2009/01/29


Minha aura reparadora

Eu tenho tipo uma aura mágica, um campo de força místico que se manifesta às vezes quando eu chego perto de alguém que está mechendo com algo que não está funcionando. Quando eu chego, ou quando eu mecho na coisa, aí funciona. É incrível. Eu quero até fazer uma história um dia em que tem um santo engenheiro que quando entra na sala todos programas compilam, e todos cubos de rubick saltam nas mesas, resolvendo-se.

Meu computador começou a dar vários problemas recentemente. Minha aura não é tão forte assim... Cooler fazendo barulho, bateria morreu, e o pior de tudo: um terrível mal-contato no teclado, afetando as teclas esc, janelinha, F7, backspace, g, h e ~/^. O mais chato de tudo é que foi bem quando comecei a usar a "janelinha" com o awesome (meu novo gerenciador de janelas), e o esc eu uso muito no emacs.

Convivendo com o problema, comecei a suspeitar de algum mal contato em algum único fiozinho do teclado (teclados funciona com pares de fios que fazem contato...) Mas não abri pra resolver eu mesmo porque é meio difícil abrir notebook. Acabei levando num lugar e pedi pra dar uma revisão, limpar e ver se eles arrumavam o teclado.

O cara da oficina aceitou, já me fazendo um discurso aterrador sobre a possibilidade do teclado ter se desgastado a ponto das teclas não estarem fazendo o contato, o que seria irreparável, e me mandou me preparar pra gastar 300 reais num teclado novo. Ainda me ofereceu uma bateria nova, outros 300 conto.

Paguei 90 reais pro cara fazer uma limpeza e tentar resolver o teclado. Melhorou sim, mas ficou "quase bom", ainda tava dando o mal-contato de vez em quando... É de deixar puto, pagar essa grana, a máquina melhorar, mas não ficar perfeita. Não sei se prefiro isso ao serviço simplesmente não ter sido feito.

Hoje, depois de muito trabalho em achar uma chave de fenda que prestasse --- no Savassi só se acham sex-shops, finalmente abri a máquina e resolvi olhar eu mesmo como andava a conexão do teclado.

Abri, desconectei o cabinho, passei a ponta da chave de fenda pra tirar a ferrugem, coloquei de novo, e fiz uma descoberta importante: uma peça que prende o cabo está soltando do lugar, talvez seja preciso prender com algo. (cola quente? :) )

Montei de novo, e agora está funcionando 100%, nenhuma "engasgada" do teclado ainda... Porque funciona comigo e não com o técnico? Claro que deve ser pura sorte, mágica. Nada de material, qualificável ou compreensível. Nada mundano, certamente.

PS: Não mencionei algo crucial. A máquina voltou com o teclado mal-encaixado. O teclado é tipo uma bandeija de metal, e uma das pontas ficou pra fora do friso de plástico que emoldura ele. Quando remontei, botei no lugar certo. É a marca do serviço mal-feito, o cara remontar tudo "pros cocos". Será que não sou eu o abençoado, mas sim os outros que são amaldiçoados, e tudo que montam fica ainda meio capenga? :)

2009/01/16


Barbas de molho

Relatório de férias. Hoje fui passear na minha saudosa Avenida Paraná. Fui na AMJ comprar umas tralhas eletrônicas, sonhar com meus projetos: fazer o TK85 sem fio, fazer um joystick, e agora mais outro: montar um amplificador com um TDA7169ASA.

Aí fui atrás do que estava mesmo procurando: um aparador de barbas. Eu queria especificamente um daqueles que tem em barbeiro que é só o aparador "linear" (tipo máquina de cabelo), pretinho, quadrado, com uma tomadinha pra ligar na parede e recarregar. Procurei por toda a cidade e não vi nenhum desses, só máquinas caras.

Procurando o shopping oi acabei caindo no shopping Xavante. Primeira vez que fui lá, achei bem legal, tem bastante coisa. Tipo um mercado central do novo século. Não só lá como todo o centro ali em volta tá bem legal, do jeito que a gente gostaria que fosse desde uns vinte anos atrás.

Lá no fundão do galpão achei uma única lojinha vendendo um aparelho parecido com o que eu quaria, com a diferença que tinha um bercinho pra recarregar. Custava 65, o que achei um pouco caro. Queria pagar com cartão e o cara me falou pra procurar outra loja dele lá no uai shopping, que lá tinha cartão.

Fui no tal uai shopping, que é o mais novo desses três (Oiapoque, Xavante e o Uai). Aqule parece mesmo um shopping, e tipo pra zelite!... Achei a tal loja, e lá tinha dois modelos de barbeador como eu queria: um phillips de 80 conto, e um Powerpack BR-390 de $35. Perfeito!! Finalmente achei. Hoje vou cortar a barba pela primeira vez desde o ano passado. Viva Taiwan.

2009/01/06


Tirando poeira da velha maquininha (ou: brincando com meu TK85)

Estou de férias na casa dos meus pais. Revendo aqui minhas raízes... Entre elas, revi o primeiro micro que jamais usei (acho que era o segundo que meus pais já tiveram), um TK85.

TK85 era o "genérico" brasileiro do britanico Sinclair ZX81. Uma maquininha baseada no Zilog Z80, com uma ROM com um interpretador de BASIC. Tem uma saída pra TV (P&B), entrada prum tal joystick gambiarrado, e portas de áudio pra usar um toca-fitas (K7) pra carregar e gravar "arquivos".

Antigamente as coisas eram feitas pra durar, né. Com o carregamento de arquivos é via áudio, dá pra simplesmente usar a placa de som pra substituir o toca-fitas!... Se fosse baseado em RS-232 ou porta paralela, nem tinha jeito de fazer nada. Mas com a placa de som dá pra entrar na Internet num computador "normal", converter o arquivo pra um arquivo de som, e carregar os programas no TK85.

Pra gerar o arquivo de áudio eu usei o tal p2raw que vem nesse pacote aqui: http://www.xs4all.nl/~odemar/zx81/zxtools.zip

Arrumei depois uma coleçao de joguinhos e programas por aí também, tem coisa tipo biorrítimo, e programa de adivinhar um bicho que voce pensar fazendo perguntas, essas coisas, todos "clássicos"...

Enfim, aqui tem uma foto minha jogando tetris no TK85, ligado numa TV modernosa. Esse jogo nao é "da época", foi feito recentemente pelo autor desse emulador.



É isto aí, diversao de férias da melhor espécie!... Eu vou tentar agora fazer um joystick pra mim. Outra idéia é ligar umas baterias no TK85 e deixar ele "sem fio".

2008/12/14


Ratos ou homens?

Me interesso muito por interfaces, projetos de ferramentas e com entender como a mente humana funciona (ciência cognitiva).

Hoje, enquanto completamos aí os 40 anos do tal mouse, que todos amam e idolatram, enquanto procurava informações sobre uma tal linguagem de programação Forth, que é parecida com algo que eu estou inventando --- Aliás, sempre fico meio feliz e meio triste quando estou inventando algo e descubro que já existe. Feliz porque já existe, e triste porque não é famoso/importante o bastante pra eu já conehcer --- Neste momento venho finalmente conhecer não só o Forth, mas um tal computador chamado Canon Cat, criado por um tal Jef Raskin que aparentemente e infelizmente não recebe nem um décimo da atenção de Douglas Engelbart ou Ted Nelson (o que já é pouco). Eu até gosto dos dois, mas essas idéias do Raskin, que foi um dos criadores do Macintosh, tão me deixando com uma impressão muito boa!...

O tal livro dele, The Humane Interface, parece bem interessante.

Infelizmente, o sujeito morreu em 2000. RIP...

2008/12/09


Exemplo de laço complicado

Eu sou um defensor da instrução GOTO, acho que as pessoas devem pelo menos aprender como funciona quando tão na escola. Já escrevi muito por aqui a respeito do GOTO, e do preconceito sem noção, etc.

Tudo bem que dá pra resolver qualquer problema com os for e whiles da vida, e os breaks e continues auxiliam, mas não deixa de ficar feio né gente... Não sei se fica menos feio do que usar um GOTO.

Olha esse exemplo aqui de código real que tem um laço complicado. Achei interessante porque vem direto de uma documentação de uma biblioteca, é um programa bem básico, é muito pequeno, e tem um laço bizarro.




lexer = lex.lex()
lexer.input(sometext)
while 1:
tok = lexer.token()
if not tok: break
print tok

Olha só, o sujeito teve que fazer um laço “infinito”, algo sempre chamativo. Aí tem uma atribuição, um teste com break, e um print. O problema é que não dá pra testar o tok de cara, porque é preciso a primeira atribuição. nao dá pra fazer do ... while também porque o print precisa ficar depois do teste. Não tem jeito. O teste teve que ficar no meio desses dois. Aí então faz um “laço infinito com break no meio”. Uma estrutura que não tem nome. Se fosse GOTO, seria simplesmente mais um “laço com um teste”... Pra entender esse programa eu uso mais meus conhecimentos de programação fudamental, sabedora do GOTO, do que as facilidades estruturantes oferecidas pelas estruturas whiles e fors da vida.

Claro que dá pra fazer um jeito do programa ficar mais bonito, e o verdadeiro teste que limita o laço ficar na declaração do while. Tipo:




lexer = lex.lex()
lexer.input(sometext)
tok = lexer.token()
while tok:
print tok
tok = lexer.token()

Deve até poder ficar melhor com for. Mas algo levou esse programador a optar por uma única linha de atribuição, e um break, achou que talvez isso fosse mais claro, mais simples, mais de acordo com as famosas “limitações de suas habilidades cognitivas” que preocupavam Dijkstra. Eu pergunto: Será que estamos satisfeitos com nossas linguagens?...


Listinha de presentes

É sempre bom manter atualizada uma listinha de presentes que eu gostaria de ganhar, pra se alguém resolver assim, de repente, comprar alguma coisa pra mim. É uma ferramenta importante de auto-conhecimento também, fazer uma lsitinha dessas, que não é muito diferente de escrever uma carta pro Papai Noel não é mesmo?...

Aí vai então:

  • Livros da Amazon ou Livraria Cultura, tenho wishlists enormes lá que atualizo de quando em vez.
  • Chaverinho de 10 reais do multi-coisas, com uma tirinha de couro e clipe pra prender no cinto e aro grande.
  • Camiseta do Sepultura (a velha, de verdade, preta, com o S vermelho)

Por enquanto só essa miséria, um dia ponho mais coisa...

2008/12/07


O spam do século XX

Poeminha bobo aí que eu pensei outro dia no ônibus. Alguns argumentam que não teria nada de poésico, mas fazer o que, sorte que não sou poeta profissional!



De um lado da rua vem o caminhão de lixo,
Recolhendo.
Do outro o dos correios,
Entregando.

2008/12/05


A mensagem de Pessoa

Finalmente achei na Internet um bom depósito de poemas de Fernando Pessoa. Lá tem na íntegra o único livro (em Português) publicado pelo poeta em vida, Mensagem, que fala sobre os gloriosos navegadores portugueses. Esse livro contem o famoso poema Mar Português, com os versos “quanto do teu sal/são lágrimas de Portugal”.

Lendo esse livro num livraria outro dia, vi um outro poema que achei muito bom. É sobre Fernão de Magalhães. Pra quem não conhece, a Wikipédia informa: navegador português, liderou uma expedição espanhola que buscava atingir a região da Indonésia através do oceano pacífico, e eventualmente circumnavegar o planeta. Magalhães morreu no meio do caminho, entretanto, na Batalha de Mactan. O navegador basco Juan Sebastián Elcano liderou o resto da viagem até a Espanha. Mas Magalhães ainda foi um dos primeiros homens a cruzar todos meridianos, entretanto, porque já estivera lá na Indonésia anteriormente, só que vindo pelo caminho desbravado por Vasco da Gama.

(O primeiro capitão a sair e voltar pra casa comandando sua expedição acho que foi o inglês James Cook.)

Aí vai o poema...


No vale clareia uma fogueira.
Uma dança sacode a terra inteira.
E sombras disformes e descompostas
Em clarões negros do vale vão
Subitamente pelas encostas,
Indo perder-se na escuridão.

De quem é a dança que a noite aterra?
São os Titãs, os filhos da Terra,
Que dançam da morte do marinheiro
Que quis cingir o materno vulto -
Cingi-lo, dos homens, o primeiro -,
Na praia ao longe por fim sepulto.

Dançam, nem sabem que a alma ousada
Do morto ainda comanda a armada,
Pulso sem corpo ao leme a guiar
As naus no resto do fim do espaço:
Que até ausente soube cercar
A terra inteira com seu abraço.

Violou a Terra. Mas eles não
O sabem, e dançam na solidão;
E sombras disformes e descompostas,
Indo perder-se nos horizontes,
Galgam do vale pelas encostas
Dos mudos montes.

2008/12/03


O nome da moda

Vi num blog outro dia alguém definindo, enunciando o significado das duas mais novas e excitantes entradas na taxonomia da cultura jovem brasileira contemporânea: "nerd" e "geek". Geeks seriam carinhas descolados que gostam de "gadgets" (principalmente dos da empresa de Cupertino, Apple), usam roupas com um visual do futuro, ou com ícones de jogos "de 8 bits", e cortam cabelo igual personagem de mangá. Nerds são pessoas que sabem alguma coisa sobre como os tais gadgets funcionam e são construídos, e lêem mangás com uma década de antecedência, e são tolerados pelos tais geeks, o que é novidade, já que na tal década antecedente eles não eram tolerados era por ninguém. Nerds usam óculos feios, e geeks usam óculos escuros feios.

Acho maravilhoso ver a forma como as palavras foram ganhando esse significado aí, e como de repente chegou esse momento em que alguém se preocupou em definir, pra "todo mundo combinar" que é isso aí, e a gente poder falar em "moda geek" sem espantar muito o consumidor, porque "geek é OK", não quer dizer que você é uma pessoa que comete atrocidades como estudar trigonometria no fim-de-semana...

Acho que a principal força a estabelecer o "geek" como o transado, e o "nerd" como o que não transa, foi o filme "A Vingança dos Nerds"... Não conheço nada tão marcante com a palavra "geek". Existe ainda algo de fonético em "geek" que o torna mais "bakaneenha", enquanto "nerd" soa como uma tentativa frustrada de um afásico em comunicar qualquer coisa.

Acredito que o fenômeno da segregação social de afásicos, de vários tipos, tem muito a ver com esse assunto aqui.

Verdade seja dita, "geek" e "nerd" são ofensas. São indelicadezas pronunciadas cotidianamente por pessoas intolerantes e insensíveis, a que os alvos destas acabam "se acostumando", e integrando à sua própria personalidade: "sim, é, sou estranho, esquisito, sou um palhaço, riam de mim..." Acho o cúmulo que pessoas que viveram suas vidas submetidas a este tratamento de aberração, bobo-da-corte, motivo de chacota, etc, precisem viver ainda o drama de saber se são "geek" ou "nerd". Quer dizer, não tem fim a crítica? Depois de já ser definido que você é uma aberração risível, você ainda tem que escolher entre dois subgrupos?

Já tenho raiva de ver isso na gringa, mas aqui no Brasil a questão toda tem um twist, o fato de não falarmos inglês e então palavras como twist, que tem significado tradicional, "de dicionário", se tornam neologismo com mais facilidade, adquirindo aqui primariamente o significado que é secundário na língua de origem.

Eu queria contar uma história sobre nerds geeks, porque sempre que ouço essas palavras na mídia moderninha, (tipo a revista Geek) lembro-me de histórias dessas. Tinha um amigo meu na escola que um dia ganhou a alcunha de "Esquisito". "O Esquisito", nossos coleguinhas chamavam ele. Era em português mesmo, não tinha o eufemismo de um anglicismo. Ele lutou por algum tempo, mas acabou aceitando eventualmente. Ainda com algum rancor eventual, acho, mas acabou aceitando sim.

Ele era um cara que tinha algumas habilidades informáticas, certamente acima dos nossos coleguinhas discriminadores. Não sei se ganharia de mim no Code Jam, mas seria certamente capaz de entender do que se tratava. Comprei dele minha primeira placa de som, uma Sound Blaster pré-Pro. Não tenho como expressar o carinho que tenho por aquela pequena placa de som que instalei eu mesmo no meu 286, e me abriu as portas para os joguinhos "modernos", talvez até pra computação gráfica (apesar de tecnicamente não ter nada a ver). Era um dos caras com que eu conversava no recreio, e fazia trabalho em grupo, e fugia do futebol. Deviamos ser ali uns 10 caras estranhos que conviviam no limbo social, e dentre eles tinha o sub-grupo dos caras que mexiam com computador, que deviam ser uns 3 ou 4.

Esse mesmo colega meu foi basicamente um líder num movimento de repúdio a um colega nosso que, como posso dizer, realmente escapava com folga do "normal". Não sei o que ele tinha/tem, mas talvez beirasse a afasia. Digamos apenas que se Alexander Luria entrasse na sala, talvez fosse tomado por um imediato interesse nele.

Esse meu colega Esquisito então inventava apelidos piores ainda pra ele, enchia o saco, fazia piada, e tals. E assim se afastava um pouco do fundo do poço da esquisitice. Havendo mais "losers" abaixo, você fica mais perto dos "winners" na dualidade tradicional dos filmes nas high-schools norte-americanas.

Não sei se todo mundo entende muito bem como funciona isso tudo, mas quando você é um "esquisito", muitas vezes essas humilhações são basicamente tudo o que você pode esperar de convívio social, e é assim que você acaba aceitando tudo. Porque é melhor viver achacado do que isolado. No final das contas, posso condenar todos ataques e achaques, mas não deixava de ser alguém dando atenção ao sujeito, o que às vezes é melhor do que a alternativa: não ligar.

Tem uma coisa interessante sobre esse nosso colega esquisitíssimo... Apesar de todos meus colegas morarem mais ou menos na mesma região ali, eu quase nunca encontrava com eles nas ruas. Quase nunca encontrei colegas meus passeando no(a) Savassi, por exemplo. Ele não, sempre vejo ele por aí, é o único colega de escola que reencontro anos depois do fim da tortura. Não é engraçado que o cara mais "esquisito" de todos seja o único "normal", que anda na cidade? Porque as pessoas não andam na cidade, meu deus??... Nunca entendi bem isso. É porque todo mundo tinha/tem carro menos ele e eu? Vão sempre em lugares caros e exclusivos? É porque todo mundo tá no trabalho ou estudando em casa naquele horário em que eu e ele saímos pra vagabundear por aí? Sei lá... Sempre entendi que éramos esquisitos em várias coisas, mas nunca entendi que freqüentar a Savassi às 15:00 fosse uma esquisitice.

De repente está aí o lance da "redenção do esquisito". Porque nós, palhaços, somos experimentadores inconscientemente, e acabamos dando uma dentro de vez em quando, e criamos moda... Esquisitos tem um certo destino-manifesto de desbravadores, como os degredados da Europa que colonizaram o Novo Mundo. Somos o contrário em vários parâmetros, e rechaçados por tal, mas às vezes contrariamos um certo parâmetro que agrada a galera, e caímos nas graças do povo, até que a moda se estabelece e viramos lixo de novo.

Então sei lá, entendo um pouco o lance de "revelar o charme" dos nerds sim, e a moda recorrente de cultuar o "bizarro" (palavra de significados notoriamente controversos). Mas quando a conversa começa a ficar prática demais, ali na famosa diferença entre o Charme e o Funk, começa a me dar asco. Começa a sair da coisa "true". O universo da repressão dos garotos que gostam de matemática, e os outros esquisitos, é muito maior do que essas marcas que tão sendo inventadas aí agora, com essas definições fáceis assim tipo, "geeks são caras que fazem as coisas, e nerds são fracassados"... Isso é conversa de empresário querendo ganhar dinheiro, gente, é marketing.

Talvez seja por ter convivido tanto com os esquisitos, as aberrações das escolinhas, por conhecer de perto essa sutil discriminação (que não é muito noticiada porque não envolve nem raça nem religião), é que não sei mais achar graça de "ser nerd". Nem sei achar aceitável que exista um tipo de esquisito "que se deu bem", e um que continua atirado à nerda. Eu até soube ver graça nisso por um tempo, mas hoje quero acreditar que as pessoas são mais complicadas do que isso. Que especialmente as pessoas estranhas possuam uma diversidade que é desrespeitada quando se tenta enquadrá-la em rótulos e nomes de "tribos".

Temos que dar cabo desse negócio de dar nome pra quem faz alguma coisa da vida. Nós é que somos os normais. Nós é que nos atiramos sem ressalvas à vida nesse universo. Tiramos nossas máscaras e damos a cara a tapa na sociedade. Somos afásicos, falastrões, burros, inteligentes, feios, charmosos, misteriosos, simpáticos, amedrontadores... Somos gente de verdade, muito prazer.

***

Aaah, já ouço meus colegas de escola lendo isso, e reagindo com um popular "dããã que mongol". Ou talvez um "hahaha e agora, você vai chorar?" Talvez me perguntando se eu quero ser padre. Caralho, uma vez me perguntaram se eu queria ser PADRE, velho!... Vai ser esquisito assim lá... em casa. Pior que eu já quis.


Blogando de dentro do Emacs

Estou testando um programinha pra postar no Blogger de dentro do emacs. Tentei previamente usar um tal g-client que não funcionou direito não. Mas esse e-blogger aqui parece ser bacaninha. Se esse post não for deletado,q ue dizer que funcionou, e que eu gostei!...