idea of limiting what can (or should) be done. This PRINCIPLE is wrong, and should not be followed.

How much time before people get this and subvert it, find ways to install this or that proprietary thing? It will be sort of a "pirated" gNewSense, with probably an even worse name. So there will be them, the great "freedom fighters" who will "liberate" gNewSense for the people to use and finally do what they will, instead of strictly what the creators of the distro had in mind... A "people's" version of a "GPL" version of a "people's" version of Debian...

Can't you SERIOUSLY not install Debian and NOT include the contrib and non-free sources (which are not default BTW) and then NOT install skype, or pirated windows binaries or pirated Mathematica or SNES ROMs or Leisure Suit Larry or whatever? Just do that, do NOT use proprietary, instead of asking for your big brother to watch over you.

Perhaps they like the spirit of this in Venezuela, or other countries where Stallman has been going to a lot lately. I sure don't like it here in Brazil. But what do I know? I haven't tried many distros in my life. I only switched from FreeBSD to Debian after I asked RMS himself for suggestions, and I liked it ever since. He did look a bit uncomphortable at the time by suggesting it, I believe he still didn't find it the perfect distro. I honestly hope he doesn't find THIS the perfect one,and feels at least a bit uncomphortable by suggestig it too...

2008/03/25


O crime do software proprietário pt. II

Após comentário de nosso leitor mais conhecido e polêmico, criei uma resposta tão grande, ilegível intrincada que merece subir a categoria de post completo, então lá vai... (Vejam a mensagem original na página do primeiro post.)

***
Olá!... Obrigado pela participação. E desculpe a extensa resposta que se segue, mas foi você que abriu a comporta da represa! :)

A velha discussão só terá fim quando a sociedade estiver tão transformada que não seremos capazes de identificar no futuro algo parecido com isso que chamamos de “mercado de software”.

Meu texto não foi simplesmente uma analogia entre a indústria de software proprietário e “o criminoso”. Eu estou é efetivamente afirmando que a citada indústria é anti-ética!

Quanto a um possível desespero, porque haveria de existir? O software livre cresceu a partir do nada, e não precisa garantir algo como algum tipo de “fatia do mercado” pra sobreviver. Não é tipo uma Intel da vida que precisa se descabelar pra emplacar uma basófia nova, digo, produto novo... Pelo contrário, no mundo do software livre é tudo mais calmo, nada é pra ontem. Eu não tenho desespero, mas apenas a urgência daqueles que viram o futuro e não se contentam em estar aprisionados no passado.

***
Quanto à sua secretária ser capaz de se imbuir deste meu espírito, aí sim entra a analogia. A analogia que eu fiz foi com a indústria da construção civil. Você não concorda que o Sérgio Naya é um criminoso anti-ético? Todo mundo concorda! E os multibilionários da indústria do sofretware o são de forma análoga.

Nossas secretárias não se importam com o código fonte dos S.O. delas exatamente da mesma forma com que elas não se importam com a procedência da areia do concreto das colunas de sustentação dos prédios delas. Mas tenho certeza que se você explicar o problema, nos dois casos, elas vão concordar que a questão é mesmo preocupante.

Quanto aos programas serem práticos e terem bom suporte, me desculpe, mas ouço falar nisso desde sempre e ainda estou pra ver um consumidor satisfeito com o suporte de algum produto. Achar prático eu já vi muitos... Eu mesmo estou 90% do tempo muitíssimo satisfeito com meu vtwm+emacs+mozilla 3.0.

Clipinho animado não ajuda ninguém, vai. O que realmente faz a diferença na vida das pessoas é a experiência delas, e se os amigos e pessoas de seu relacionamento usam programas similares, pra quebrar galho e pra que seja fácil a troca de dados. Isso é que importa: é se seu irmão, cunhado e netos tão usando a mesma coisa. Por isso que a revolução do software livre é uma coisa de baixo pra cima. É luta de guerrilha!

E mais, porque as pessoas insistem que existe alguma correlação entre um programa ser proprietário e ele ser “amigável”?... Isso que as pessoas enxergam como outros programas não serem amigáveis é na verdade uma ilusão, causada por elas não se acostumarem facilmente com alternativas. É preguiça de mudar (por mais que justificável). Isso não aparece no dia-a-dia do software proprietário porque esse mundo é cheio de monopólios, e é raro existir mais de um programa pruma mesma tarefa.

E o que tem de pouco amigável no Firefox, ou no Oppenoffice?...

Outra questão importante: As pessoas só falam que gostariam que houvesse um bom suporte, ou que os programas deveriam ser mais amiguinhos, quando tem algum problema em sua atividade. Pela minha experiência, pra 90% do tempo e 95% das pessoas esses problemas nada tem a ver com opções desconhecidas e mal-localizadas em alguma combo box obscura na terceira orelha do sub-menu avançado do editor de registro. O que acontece mesmo é ou alguma coisa tola como uma tomada desligada, ou um desconhecimento de algum conceito fundamental, como o que é um arquivo, um e-mail, ou um ícone ou janela. Quando as pessoas aprendem a trabalhar de verdade, os problemas desaparecem, e o suporte fica inútil.

A questão do aprendizado vale pra todos programas de todas plataformas. Chega uma hora que não adianta ser amigo. Por mais que alguém se coloque amigavelmente à disposição no meio do caminho tentando entender o que a pessoa quer, não funciona. Isso nada tem a ver com programas proprietários ou livres... E as empresas de software ganham dinheiro alimentando a ilusão de que se vc pagar aquels preços exorbitantes ali, você não vai precisar aprender nada pra usar o programa. Estão cobrando para que você possa sentir que pode continuar sendo ignorante, e você acaba no final sem conseguir trabalhar, insatisfeito porque teve que aprender algo no final das contas...

Vamos aproveitar pra mencionar uma questão interessante aqui: Existem inúmeros de usuários de Photoshop, Winrrous e outros programas proprietários que os utilizam sem pagar, se aproveitando de toda a amigabilidade, mas sem acesso ao suporte. Elas cometem algo que a sociedade considera uma contravenção... A discussão da moralidade da pirataria anda de mãos dadas com a discussão da moralidade da própria produção dos softwares “pirateáveis” (definido como aquele que não é livre. Por mais que as emprsas tentem montar sistemas de verificação e de segurança, software livre é o único que realmente não dá pra piratear, né! :) )

E vamos lembrar também que tem muito programa livre em que você pode contratar um suporte. Você acha que se eu contar essa ótima idéia pro pessoal da Adobe, eles vão falar “puxa, ótima idéia!” e abrir o código do photoshop? Ou antes de fazer isso eles ainda se dariam ao trabalho de bagunçar a interface pra tornar ela menos amigável, arruinando o valor do software?...

***
Olha só uma boa: se todo valor exorbitante desses softwares livres depende do suporte e da interface amigável, porque a Adobe não abre o código só das bibliotecas mais básicas de processamento gráfico do Photoshop? Você talvez me diga que “é a pesquisa”... E se eu te disse que a maior parte da pesquisa básica em processamento de imagens ocorre em universidades, e que ainda por cima a Adobe reutiliza suas próprias bibliotecas já a anos?... Quantos anos precisam se passar pra versão 1.0 do Photoshop poder se tornar livre? Se ele snão podem liberar pra não perder clientes, não quer dizer que essas versõse novas nada tem de novo realmente?

E o que dizer dos fabricantes de periféricos que só fazem drivers pra plataformas específicas, e nem se quer se dignificam a publicar especificações para que se façam os drivers, e ainda acham ruim se você fizer engenharia reversa? O que isso tem a ver com suporte e amigabilidade?

Pra finalizar, a respeito do post sobre o Photoshop no wine... Não sei se escrevi mal o texto, mas eu tentei o máximo possível dar um tom oposto a o que você diz. Eu digo bem claramente no final que não é essa notícia que queria ouvir, que o que eu mais quero é parar de ver gente comemorando essa luta interminável em decifrar os softwares proprietários...

Eu nem queria que o GIMP se tornasse o novo Photoshop e a Adobe falisse não. Eu ficaria muitíssimo feliz se a Adobe lançasse uma versão do Photoshop pra Linux, por mais que cheio das restrições, custando o dobro do preço, sem suporte e sei lá mais o que.

Só deu ter certeza que novas versões do Photoshop continuarão funcionando facilmente dentro do wine, eu já ficava um pouco feliz (lá no post eu especulo que a próxima versão vai provavelmente ter uma mudança de funcionamento pretensamente inocente que vai impedir a emulação adequada.)

Existe muita sacanagem no mundo do software proprietário. Os segredos deles andam de mãos dadas com decisões imperialistas, monopolsitas, gananciosas e inescrupulosas. Eu luto por uma sociedade aberta, e as mesmas posturas morais que eu combato no mundo dos computadores eu também combato na engenharia civil, na banca de jornal e no cafezinho ali da esquina.

Aliás, esses caras só emplacam essas sacanagens justamente porque as pessoas não entendem do riscado... Não precisa ser cientista nem mágico pra entender porque essas coisas são erradas: o proprietarismo é errado em qualquer escolaridade. Assim que a gente conseguir explicar pra sua secretrária que a janelinha que abre e fecha ali não é mágica, o bicho vai pegar...

O preço do Photoshop vale a pena porque é um bom produto, ou é porque os funcionários não sabem trabalhar com nenhum outro programa, e se você tentar mudar vai ter dezenas de probleminhas de compatibilidade?...

So pra finalizar mesmo agora: Não fiquem com a impressão que eu quero ver o código fonte do Wymblious. Tenho confiança de que deve ser uma porcaria, um pedaço de lixo ominoso e inútil que deve permanecer nas trevas. Seguindo analogia com construção civil, é um prédio que acho que deve ser demolido mesmo sem ver o projeto. Já o código do Photoshop eu tenho alguma curiosidade, mas duvido que tenha muitas coisas muito interessantes lá dentro.

2008/03/24


O crime do software proprietário

Todo mundo já ouviu falar do famoso desabamento do prédio Palace II . Alguns dos motivos do desabamento foram uso de material ruim na construção, como areia da praia (não exatamente pura), e falhas de projeto mesmo.

Agora me diga, o que você acharia de uma construtora que dissesse: “Vem morar aqui! Me dá R$X, e pode entrar. Mas você nunca poderá nem pensar em me perguntar a proveniencia da areia utilizada na mistura do concreto, nem medir a área das vigas da garagem, do lado de onde você estaciona seu carro.”

Por um lado, do ponto de vista puramente Hamurabiano, está tudo bem desde que você possa matar o filho do Sérgio Naya caso prédio desabe com a sua prole dentro. Mas é isso memso que a gente quer? Toda essa obscuridade?

Você não acharia interessante dar uma olhada nos cálculos do seu prédio, se quisesse? Não acharia bom que esses dados fossem públicos, nem que fosse pra não ter trabalho se um dia tivesse alguma suspeita e decidisse levar os dados pra algum engenheiro de confiança da rum parecer?

Você não acha bom nem mesmo ter a liberdade de poder dar um chutinho na parede de vez em quando pra ver se ela agüenta, ou ver a cor dos tijolos quando acontece às vezes de cair um pedaço do reboco?

Poisé, no software proprietário o que acontece é que essas liberdade são removidas. Você não só não tem acesso ao processo de cosntrução do seu produto, como freqüentemente ainda é vetado de tentar descobrir qualquer coisa sobre ele. Tudo bem que raramente um software envolve risco grave a você ou à sua família, mas a questão é a moral disso tudo, a postura, o profissionalismo.

Porque tem que entrar a vida ou saúde física de alguém em jogo pra gente começar a ser mais sério, e achar ruim o tipo de aproveitamento que os engenheiros e programadores dessas empresonas multibilionárias fazem com a gente?

Temos que cobra ruma sociedade aberta por princípio. Não devemos nem esperar o prédio cair pra furar o olho do Sérgio Naya, nem cobrar informações detalhadas de seus produtos só se você puder eventualemtne morrer devido a mal-funcionamento. Existe muito mais na vida do que apenas estar vivo. O segredo do proprietarismo de software pode não te mantar, mas faz da vida um inferninho que poderia ser evitado se fosse tudo livre.

***

O recém-falecido Arthur Clarke tinha um frase assim:


Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic.

Ou,

Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de mágica.

A prática diária da engenharia não deixa de ser uma mágica. Fazer surgir prodígios de elementos aparentemente inocentes, surgir a dinâmica a partir da inércia, ou vice-versa... E envolve estudos em alfarrábios arcanos, e o conehcimento e aplicação destemida de movimentos e palavras mágicas aparentemente sem-sentido.

O que o mundo proprietário faz é explorar isso o máximo possível. O consumidor vê apenas uma mágica se desenrolando sob seus olhos, enfeitada ainda por cima com camadas e camadas de marketting e técnicas de relacionaento pessoal, retórica pura. É mais do que mágica: tudo se torna ainda um espetáculo, onde a própria mágica começa até a passar pro segundo plano.

Numa sociedade livre, aberta, os mágicos de plantão aqui trabalham do mesmo jeito, mas não são obrigados a cochicar seus segredinhos encantados. E não ficam por exemplo vestidos de preto feito atores de um teatro kabuki, tendo o dobro do trabalho necessário para que o mago bonitão que estã iluminado no palco pareça mais bonito fazendo o número.

Na sociedade aberta, a mágica rola solta. O encanto e fantasia permeiam as ruas, em contato direto com o povo em geral. Se alguém quiser tentar começar a decorar as palavras mágicas que escuta, pode de repente começar a se tornar um mago ela mesma. E aí a tal mágica pode de repente até parar de sê-la, e a tenologia deixa de ser suficientemente avançada pra essa pessoa, tornando-se “mera” tecnologia.

Este é outro aspecto improtante da diferença entre o software proprietário e o livre. O software proprietário compete com todos, compete até com o próprio consumidor. Quando você compra o softweare proprietário, você está finalizando um processo onde o produtor está lhe causando um malefício. É basicamente um feitiço do mal, uma praga que lhe é rogada. Porque é do interesse da Sarumansoft que você dependa pra sempre dele. Já o Gandalfix pode não ter a mínia paciência de ouvir os leigos falarem sobre mágica, mas não vê problema em que as crianças brinquem. Não luta pelo monopólio.

***

Pra finalizar, pense no seguinte. Todo mundo que já trabalhou num projeto minimamente complexo sabe que praticaemnte tudo que é feito no mundo é feio como se fazem as leis e lingüiças. Tudo sempre sai meio mal-projetado, feito pela metade, não otimizado, incompleto e capenga, porque sempre existem prazos pra se cumprir, e as metas raramente são claras, coerentes ou mesmo satisfatórias. Às vezes nem satisfatíveis.

Num projeto aberto, geralmente temos entusiastas trabalhando apenas pra fazer o melhor programa possível. Não tem pressões de marketting, não tem requisitos estranhos... Só tem engenheiros felizes criando programas felizes.

Eu só me dei conta dessa questão claramente quando li a Proposta do projeto SWAN. Esses caras estão trabalhando pra fazer um substitudo pro firmware que vem nesses tocadores de MP3 “chineses”, “genéricos”... Na verdade a maioria é essa arquitetura chamada s1mp3, duma empresa chamda Actions, e a idéia é explorar essa arquitetura. Abaixo vem um texto tirado do site deles.


When a manufacturer releases a new product, they work with a limited number of staff and to a tight deadline. These limitations in resources are, sadly, reflected in the limitations of the firmware that the manufacturer is able to supply.

With more programmers and unlimited time, a product can always be improved. The s1mp3.org project is set up to achieve just that. Although we all work for free, we are an enthusiastic and organised team with no corporate deadlines to stifle our creativity.

ActionsTM have supplied the world with some incredible technology. The SWAN Firmware will unlock the true power of your ActionsTM based MP3 Player. Think of it as putting finely tuned Formula-1 Engine in your Rolls Royce.


Traduzindo,

Quando um fabricante lança um produto novo, eles trabalham com ua equipe limitada, e com um prazo apertado. Estas limitações de recursos se refletem, infelizmente, nas limitaçoes do firmware que o fabricante é capaz de fornecer.

Commais programadores e com um tempo ilimitado, um produto sempre pode ser melhorado. O projeto s1mp3.org foi formado justamente para isto. Apesar de todos trabalharmos de graça, somos uma equite entusiasmada e organizada sem prazos corporativos para restringir nossa criatividade.

A Actions (tm) forneceu para o mundo uam tecnologia incrível. O Firmware SWAN vai destravar o verdadeiro poder do seu player baseado em Actions. Pense nisso como colocar um motor de Fórmula-1 ajustado nos mínimos detalhes em seu Rolls Royce.


Esse que é o lance!... Esse é o barato. Tudo bem que pra construiur uma pirâmide vc precise ir lá montar toda uma estrutura de poder imperialista e opressora e ainda fazer tudo meio nas coxa. Mas isso não se compara com uma boa obra de arte, certo? O que você prefere pendurar na sua sala, algum pedaço de cortina fabricada em alguma filial gigante de uma mega empresa, um tapete persa feio com mão-de-obra infantil, ou um tapete feito com amor e carinho por uma pessoa que não só se importa com aquilo, com também não foi forçada a fazê-lo para não morrer de fome?

Claro que qualquer pessoa prefere a terceira opção, mesmo que visualmente essas coisas pudessem até parecer iguais (e raramente parecem). Quem não gosta do pequeno produtor local? Do artesão velho e experiente que domina sua arte e trabalha livremente por prazer, senão por capricho?... A diferença é que pra fazer bilhões de cópias de um pedaço de pano desenhado você realmente vai precisar de algum tipo de fábrica ou manufatura tosca. Software não, é só copiar!...

Já pensou se todo mundo pudesse ter um verdadeiro exemplar de algum quadro foda, como um Van Gogh ou Rembrandt em casa?...

Resumindo, qual sistema operacional você prefere ter: um Vermeer ou um Thomas Kinkade?

2008/02/29


Resolvendo a tela azul do mplayer no Ubuntu

Por falar em Ubuntu ali no post anterior, parece que tem alguma versão aí do Ubuntu que tá dando um problema com o Mplayer e outros programas de tocar vídeo, fazendo aparecer uma janela azul quando vc manda tocar qualquer coisa. O som fica normal, não dá nenhuma mensagem de erro, mas o filme fica todo azul!... (Não, não é uma BSOD!... :) pelo menos não das originais) E o problema não se limita só ao mplayer...

Nosso leitor, contribuidor e cidadão exemplar Mön5i€ur N.F. passou uma dica que funcionou pra resolver o problema aqui no computador da minha namorada. Foi só mandar o mplayer usar o driver x11... No comando do mplayer, use “mplayer -vo x11 ...”. Vc pode automatizar isso colocando a linha

vo=x11

no seu arquivo ~/.mplayer/config

Claro que o melhor é descobrir o que está errado na instalação do sistema, mas até lá vc vai se virando!... E se vc não puder editar algum arquivo de configuração porque tem medinho que usar vi, ou achar que é a coisa mais difícil do mundo colocar as palavras mágicas "-vo x11" numa linha de comando (ou nem concebe usar uma linha de comando pra abrir um filme), nesse caso, amigo, ou vai chorar em algum fórum, ou contate o seu revendedor!...

Ops!! Não tem revendedor!!... (ou sera que as pessoas acham que o pessoal que ajuda nos fóruns, e os programadores, são tipo “o revendedor” do software livre?)

((E se alguém souber como resolve the Ubuntu way, eu gostaria de saber! :) ))


Hacker também é gente

(Hoje eu vim aqui para escrever algo sério, que já não pode mais ser ignorado!)

Só outro dia que finalmente me chamou a atenção uma coisa meio forte, que a gente tá vendo por aí achando super engraçado, mas se você pensar sobre isso vai ver que não tem graça nenhuma.

Eu não sabia, até começar a procurar briga outro dia no meiobit.com, que existe um certo sentimento entre novos usuários de Ubuntu (e outras distros) de querer falar mal de outras pessoas acusadas de serem “usuários xiitas” de Linux (ou “zelotes” se vc for gringo), radicais da “velha-guarda”, cegos e insensíveis e sei lá mais o que. Fazem coisas como, por exemplo, pegar no pé do Stallman, acusando ele e outros micreiros barbudos hippies freaks engraçados de serem responsáveis pelo Linux e o FOSS em geral “não darem certo”. Ainda por cima ficam botando foto de Naruto nos fóruns da vida, e reclamando de qualquer coisinha que os outros fazem de que não gostam.

(Um pequeno parêntesis: estou me referindo a como tem moleque por aí reclamando de uma coisinha ou outra que acontece nesta ou naquela distro, e falando mal de um ou de outro jeito de fazer as coisas. Duvido que quando usavam wimdoms entrassem em fóruns falando mal de como outros usuários de windious trabalham, ou mesmo que enviassem os famosos “relatórios de erros” para a empresa chamada Microsoft, ou que contactassem seus revendedores como os programas daquele dito sistema operacional sempre recomendam fazer. Quando usam software proprietário são perfeitas ovelhinhas. Quando chegam no mundo livre ((o verdadeiro, não o S/A)), onde podem ser ouvidos, começam a tirar foto na frente do espelho achando que são fortes. São pessoas se perdendo no efeito color of the bikeshed sem se darem conta!...)

Essa “nova onda” de usuários de Linux e FOSS se caracteriza por unir pessoas descoladas, alternativas e irreverentes sem profundos conhecimentos em informática, e que também são usuários de computador que não possuem aquelas necessidades profundas e intensas de usuários especializados que infelizmente dependem para viver de software proprietários, como o chamado Adobe Photoshop ou o chamado Autocad. Não possuindo tais amarras, eles não tem muitos problemas em migrar pro mundo Linux.

Estes neófitos se preocupam pouco com detalhes técnicos de como as coisas funcionam por baixo, e muito mais com “usabilidade” dos sistemas. Não querem saber de terminal de texto ou de editar /etc/X11/xorg.conf, quanto mais utilizando o vim, ou o emacs. Este último, além de ser visto como algo inerentemente ruim por ser um editor de texto, seria ainda pior por ter sido criado pelo próprio Stallman, tido como o capeta maior do software livre (quer dizer, noutro sentido, sem ser o capetinha do BSD). E não se limitam a ficar na deles, procurando ícones secretos desenhados em estilo cristalino nos KDEs da vida. Não eles gostam de FALAR MAL de que gosta de trabalhar de qualquer outro jeito diferente. Eles querem mais do que permitir uma interface no Linux mais parecida com o Wirrows. Eles querem que SEJA SÓ assim... Pegam o bonde andando e querem não só sentar na janelinha e conversar com o motorista, mas ainda chutar pra fora as pessoas que estão sentadas no corredor por opção.

O gozado é que essa pessoal tá aí finalmente conseguindo realizar o antigo sonho de “levar o software livre para o desktop”, mas falam mal dos usuários “caretas” e “chatos” com a mesma antipatia que se vinha antes de usuários de SOs proprietários!!... Tipo, antigamente FOSS era coisa daqueles hackers sujos e renegados ali, que eram sujos e renegados por mais outros motivos, e a luta pelo FOSS era apenas mais uma coisa em comum. Agora tem um grupo de pessoas que está usando o FOSS, mas que discrimina os velhos hackers freaks do mesmo jeito!!! São os mesmos winners bullies patetas de sempre, invadindo a cultura que era um dos poucos refúgios dos velhos hackers geeks e nerds, e mandando eles saírem fora do pedaço.

Puxa, antes tudo bem, era cada um na sua, berrando pros outros do outro lado da rua. Mas como alguém tem coragem de ficar falando mal de desenvolvedores livres, e usar o produto deles?

...Alguns desses programadores nerds hackers freaks da vida achavam que um dia iam “dominar o mundo” fazendo programas que todo mundo ia achar legal. Que iam ser os chefes, e “mostrar pra eles”. Ledo engano. Os winnners da nova geração tão chegando com seus 16 aninhos de idade, pegando os programas e chutando a mão que os ofereceu, seguindo a eternamente retornante síndrome do jovem iconoclasta. Os velhos usuários de FOSS debatiam sobre seus produtos serem utilizados por "Joe User" ou por "Aunt Tillie". Jamais imaginavam que eles seriam antes popularizados entre os “Alex DeLarge” das novas gerações.



A coisa que eu só percebi agora, e que mais me motivou a fazer esse desabafo, é como é discriminadora, sem-consideração e injusta aquela campanha bonitinha do Ubuntu. Ubuntu, todos sabem, é uma distribuição cuja característica mais importante, a maior vantagem, é que “é baseado em Debian”, assim como a maior vantagem do OS X da empresa chamada Apple é que ele “tem partes aproveitadas do BSD”. E eu sempre me pergunto, porque ficar com o derivado se vc pode pegar o original?...

A campanha de marketing do Ubuntu gira em torno do slogan "Linux for human beings", ou “Linux para seres humanos” (não sei se é um slogan bacana e bem-bolado, uma frase de efeito que agradaria os l4mm3rtards, que parecem ser tão preocupados com esse tipo de coisa.)



Tipo. Não tem dúvida de interpretação, todo mundo sabe o que isso significa: seria que até chegar o Ubuntu, a distro super-mouse salvadora, as outras distos seriam difíceis, ruins, capengas e mal-acabadas, e ainda: seriam utilizáveis apenas por pessoas que não são seres humanos.

Tem ofensa maior do que isso? Falar que uma pessoa não é um ser humano? Que é alguma espécie grotesca de monstro abominável, criatura Frankensteiniana, um Shubb Nigurat ante-diluviano?

Acaba que essa campanha extremamente ofensiva e insensível representa tudo isso que está me revoltando. O pessoal está aí realmente popularizando o Linux e o FOSS, mas os esquisitos que criaram isso tudo continuam sendo discriminados. Eu sinto até que tava começando a ter uma onda de achar ser nerd legal, porque tem tantas coisas legais que eles fazem que estão começando a fazer parte da vida de todos. Mas agora agora o Ubuntu conseguiu separar as duas coisas!!... Ufa!!, pensam os n00btardeds, já posso voltar a falar mal desses loosers, e finalmente usar tranquilo esse tal desse Linux aí.

Empresas grandes e famosas de tecnologia, como a Micro$ofp, a Apple, a IBM, a HP e sei lá mais quem, tem todas em comum o fato de “encapsularem” seus engenheiros. Seus produtos parecem caídos do céu, só quem lida com os clientes são marqueteiros, comunicadores sociais, publicitários, políticos et cætera. O pessoal do Ubunto tava sentindo que faltava fazer isso. Jogar no porão os engenheiros, devolvê-los para aquele poço insano onde não entram seres humanos, e transformar finalmente o Linux em mais um produto que vem numa caixinha bonita e confiável, sem os horrores inomináveis e não-euclideanos sonhados por aquelas mentes obscuras e aterradoras que são os programadores não-humanos de computadores...

E nõs, pesquisadores de inteligência artificial (o RMS era um), achando que ainda faltava muito até vermos os primeiros programas feitos por entidades que não fossem seres humanos.

Primo Levi, um químico nerd italiano que teve a infelicidade de viver numa era onde nerds eram ainda mais duramente discriminados e repreendidos, já perguntava se a sociedade o estava tratando como um homem: escreveu o livro “É isto um homem?” sobre suas experiências com um certo tipo de gente que falaria mal do Stallman se tivessem nascido 50 anos depois. (Vejam bem, eu acredito que existe bem mais de um tipo de gente que falaria mal do Stallman, o livro de Levi é só sobre um desses vários tipos de pessoas, homens humanos, que o fariam e fazem.)


Levi ainda tinha dúvida. E há que se ter dúvida mesmo, existem muitas formas de discriminação, e uma das coisas que diferenciam elas é o quanto que a parte discriminadora considera a discriminada como humano. Alguns discriminadores só querem colocar certos colegas humanos à parte, por serem uns mais iguais do que os outros. Outros já falam em menosprezar pessoas “sub-humanas”... Alguns fazem pior, não dão nem a graça do relativo “sub-”, mas apenas desqualificam em sua totalidade, como no caso do Ubuntu, e remove do discriminado mesmo qualquer menção à possibilidade arrogante de se considerar um humano.

Isso tudo que eu escrevi não é piada não. É só rir pra não chorar.