(Um artigo meio extenso e pouco elaborado sobre formatos de sistema de arquivo e memórias flash. Pode ter uma ou outra informação interessante que eu não soube explorar com a melhor habilidade narrativa possível!...)
Já se estabeleceu em nosso cotidiano o uso de memórias flash para armazenar arquivos. Pequenas e econômicas --- e caras --- elas estão em câmeras digitais, celulares, pendrives, palmtops, e mesmo netbooks. Dá até pra usar simplesmente como um disquetinho, se você tiver leitor de cartão em sua máquina.
Assim como disquetes, fitas e discos rígidos, a memória é antes de mais nada um simples "depósito de bits". Existe um mecanismo de endereçamento que permite a você ler e gravar dados com certas restrições. Mas ninguém lida com essa coisas direto, geralmente as pessoas querem usar são os serviços ofereceidos pelos sistemas operacionais. Os SOs criam arquivos com nome e data e permissões, apagam os arquivos, gerenciam o espaço livre no dispositivo, e ainda tomam algum cuidado pra ver se houve corrupção da memória, e lidam com esses erros.
Para fazer isso tudo é preciso antes decidir qual vai ser o sistema de arquivos utilizado na memória. Quando a gente formata uma partição está fazendo é isso, decidindo o formato, e eventualmente tomando as medidas necessárias pra inicializar essa memória, colocando lá algumas estruturas de dados iniciais pro SO trabalhar com aquele formato.
Diferentes formatos de sistema de arquivos possuem diferentes características, e podem também ser mais adaptados para mídias com diferentes restrições. Alguns vão ser melhores para arquivos maiores ou menores, por exemplo, ou mais ou menos velozes e mais ou menos seguros. As características também incluem limitações aos tamanhos de arquivos e da mídia, e ainda aos nomes dos arquivos (número e tipo de caracteres.)
Essa tabela na Wikipedia compara vários formatos diferentes. Entre eles existem alguns famosos, a começar pelo FAT, programado com contribuições do próprio Bill Gates e utilizado por produtos da Microsoft desde então, além de inúmeras outras empresas.
Um exemplo de como a formatação pode influenciar no espaço livre para armazenamento, veja essa outra tabela. Compare os discos de 90mm... Uma primeira curiosidade é que inicialmente a Apple utilizava controle de velocidade, permitindo um melhor aproveitamento da mídia magnética, ao contrário dos outros leitores de disquete que utilizavam velocidade angular constante. Mas isso é outra história...
Repare como que os disquetes de 90mm (3.5 polegadas) de alta densidade possuem tamanhos diferentes. O mais comum é 1440kB, mas o Amiga conseguia guardar 1760kB. No IBM-PC tb existia um macete pra conseguir 1680kB e 1720kB, que algumas empresas utilizavam pra distribuir seus programas e dificultar a cópia destes. Essa diferença de tamanho não é por causa de algo físico, como variação de velocidade de gravação, mas sim diferença na formatação dos discos. Um disco de 90mm não-formatado consegue guardar até uns 2000kB, dizem.
Discos flexíveis são geralmente tosquinhos, e ninguém espera uma formatação sofisticada neles. Se puder haver mais espaço e velocidade, ótimo... No caso de discos rígidos pode ser mais desejável uma formatação que permita mais segurança. Quando a gente faz RAID, por exemplo, está indo atrás de redundância e confiabilidade (e velocidade, às vezes), e não espaço de armazenamento. É um comprometimento.
A formatação FAT não oferece nada demais. Uma tabela centralizada localizada no início da partição anota a alocão de clusters de tamanho fixo para os diferentes arquivos. FAT possui alguns problemas conhecidos, em especial a fragmentação excessiva.
Existem muitos formatinhos simples --- ainda piores do que o FAT --- por aí, utilizados em aplicações específicas. Um exemplo é o iso9660, ou CDFS, utilizado em CDs de dados.
Um exemplo de formato mais moderno são os que fazem _jounaling_. Nestes formatos cada mudança aos arquivos é antes anotada em um diário. Se houver uma pane, a chance de você causar um erro sério ao seu sistema é bastante reduzida. Pode haver registro apenas de modificações aos meta-dados (nome de arquivos, etc), quanto dos próprios dados. O NTFS, por exemplo, é um formato que faz esse tipo de coisa. A principal diferença entre ext2 e ext3 também é o journaling.
Existe também uma família de formatos chamados log-structured que funcionam de forma bastante peculiar. Eles podem manter "vivas" versões mais antigas dos arquivos, que só vão se perdendo quando o espaço na memória acaba, e os dados antigos precisam dar lugar aos novos. Um formato baseado nesta idéia é o recente UDF, utilizado em DVDs e em discos óticos regraváveis (CD-RW). No mundo BSD também surgiu um tal LFS que segue a idéia. Existe ainda um conjuntos de formatos dessa família dedicados desenvolvidos especificamente para memórias flash: jffs2 e yaffs.
***
Agora chegamos ao assunto que na verdade me atraiu pra falar isso tudo. Comprei um cartão de memória (SD), e estou decidindo como vou formatá-lo. Eles vem geralmente formatados com FAT só porque as indústrias querem agradar os consumidores, permitindo a eles utilizar os cartões sem se preocupar com o assunto. E como a maioria das pessoas usa produtos da micros~1, eles formatam para eles. E o Windions suporta apenas o tal NTFS quando muito, e o arcaico FAT, recauchutado para permitir, por exemplo, nomes com mais de 8.3 caracteres...
Mas parece que pra usar NTFS tem que dar dinheiro pra microshort, e o formato tb nem é tão popular quanto o FAT, que acaba sendo então a escolha. Mas os problemas não terminam aí, porque a empresa de Redmond resolveu que vai capitalizar em cima do formato!
Como não tenho muita necessidade em ser compatível com windows (uma pequena partição FAT16 provavelmente vai atender minha necessidade de ter que copiar arquivos da máquina dos outros de vez em quando...), estou decidido a não utilizar o VFAT com que minha memória veio formatada. A pergunta agora é: qual seria o melhor formato pra escolher?
Os tais jffs2 e yaffs me parecerem a princípio ser a escolha ideal. Existe até um outro formato sendo desenvolvido pela Nokia, ubifs, também dedicado pra memórias flash. Só que aparentemente eles são direcionados apenas a memórias flash "internas", e não pra cartões... Cartões são desenvolvidos para se comportarem de maneira mais parecida com discos rígidos, e os formatos de escolha devem ser os que se usam neles. (Mas ainda estou confirmando a lógica disso.)
Uma das características que um jffs2 teria seria gastar a memória por igual ao longo do tempo. Acontece que memórias flash vão se degradando conforme você vai escrevendo em um certo ponto, então é bom fazer esse gasto espalhado por toda a memória, evitando ficar escrevendo sobre um mesmo local, modificando um mesmo arquivo, por exemplo.
Quando seu dispositivo é uma memória flash pura, o sistema operacional precisa vigiar esse tipo de coisa. Mas em um cartão de memória parece que existe um contrle interno que faz isso automaticamente, dispensando portanto o uso desses formatos de arquivo dedicados.
Não seria portanto indicado utilizar formatos como jffs2 em cartões SD. Eu li inclusive que o jffs2 pode ser bem mais lento do que, por exemplo, ext2, além de ser pior pra mídias muito grandes.
Outra característica de memória flash é que o problema da fragmentação não é tão terrível quanto em discos, já que não exist euma agulha que vai andando e lendo as coisas... Seria então um motivo a menos pra não utilizar FAT!
A escolha fica portanto entre ext2, ext3, fat, hfs+, udf, ntfs, reiserfs, lfs... E as considerações principais devem ser velocidade e leitura, eficiência de uso do espaço e segurança, considerando que o cenário é uma mídia removível de estado sólido, onde fragmentação nãodeve ser problema, e a questão de realziar um gasto homogênio da mídia também não seria problema porque o cartão já cuida disso sozinho.
Algo que podemos argumentar é que sistemas com journaling de dados vão fazer muito mais gravações do que os mais simples, e portanto vão gastar mais a memória. Mas talvez haja um ganho... Todos conhecem o problema de poder corromper o cartão se remover antes de tomar os cuidados necessários. Talvez o journaling ajude nisso.
Acho que vou fazer um teste, portanto. Criar umas 3 partições, fat ext3 e UDF e ver o que acontece ao longo do tempo!... Reporto daqui a um ano. :]
2009/07/27
Formatos de arquivo e memórias flash
2009/05/13
Marooned on Mars
Estou escrevendo um texto, e dei uma parada pra relembrar sobre uma das coisas mais LEGAIS que ocorreu no mundo, (senão na galáxia, ou em todo universo) nas últimas décadas: as famosas sondas marcianas enviadas pela NASA.
Eu nem existia ainda, ou mal tinha nascido, quando ocorreram boa parte dos mais excitantes sucessos humanos na exploração espacial. A última vez que alguém pisou na Lua foi na missão Apollo 17, em 1972, e a última sonda soviética a Vênus, Venera 14, pousou lá no ano que eu nasci, 1981. além de dados cientificíssimos que vc tem que ser um fodão pra analisar, ela tb mandou umas foto muito louca, de cair o queixo... Ou melhor "de outro mundo"!
Um evento marcante na minha infância, ligado ao espaço sideral, foi a passagem do cometa Halley. Mas desculpem, nem se compara né gente? É até meio deprimente pensar que uma passagem de um cometinha deixou todo mundo em polvorosa, e suscitou tantos produtos, programas de TV, e atraiu pessoas pra ciência, enquanto que em décadas anteriores vimos acontecimentos muito mais marcantes como a passagem da Voyager 1 por Jupiter e Saturno, ou antes disso o desenvolvimento da tecnologia nuclear...
Talvez eu esteja reclamando de barriga cheia, vai. O que aconteceu de legal nos anos 80 e início dos 90 foram coisas dentro de nossas casas, e não missões faraônicas que na prática são tão oníricas e inalcançáveis que histórias e filmes de ficção científica e fantasia.
Filmes de ficção e fantasia, aliás, tornados muito mais acessíveis com o desenvolvimento de vídeos-cassete, tv a cabo e vídeo-games nos anos 80. Eu não posso dizer que trocaria ser um garoto jogador/programador de microcomputadores por ser um antigo rapaz interessado em viagens espaciais, que não podia nem chegar perto de botar as mãos nisso...
Os antigos nerdinhos podiam no máximo jogar xadrez e mexer um pouco com química e eletrônica (vide Feynman e Oliver Sacks). Minha geração pôde jogar Commander Keen, Super Mario World e Monkey Island ouvindo Guns e Alice in Chains em tocadores de CD (o primeiro CD player da minha casa, um JVC, adquirimos em um natal, na época em que estourou o Rage Against the Machine, 1992). Os sortudos ainda conseguiram ver uns filme pornô (ruinnns) escondido no Multishow de noite, etc.
Isso aí é muito mais diversão do que os jovens de antigamente podiam sonhar. As pessoas falam que criança tem que brincar de "imaginar", e "fantasiar"... Tipo, será que essas atividades não tem mais a ver com a privação de atividades palpáveis, mais interessantes? (provoquei agora)
Aí mais ou menos junto veio a Internet, lá pra 1994, e mais um tempo depois fenômenos como o Photoshop, CoolEdit, Autocad, Quake 3D (1996)... Nisso já estava eu mais velho. Estava lendo coisas como o Pálido Ponto Azul (1994?), e aprendendo mais sobre a guerra fria, e esses grandes acontecimentos científicos de outrora (exploração espacial e tecnologia nuclear) que eram coisas meio distantes de minha realidade (i.e., só usando um pouco da famosa "imaginação"). Eu provavelmente ouvia falar mais de energia nuclear por causa de músicas punk velhas de protesto, do que assistindo jornal. Historicamente eu (e talvez muitos se identifiquem) me sinto bem mais próximo do incidente em Goiânia (1987), que não envolvia nem uma usina nem um míssil nuclear, do que de Chernobyl (logo antes, 1986), Hiroshima, ou da crise dos mísseis de Cuba. Eu só vim a pensar em guerra nuclear na minha vida, pra valer, por causa do Exterminador do Futuro II (1991), com a famosa cena do parquinho.
***
Eu gosto de dizer que os anos 90 começaram foi depois do Pulp Fiction, de 1994. Foi nessa nova era que, em Dezembro de 1996 faleceu Carl Sagan, de quem eu já tinha me tornado groupie. No mesmo mês foi lançada a missão Mars Pathfinder.
Nessa missão fizeram uma coisa muito legal. Lançaram lá na superfície de Marte um robozinho, a Sojourner, que saiu andando por lá, e tirando foto!! Para pra pensar, que coisa foda, meu!!! Uma sonda robótica alienígena interplanetária!
Eu, por sorte, estava fresco com os livros do Sagan na mente nessa época, e tinha noção de que existiam já fotos da superfície de Marte, e que não era especificamente isso a grande novidade. Mas é claro que essas novas fotos eram muito mais doidas. E agora eu conto uma coisa bacana, que dá uma boa idéia de em que pé se encontrava nessa época o desenvolvimento da informática caseira, o outro tema de que estou falando. Eu e meu irmão, não lembro se na onda de um joguinho de SNES do Ultraman que jogamos umas vezes, pegamos uma das fotos da Sojourner (de algum site, se não ainda alguma BBS), e fizemos uma montagem com o Ultraman aparecendo ao longe! Eu imprimi em nossa moderna impressora de jato-de-tinta colorida, e levei pra escola no dia seguinte, pra zoar com os amigos. Acho que fizemos com o Aldous Photostyler, o mesmo programa que usei uma vez (talvez antes) pra fazer uma nota de "sem reais" que eu carrego na carteira até hoje. (O plano real foi adotado na metade de 1994.)
Talvez tenhamos pegado a foto no famoso site da NASA, que por muitos anos foi a única coisa que havia na Internet. Nem tinha muito conteúdo não, mas pelo menos vc podia digitar o URL e efetivamente cair em alguma página, o que era uma coisa meio difícil ainda na época. (Hoje qqr coisa que vc escreve cai pelo menos num domínio reservado, e cheio de anúncios!)
No final de 1999 eu entrei na faculdade. Finalmente comecei a parar de usar Windows nessa época, e passava muito mais tempo aprendendo a programar do que usando programas. O próprio hardware virou meu vídeo-game. (Eu ouvia muito MoAM nessa época, e RATM, ATR, Sabbath...)
Na faculdade, lá pro segundo ano, possui uma cópia do livro Sinais e Sistemas do Simon Hayking (obs: eu prefiro o do Oppenheim) que trazia, na capa, a nossa amiguinha a Sojourner. Foi bem legal ver ela lá, me fazia lembrar a promessa do meu guia do vestibular: "Engenharia elétrica é a arte de lidar com tecnologia de ponta."
Nessa época a exploração espacial finalmente voltou a "esquentar". A ISS começou a ser montada a partir de 1996 (a Mir morreu em 2001). E eu me lembro muito bem, ente 2003 e 2004, da infelicidade com a missão Beagle 2, da ESA (mais UK), que era uma sonda (não-andarilha) criada com o intuito maior de estudar a questão da vida em Marte, mas que não pousou com sucesso. Eu lembro de acompanhar isso pela Internet, ler entrevistas em sites, etc.
No comecinho de 2004, meio que "renovando" após o destino cruel da sonda monarquista, chegaram em Marte as duas novas sondas andarilhas, Spirit e Opportunity. Essas tiveram bastante cobertura pela Internet... Agora, sabe qual é um dos motivos porque eu cobrava tanto uma boa cobertura dessas missões pela Internet? Primeiro que a NASA sempre prometeu ser uma das coisas legais na Internet, e sempre me deixou um tiquinho decepcionado (hoje em dia até que me satisfaço). Mas o maior motivo é que eu fiquei mal-acostumado com a boa cobertura da copa de 2002 pela Internet! Tinha uns sites muito legais...
Pra falar a verdade, apesar de me interessar a princípio, eu acho que não acompanhei pra valer essas missões espaciais todas como eu poderia ter feito. É só hoje, lendo a Wikipédia e outros sites (e escrevendo no meu blog), que eu começo a entender bem melhor tudo o que aconteceu.
A Phoenix, em 2008, eu até que acompanhei bem. Escrevi um longo post no meu blog sobre a questão do gelo encontrado, inclusive. Com a chegada da "web 2.0", eu senti necessidade de poder ter algum tipo de "feed" sobre o que ocorria. Queria assinar o Tweeter da sonda, saber a cada minuto qual era a temperatura registrada por ela, ver os dias marcianos passando... Isso não rolou a meu contento, mas acho até que houve alguma preocupação "dos cientistas" em tentar fazer isso.
***
Mas é só agora que parei para escrever tudo isso, tirar uma foto com minha visão panorâmica, que estou entendendo que boa parte do barato nas novas missões é justamente elas estarem acontecendo nesse novo mundo de Informática avançada, com micros pra todo o lado, Internet e o escambau.
Minha geração não foi a do átomo nem a do foguete, mas o pessoal do CERN e da NASA ajudaram muito em botar em pé essas coisas todas: Internet, vídeo-game, etc. De repente o que rolou foi uma parada pra respirar, pra entender melhor o que tava acontecendo, uma espera estratégica sabendo que mais alguns anos e a computação ia conseguir entregar pra gente grandes prodígios, que seriam dignos de se esperar um pouco pra fazer uso.
Dá pra ver o desenvolvimento da computação na exploração espacial comparando as 3 missões com "rovers" da NASA.
Aliás, pausa pra falar dessa palavra... Parece que "to rove" significa algo como "um andar despretensioso", "passear, flanar"... Das sinonímias do Houaiss:
andarilhar, bangolar, bangular, bestar, borboletear, burlequear, deambular, divagar, errar, flainar, flainear, flanar, girar, passear, perambular, vadiar, vagabundar, vagabunde
E aí, já tinha pensando alguma vez que essas sondas eram "vagabundas"? :D Eu tenho tentado traduzir como andarilhas, talvez perambulantes...
Mas enfim, a primeira, a Sojourner, tinha um processadorzinho chinfrim, baseado no 8085. Esse é um processador de depois do 8080, que é revolucionário na história, mas antes do 8086 e 8088, que ficaram famosos por serem os processadores dos primeiros "PCs" da IBM. O 8085 foi eclipsado em sua época pelo maravilhoso Z80, que era usado no TK85 e no MSX, e muitos outros produtos, até hoje.
Aí você pode me perguntar de cara: mas como diabos um processador tão ruim? Não podia ser um Pentium? 386 pelo menos?? Não pode porque tem que ser um processador que consuma muito pouca energia, tem que ser adequado pra um sisteminha pequeno que vai consumir pouca energia como um todo, tem que ser bem-estabelecido, e ainda tem que atender os requisitos bizarros de poder viajar no espaço. Quando a gente procura algo assim, acaba caindo nisso: uma versão "envenenada" de um certo processador antigo. É uma pena que ninguém tivesse feito um Z80 que desse conta do recado, ia ser muito legal!... Mas vai de 8085 mesmo.
Os processadores da Spirit e Opportunity (Mars Exploration Rovers, MER) já são uma parada da IBM baseada num tal RSC, e a futura sonda andarilha Mars Science Laboratory (MSL) já usa um processador parecido com o PowerPC G3. De onde eu tirei isso tudo? Claro que foi da Wikipédia, que tem uma página só com essas comparações entre as missões.
Interessante notar a diferença de tempo entre o ano que o processador foi lançado (no mercado) e lançado (ao espaço). O 8085 é de 1977, a Pathfinder saiu 20 anos depois. O RSC é tipo de 1992, e a missão saiu quase 10 anos depois. Já o PowerPC G3 é dos idos de 1997, e a MSL deve ser lançada em 2011, dando aí uns 14 anos de diferença. Se fôssemos manter um decaimento desse tempo, seríamos obrigados a usar uma versão "robusta" de um processador de desktop de, sei lá, 2005, 2004. Mas o que a gente tem a partir daí são os processadores de 64 bits, e os de multi-core... Talvez comece a deixar de fazer sentido pra aplicação.
Mas o clock e o tamanho das memórias mudou bastante, e nisso a tendência deve se manter. A MSL vai ter uma memória flash de 2GB, enquanto a da Sojourner era umas 10 vezes menor. A memória flash, aliás, foi uma das coisas que deu um empurrão nesse projeto. Ela "invadiu" o mercado consumidor foi justamente nos idos de 1995 pra frente, quando as câmeras digitais com memória flash também se popularizaram bastante. Na outra via, de criar memórias flash pra ambientes hostis, a coisa levou mais ou menos o mesmo tempo, até permitir a criação da Sojourner.
Aliás, interessante perceber que ao mesmo tempo em que tivemos a grande popularização das câmeras fotográficas digitais, com sensores CCD no lugar do filme, e memórias flash pra guardar dados, tivemos justamente a criação da Sojourner, que não é na verdade muito mais do que uma câmera digital, com CCDs e memória flash, e mais umas rodinhas e um radinho... É talvez o Zeitgeist.
E qual é o Zeitgeist hoje? Eu te conto algumas coisas... Em meu trabalho estou me concentrando justamente em navegação de robôs por visão. Fiquei sabendo que existem testes pra implementar numa das sondas do MER um chamado "hodômetro visual", visto que o hodômetro real está ficando cada vez pior. Elas também estão fazendo testes com programas mais sofisticados pra localização e navegação autônomos. Vejam que interessante, aquela mesma máquina vai rodar bem melhor, com mais autonomia, porque as pessoas estão fazendo legítimo avanços no estudo do controle de robôs móveis por visão!...
E por falar nisso, vem agora o mais bacana. Eu abri o texto falando das Venera soviéticas. Pois faz pouco tempo apenas (2006) que um sujeito (Don Mitchell) pegou imagens da Venera 13, 14 e outras, e deu uma boa analisada, e reconstruiu umas imagens muito bacanas com base nos dados originais. (Vejam aqui neste artigo.)
Quer dizer, apesar das missões, ainda existia trabalho a ser feito. E trabalho envolvendo computação, envolvendo informática, e resolver problemas de visão computacional, algo que é tema de pesquisa _hoje_.
Ergo, esse foi mesmo o grande lugar da minha geração na história, esse foi o lugar do fim do século XX ao lado dos grandes desenvolvimentos científicos da humanidade... Computação, informática, processamento de imagens, fazer robôs mais autônomos. O resto, mandar foguete pra Marte, já tava mais ou menos dominado. Foi só "plugar o módulo" agora, pra fazer esse tanto de coisa legal que tamos fazendo.
Sim, porque... é muito legal!! Olhem a MSL. Ela tem algumas diferenças básicas com relação às outras andarilhas... É o dobro do tamanho da última (que já era mais que o dobro da outra), e pode consumir muito mais energia. Energia, aliás, que não virá mais de painéis solares, o que infelizmente tira créditos de marketing do projeto, já que os painéis solares, "verdes", certamente deixavam muitos satisfeitos, e usando essa unidade movida a plutônio vai torcer muitos narizes. Mas é claro que tecnicamente nuclear é a melhor solução.
A MSL contará ainda com uma arminha de raio laser. É sério! Um raio laser de alta potência vai ser disparado em pedras para gerar um plasminha, desintegrando ali uns poucos milímetros cúbicos do alvo. Analisando o espectro da luz emitida, dá pra descobrir os elementos constituintes. Claro que dá pra atirar em seres vivos e pessoas também, só não vai acontecer porque não tem essas coisas em Marte (ou tem?)
Este vídeo (muito bonito) no utub mostra aos 2:30 a arminha disparando... Ptiunnn!!... Poderei ver mais um sonho de infância meu se realizar: ver um verdadeiro robô de outro planeta, andando por aí atirando em coisas com seu raio laser, desintegrando-as, criando plasma radioativo!!... Melhor estarem preparados, malditos vorticons!!
2009/01/06
Tirando poeira da velha maquininha (ou: brincando com meu TK85)
Estou de férias na casa dos meus pais. Revendo aqui minhas raízes... Entre elas, revi o primeiro micro que jamais usei (acho que era o segundo que meus pais já tiveram), um TK85.
TK85 era o "genérico" brasileiro do britanico Sinclair ZX81. Uma maquininha baseada no Zilog Z80, com uma ROM com um interpretador de BASIC. Tem uma saída pra TV (P&B), entrada prum tal joystick gambiarrado, e portas de áudio pra usar um toca-fitas (K7) pra carregar e gravar "arquivos".
Antigamente as coisas eram feitas pra durar, né. Com o carregamento de arquivos é via áudio, dá pra simplesmente usar a placa de som pra substituir o toca-fitas!... Se fosse baseado em RS-232 ou porta paralela, nem tinha jeito de fazer nada. Mas com a placa de som dá pra entrar na Internet num computador "normal", converter o arquivo pra um arquivo de som, e carregar os programas no TK85.
Pra gerar o arquivo de áudio eu usei o tal p2raw que vem nesse pacote aqui: http://www.xs4all.nl/~odemar/zx81/zxtools.zip
Arrumei depois uma coleçao de joguinhos e programas por aí também, tem coisa tipo biorrítimo, e programa de adivinhar um bicho que voce pensar fazendo perguntas, essas coisas, todos "clássicos"...
Enfim, aqui tem uma foto minha jogando tetris no TK85, ligado numa TV modernosa. Esse jogo nao é "da época", foi feito recentemente pelo autor desse emulador.
É isto aí, diversao de férias da melhor espécie!... Eu vou tentar agora fazer um joystick pra mim. Outra idéia é ligar umas baterias no TK85 e deixar ele "sem fio".
2008/09/21
Rusgas informáticas contemporâneas
Respostas prolongadas e cheias de picuinhas a um e-mail provocativo do meu irmão, respondendo depois que eu falei pra alguém assim: "Se fosse Debian era só dar APT..." no meio de uma conversa.
[Eu não saberia nada a respeito de windows, e teria parado de usar em 1996]
Foi mais ou menos em 2001 que parei de usar definitivamente, quando saiu o Windows XP com aquele fundo de tela com a casinha dos Teletubbies... Mas deu tempo sim de ver os primeiros "wizards" de instalação, que deixam a tarefa de administrar o sistema mais divertida e mágica!!
Mas sério, esses programas de instalação mostram lá mil splashscreens, telinhas, perguntam onde vc quer instalar o programa, por exemplo... Porque não joga na droga do "C:\Arquivos de Programas" lá e pronto? (Preferiria "/bin", mas tudo bem.)
E ainda tem aqueles contratos risíveis de 20000 caracteres que vc tem que clicar uma caixinha dizendo que leu... Que dizer dos mil programas que dão problemas bizarros que tem que tentar "mexer no registro" pra ver se resolve? E as reinstalações pra exorcizar programas velhos? E os utilitários alternativos que vigiam o sistema pra você, pra tentar minorar o problema?...
Não é mais legal existir um comando no seu sistema em que você fala "computador, instale o vlc" e ele instala, e pronto? E que você pode confiar quando manda "computador, remova o vlc"? E quanto à miríade de opções de programas disponíveis pra wingonz, ficam em uma miríade de sites diferentes, cheio de anúncios piscantes. Tem que procurar o site certo, e dar download de dentro do browser, e rodar no Explorder, q coisa chata!! Muito mais doido existir um centro de distribuição sóbrio com gente cuidando pra ver se tudo funciona, e um aplicativo para "rule them all".
Isso (apt e cia.) é uma coisa que ninguém nem imaginava ser possível nos idos de 1996, e o mundo proprietarista só vai aderir a isso quando tiver alguma forma de "DRM" pra saber se você pode instalar o programa, e aí tudo vai ter que ser eventualmente pervertido por "piratas de dados" etc, mal posso esperar. Aliás, o biu gaytes deve tar mais interessado é em programinhas em Java que rodam de dentro do IE (e só do IE).
Com apt é possível até mesmo vc fazer um esquema que pega um programa pirata, instala, gera a chave, e já craqueia sem você precisar ver nada! Facilitaria até isso!
[a respeito do progrma Transmission pra bittorrent]
Vi uma versão mais antiga do Transmission, e parece que era mesmo bastante flowdido. Mas a versão que instalei deixa selecionar arquivos dentro do torrent, e tal, de repente ele deu uma melhorada só recentemente. Eu gosto _mesmo_ é de bittornado, com interface via ncurses, mas esse eu nem recomendo a ninguém (exceto talvez metade dos leitores do meu borg) porque as pessoas ficam horrorizadas.
[ Seria um absurdo falar que "facilidade de achar programas e instalar" é uma vantagem do Linux ]
Bom, primeiro que é inacurado falar "vantagem do Linux" já que Linux é somente um componente do sistema completo na sua máquina (ou conjuntos de máquinas integradas). Existe "uma miríade de possibilidades" sabe, inúmeros gerenciadores de janela diferentes, gerenciadores de arquivos, até gerenciadores de pacotes, e ainda diferentes repositórios de pacotes que você pode utilizar. Isso tudo permite criar inúmeras opções pra utilizar Linux, que são as distros. Eu conheço 10 distros de Linux que são melhores do que o Windows.
Os sistemas de gerenciamento de pacotes oferecem são sim um modo de vida muito mais agradável do que o inferno proporcionado aos usuários de uhimpols. Se não tem muitos programas disponíveis, não sei, mas a administração via apt é mil vezes melhor do que qualquer coisa que conheço.
As pessoas tem na cabeça que usar Linux, e especialmente Debian, é difícil pq tem que sair mexendo em coisas complexas e ignotas. O normal é só chamar o apt e pronto. Não tou nem querendo discutir se "na prática funciona mesmo" ou não. Só tou falando que no mínimo a idéia e intenção do apt é algo revolucionário e positivo.
[ falar isso seria tão absurdo quanto falar que AMD pega fogo e que MacOSX é bom porque é melhor pra trabalhar com imagem ]
É, e Photoshop tem "CMYK nativo" né? Qualquer outro programa é inútil por causa disso.
2007/03/26
Ser micreiro é...
O problema da minha vida e que eu fui criado pra ser um micreiro. Quando cheguei lá, acabou "ser micreiro." Escovar bits virou coisa de "infossauro." Ninguém mais sabe que já existiu algo como um "mini-computador" antes do micro. (Os neófitos hão até de perguntar "hein? Qq é 'micro'?" :) )
Era talvez o que existia no Brasil como correlato da cultura "hacker" ianque... Nós, como "hackers" tupiniquins, temos que resgatar um pouco da nossa própria hackice criada em nossa casa!...
Agora, eu digo pra vocês quando deixou de existir (assim, no mainstream) "micreiro." Eu estava lá. Foi no último (acho) encontro na Sucesu antes do EMUB, lá em BH. Rolava sempre uma palestra de assuntos micreiros, e depois a gente descia pro finado Pizzaiolo Savassi, local do evento propriamente dito. O tema da palestra foi o novíssimo Windows 95, que não lembro quem tinha acabado de ver lá nos estazunis, e trouxe pra cá, e veio contar pra gente as novidades dessa impressionante revolução que a Microsoft Corporation tinha preparado pra nós.
"Ser micreiro" nessa época talvez pudesse ser definido pela curiosidade em descobrir pra que diabos o programa "trumpet winsock" servia afinal de contas!... Não-micreiros só queriam saber que ele os permitia usar o Netscape (ou o Mosaic, se vc fosse metido), e entrar no site da NASA, Louvre e da Playboy (que na época não tinham conteúdo algum...)
