2008/09/30


A patética assistência técnica da HP

Meu Compaq deu pau, e mandei pra assistência da HP. Já fazem dois meses, o que significa que a máquina ficou em manutenção por 20% do tempo que eu a possuo. Eu não diria que um tempo de funcionamento efetivo de 80% é o tipo de cois que alguém gostaria de ter...

Hoje finalmente fiquei ofendido a ponto de botar uma
reclamação no Reclame Aqui. Transcrevo aqui minha prolongada análise crítica da situação, cheia de pormenores e teorias da conspiração, como só eu sei fazer...

A propósito, eu queria tentar processar a HP por roubo da minha máquina, será que algum advogado aí acha que seria posível?

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Adquiri um computador portátil (notebook) modelo Compaq v6210br no dia 4/10/2007. Alguns meses depois, a máquina começou a apresentar um problema similar ao relatado por muitos outros usuários neste site. No meu caso, o dispositivo de rede sem-fio (wi-fi) parou de ser detectado. A HP lidou com este problema generalizado neste modelo ampliando a garantia destas máquinas por mais um ano, o que eu considero uma espécie de recall meia-boca, hipócrita.

Aliás, gostaria de saber já de início se isso não poderia ser considerado uma atitude recriminável por parte da HP, reagindo de forma irresponsável à descoberta de um problema que afetou um grande conjunto de produtos produzidos por ela. Além de simplesmente ampliar a garantia ao invés de fazer de fato um recall, eles sugeriram que os usuários tentassem realizar um procedimento para contornar o problema, descrito em um site apontado por um e-mail. Tratava-se de uma atualização da BIOS, e o procedimento exigia o uso do sistema operacional Windows da empresa Microsoft, que __não foi o sistema distribuído originalmente com a máquina__. Elas vinham com Mandriva instalado.

Entreguei minha máquina no local designado no dia 30/07/2008, às 13:59. A HP diz no site deles que eles "tem de 10 a 20 dias" para devolver o produto. Não sei, aliás, o que isto significa, porque ao meu entender eles deveriam dizer é simplesmente "20 dias". Um prazo de devolução não é um intervalo de tempo com limite inferior, mas sim um ponto, um limite superior, e só. Isto é mera retórica utilizada de forma safada para iludir o consumidor. Mas enfim.

Liguei ao se passarem 20 dias, para apenas então descobrir que tratavam-se de 20 dias úteis, ou seja, aproximadamente um mês. No site fala isso de fato, então até aí não posso reclamar. Mas já me acho no direito de reclamar da forma como atendimento funciona neste período. Em primeiro lugar, o pessoal que recebe a máquina é uma empresa separada. Acredito ser a DHL disfraçada, o que sugiro que eles façam mesmo, porque tenho raiva da DHL desde uma vez que eles __perderam os presentinhhos de Natal da minha família__. Que tal isso pra tornar um consumidor seu inimigo?...

Pois bem, a atendente da DHL explora essa separação da empresa da seguinte forma: tudo que você pede e pergunta, é respondido com "nós não somos a HP, não podemos fazer nada". É um golpe da HP, criar uma forma de intermediário para infernizar a vida dos consumidores, e maquiar o serviço ruim. Você nunca entra em contato direto com a empresa, ou com quem vai fazer mesmo a manutenção...

Neste momento da entrega do produto, tenho especial nojo da questão do papelzinho que somos obrigados a assinar dizendo que autorizamos a formatação do HD. A atendente insiste que precisa ser assinado, recusando-se a receber a máquina em caso contrário. Ou seja, não existe a possibilidade de entregar a máquina para reparos sob a condição de que se o técnico julgar necessária esta atividade drástica e freqüentemente despropositada, a manutenção seja então abortada e imediatamente devolvida ao dono. É o que eu gostaria que fosse feito no meu caso. A propósito, acho um absurdo em geral pedirem para as pessoas fazerem backup dos 40GB do HD, e esta é outra prática da HP que gostaria de saber se não é irregular. Não é razoável obrigar os clientes a ter armazenado grandes volumes de dados.

Após a entrega do equipamento, neste período de 20 dias úteis o atendimento por telefone não lhe dá qualquer informação. Eles não podem nem dizer se a máquina está de fato no centro de manutenção da HP em Jundiaí. Acho isto outro absurdo. E a pessoa que atende ainda pratica o tal golpe do intermediário, ela nos diz que ela não pode contatar o tal centro. É como se pra ela isto fosse ser um crime, então temos que ser simpáticos e evitar deixá-la em problemas. Crime, acho, é basicamente __roubar__ o equipamento de uma pessoa, retendo-o, mantendo-o inacessível, e não dar qualquer tipo de satisfação, a não ser a possibilidade dessas ligações telefônicas infrutíferas.

A primeira vez que liguei foi porque acreditava que o prazo seria 20 dias normais, e não úteis. Liguei outra vez antes do prazo da HP pelo seguinte motivo: eles só começaram a contar o prazo a partir do dia 02/08/2008. Eu entreguei no dia 30/07, mas lá no infame "sistema" estava esta outra data. Outro absurdo. Liguei ainda mais uma vez quando me disseram que deveria esperar até o fim do dia útil do último dia do prazo, e só então eles teriam "permissão" de me dizer qualquer coisa.

Quando liguei após o fim do prazo prometido e, na minha opinião, já estendido, o discurso mudou um pouco. Eles reconhecem o atraso, mas apenas pedem desculpas, e dizem que vão averiguar. Me disseram que iam mandar um e-mail pra sei lá quem, e nunca soube mais informações dessa tal pessoa. (Gostaria de ter pedido cópia do e-mail...) Pediram uma semana, depois outra... É de semana em semana que eles gostam de te enrolar.

Coisa de duas semanas depois do tal prazo de 20 dias úteis, aí eles finalmente me mandaram pro tal "setor de qualidade", que é o setor que tem, este sim, autorização dos chefões mafiosos da HP a tentarem fazer alguma coisa. Foi só então que falei com alguém que (aparentemente) ligou lá na manutenção pra saber da minha máquina. Foi a primeira vez que alguém me confirmou que ela estava lá de fato. Eu não duvidaria se me dissessem que ela estava na verdade, por todo esse, tempo em algum depósito clandestino da DHL... Mas enfim.

Aliás, pra chegar no tal setor de qualidade o usuário tem que utilizar uma opção secreta do menu, deve digitar (no meu caso) 4, depois 2, e então a opção secreta: 7.

A pessoa que atende no setor de qualidade nos faz esperar, aparentemente contatando alguém em Jundiaí para perguntar da máquina. Mas as respostas são vagas, sempre nas mesmas desculpinhas, pedindo pra ligar em uma semana. E tem mais: me pediram uma vez para contatar a loja onde entreguei o equipamento e discutir a respeito do recebimento. A atendente praticamente me passou uma bronca, falando sobre a importância de que eu buscasse o equipamento assim que disponível para que este não retornasse para o centro de reparos... Suspeito que isso seja algo que eles falam pra todos clientes, para dar uma esperança a eles de que o equipamento vá chegar em breve. Porque não há sentido algum em me pedir que ligue no centro de serviços, já que tudo estava perfeitamente combinado, eu seria contactado quando o equipamento chegasse. Trata-se de uma manobra diversiva em minha opinião. Recomendo que quem ouça esse papo-furado no futuro reaja de forma negativa.

Passada mais de uma semana do primeiro contato no setor de qualidade, período em que me comunicaram que seria finalmente realizado o conserto, não obtive notícias. Liguei de novo, e desta ver ouvi uma nova desculpa: seria falta de peças para o reparo. A atendente não quis buscar saber para mim qual seria esta peça em falta, depois de (aparentemente) ter ligado lá uma primeira vez. Recomendo que quem ligue busque fazer essas perguntas mais específicas, pra descobrirmos o quão real é esse atendimento.

Eu tenho uma grande suspeita de que não só minha máquina (e eu) está sendo tratada com desprezo, como toda essa central de atendimento seja uma grande mentira, uma grande encenação de um processo de manutenção muito diferente do real. Acho que, na melhor das hipóteses, minha máquina ficou parado em algum canto escuro, e só foi encontrada após o primeiro contato do setor de qualidade, e não está aguardando peças, e sim tempo de algum estagiário boçal que vai tentar reparar minha máquina formatando o HD, e não vai conseguir.

A HP me parece ter muito telemarketing e pouco técnico, e muito chefe pra pouco funcionário. Mas trouxas pra se submeterem a este tratamento lamentável, como eu, parece ter de sobra por aí.

Estou aqui no aguardo. Da última vez que liguei, hoje, 30/09/2008, me falaram que faltam peças, e ainda que tratarão meu caso com grande urgência. Uma contradição, já que não há urgência que supere uma falta de peças. Ainda me disseram que a máquina seria estudada em dois dias, mas que devia ligar na próxima segunda, daqui a seis dias... Que aritmética é essa?

Eu gostava muito da HP, mas essa manutenção foi um show de desrespeito... Não estava esperando ficar satisfeito, mas eles definitivamente passaram dos limites do aceitável, com folga.


Baixa és tim má

Vivemos num mundo dominados pelos "homem de negócios". Pessoas que deixam o Donald Trump satisfeito, "correndo atrás" das grandes mamatas. Essas pessoas me fazem morrer de raiva todo o dia umas três vezes pelo menos, quando detecto que alguma de suas sábias decisões tornou o mundo um lugar pior de se viver, na minha modesta opinião. Ou na minha modesta existência de ser humano menos importante do que os outros, que não habitam como eu aquele lugar temível: o rabo da gaussiana.

A última decisão destas bestas odiosas foi a seguinte: na excitante parceria TIM - Asus, a empresa está vendendo aparelhos da outra já com uma porção de vantagens extras. Vem num pacotão um eee pc, um minimodem e um plano da TIM pra você usar esse computador com acesso ilimitado através da rede de celular desta.

Achei muito legal essa promoção. Em primeiro lugar porque isso vai desafiar aquela empresa suja que tomou de refém esta cidade: a vex. Outra criação malignamente maquinada pelos tais "homens de negócios", os mentores sinistros de um plano diabólico para infernizar a MINHA vida e dificultar MEU acesso (e de outros ciganos eletrônicos) a redes wi-fi nos estabelecimentos comerciais da cidade...

Em segundo lugar, porque adoro o eee pc. Estou louco pra ter um. A de 7 polegadas mesmo, velhinha, com pouca memória, que seja. Essa máquina me deixa muito mais entusiasmado do que qualquer macbook ou iphone.

...E uma das razões da minha simpatia pelo eee, (de forma alguma principal razão, já que minha avaliação primeira é do hardware) é que a ASUS lançou ele pensando em rodar Linux. Usaram Linux sem nenhum receio, sem pudores desnecessários... Simplesmente foram lá e fizeram a máquina do jeito como tem que ser, com liberdade, sem o temor bizarro que levam as pessoas a insistir em lançar a máquina com aquele selo de aprovação da Micr_soft: "designed for wind*ws".

Parem pra apreciar um pouco isso, gente... Selo de aprovação. Quantos produtos, objetos você vê no seu dia-a-dia que contém um "selo de aprovação" de uma empresa? Uma coisa é controle de qualidade da empresa, outra é fiscalização do governo, ou outras entidades, e.g. de proteção do meio-ambiente. "Selo de aprovação" que nem esse do Bibill é diferente. Só que se você vê um selo de aprovação do George Foreman numa grelha elétrica, você acha engraçado. Mas por algum motivo quando se trata de computadores e notebook, as pessoas pensam diferente, elas exigem a porcaria do selinho de aprovação do Bill Gates...

Bom, a Asus se permitiu fazer uma máquina sem pensar nisso a princípio, fazendo simplesmente uma máquina sem ter em mente já a venda casada. E a máquina era linda.

Aí começaram a comprar, e a tascar lá o wiuqomz XP por causa das inúmeras necessidades incontornáveis que elas têm em suas vidas, e que as prendem de forma irredutível a este SO... O que eu posso fazer? Ajudo as pessoas a experimentarem alternativas o quanto possível, mas se um cara optou de vez, vai lá e instale, oras, não tenho nada com isso. Aproveite que a máquina não foi "designed for Linux", e que computadores são estes dispositivos incrivelmente versáteis e flexíveis, onde se podem tentar instalar diferentes SOs.

Aí entra o homem de negócios. O homem de negócios reparou que aqui no Brasil só "pega" windows. W1nd0w5 XP. Ele sabe que todo mundo quer o eee, e quer com o tal miupoms xp. Aí faz contactos, troca cartões de visita, ligações de blackberry, transmite planilhas do celular, e tals. Aí criam o plano: vender esse produto novo, com menos empecilho o possível. Bota o sistema que "todo mundo combinou usar só esse" pra pegar a maior fatia do bolo, e deixa o resto do bolo morrer de fome, paradoxalmente.

Estou me referindo aqui a uma questão muito bem retratada por Raulzito. É o lance do sapato número 34. Eles decidem que, pra facilitar a vida deles, tem que ser tudo igual, tem que ser uma configuração só de computador pra reduzir custos de coisas como manutenção, atendimento das pessoas, distribuição, etc etc etc. (Muitas vezes defende-se isso dizendo que é uma indispensável economia de escala, e que assim ajuda a levar o serviço a mais pessoas, e se não fosse isso, ah, aí seria elitizado...)

Aí então lançam o super lindo pacote: Asus eee pc com minimodem, plano da TIM e WIND*LS XP instalado. E não existe alternativa! Vejam bem, este é que é o ponto. Não queria que fosse monopólio de Linux, mas sim que vendessem a máquina, e o plano, mas facilitassem pra que se use a máquina e o serviço com o software que o usuário desejar.

Tem uma coisa que acho engraçado é como que o Windonz aparece como intruso nessa história toda. O eee vem (vinha?) tradicionalmente com Linux, então não é de se esperar ver o XP assim fácil. Mas a TIM só anuncia como sendo uma parceria apenas "TIM ASUS" e não "TIM ASUS Maicownosoft"... Porque o terceiro parceiro não é explicitado, se a campanha toda dá uma super atenção pro fato da máquina vir com esse sistema produzido por eles, e que teria um grupo de usuários super fãs de olho nele?

(Eu digo um motivo pra isso. Eles gostam de dar a impressão que o sistema operacional é uma coisa tipo o processador ou um pente de memória RAM, um verdadeiro "componente"... Eles só se identificam juntos da Intel, mantendo a famosa dobradinha vencedora.)

***
Isso poderia ficar por aqui, só rotineira raiva da máquina só ser oferecida com Windogs, mas não. Mas eles não se contentaram dessa vez em simplesmente erradicar a idéia de um sistema diferente daquele com selo de aprovação do William Gates terceiro, que não é à toa que é o homem mais rico do mundo. Não, dessa vez eles resolveram que além de simplesmente tomar as santíssimas decisões de negócios, eles iriam FALAR MAL de Linux. Iam CACETAR. Olha o tipo das coisas escritas no site da TIM:

O netbook vem com o dobro de memória RAM dos netbooks ASUS EeePC 701 comercializados no mercado, vem com Windows XP ( versus Linux do original ) e com o mini modem incluído.


O dobro de memória RAM, pra quem não sabe, é que de outra maneira o Ruíndolls não ia rodar nem a pau. Mas a questão aqui é outra: Eu pergunto: quem escolheu, e o que exatamente estava pensando, quando colocou a palavra "versus" ali em cima? Não é uma palavra meio forte? (Nada é mais importante aqui nesse blog do que chamar a atenção a este tipo de coisa, o uso de palavrinhas específicas nesse tipo de texto publicitário mais elaborado, encharcado de retórica.)

3. Por que o valor do modelo EeePC comprado na loja da TIM é mais alto do que os vendidos nas redes de varejo, que custam em torno de R$ 1 mil?
O modelo EeePC oferecido em parceria com a TIM conta com memória de 1GB, enquanto os demais possuem apenas 512MB. Para esta oferta, o sistema operacional do equipamento é o Windows XP, que apresenta mais recursos do que o Linux implantado no outro modelo. Além disso, a oferta do EeePC adquirido nas lojas TIM inclui o minimodem USB no pacote de dados TIM Web Ilimitado, com velocidade de 1Mbps.


Sinceramente... "apresenta mais recursos"!? Que babaquice. Que coisa superficial, puramente agressiva e desprovida de substância. A que recurso se refere? Será o clipinho animado que auxilia os usuários de word a executar os wizards pra fazer coisas complicadas? Ou será a capacidade de ler os formatos de arquivos proprietários e cheios de segredinhos da Microshoft? Ah, talvez o recurso de aleatoriamente te jogar numa tela azul de GPF, igual o iPod shuffle clama deixar sua vida melhor tornando-a mais imprevisível.

Wimdons sempre vai apresentar mais recursos, porque o software proprietário é difícil de ser portado pra plataforma Linux, (talvez com o wine, mas eu não mexo com isso). Existem obstáculos tanto técnicos quanto legais. Enquanto isso programas livres e abertos podem ser portados bem mais facilmente pras plataformas proprietárias. Assim é natural que existem "mais recursos" do lado de lá das janelas.

Mas quem é que quer saber de "mais recursos", gente? Você tem que se questionar sobre isso. O que importa é ter os recursos que você precisa, oras. Eu pessoalmente preciso de emacs, gcc, octave, python, mozilla, elinks, zsnes, gimp, bitlbee, bitchx... Ah, e APT pra baixar todos esses pacotinhos!... E atualizar os tais "recursos". É uma lista que fiz pensando no que uso no dia-a-dia, diferentes pessoas farão diferentes listas.

Cada um cada um. Questione-se!... Saiba que cada um você é. Não pense em "número de recursos", quanto mais melhor, mas sim em atender o que você requer.

É que nem TV a cabo. Falar em número de canais é enganoso, na prática tem poucos canais com que você realmente importa, e que você realmente vai ver, ou vai vir a gostar. Claro, você os tem que ter à disposição pra vir a conhecer, e eventualmente mudar de opinião... Mas tem gente que já conhece bem seu gosto geral.

Bom, chega. Só informo ainda que o enviado do capeta que vem encarnado na máquina da TIM trata-se do "Sistema Operacional Wi***ws® XP Home Original", e que existem várias "funcionalidades" oferecidas pela máquina, como microfone, USB, wi-fi e "áudio de alta definição" (???). Outra funcionalidade anunciada é:

Instalação de softwares corporativos padrão W*ndo**®


Que blábláblá, "softwares corporativos". Leia-se: triunfo do tomaládácá dos homens-de-negócios.

Falam em "padrão" como se fosse POSIX. Não se compara, desculpem.

2008/09/21


Rusgas informáticas contemporâneas

Respostas prolongadas e cheias de picuinhas a um e-mail provocativo do meu irmão, respondendo depois que eu falei pra alguém assim: "Se fosse Debian era só dar APT..." no meio de uma conversa.

[Eu não saberia nada a respeito de windows, e teria parado de usar em 1996]

Foi mais ou menos em 2001 que parei de usar definitivamente, quando saiu o Windows XP com aquele fundo de tela com a casinha dos Teletubbies... Mas deu tempo sim de ver os primeiros "wizards" de instalação, que deixam a tarefa de administrar o sistema mais divertida e mágica!!

Mas sério, esses programas de instalação mostram lá mil splashscreens, telinhas, perguntam onde vc quer instalar o programa, por exemplo... Porque não joga na droga do "C:\Arquivos de Programas" lá e pronto? (Preferiria "/bin", mas tudo bem.)

E ainda tem aqueles contratos risíveis de 20000 caracteres que vc tem que clicar uma caixinha dizendo que leu... Que dizer dos mil programas que dão problemas bizarros que tem que tentar "mexer no registro" pra ver se resolve? E as reinstalações pra exorcizar programas velhos? E os utilitários alternativos que vigiam o sistema pra você, pra tentar minorar o problema?...

Não é mais legal existir um comando no seu sistema em que você fala "computador, instale o vlc" e ele instala, e pronto? E que você pode confiar quando manda "computador, remova o vlc"? E quanto à miríade de opções de programas disponíveis pra wingonz, ficam em uma miríade de sites diferentes, cheio de anúncios piscantes. Tem que procurar o site certo, e dar download de dentro do browser, e rodar no Explorder, q coisa chata!! Muito mais doido existir um centro de distribuição sóbrio com gente cuidando pra ver se tudo funciona, e um aplicativo para "rule them all".

Isso (apt e cia.) é uma coisa que ninguém nem imaginava ser possível nos idos de 1996, e o mundo proprietarista só vai aderir a isso quando tiver alguma forma de "DRM" pra saber se você pode instalar o programa, e aí tudo vai ter que ser eventualmente pervertido por "piratas de dados" etc, mal posso esperar. Aliás, o biu gaytes deve tar mais interessado é em programinhas em Java que rodam de dentro do IE (e só do IE).

Com apt é possível até mesmo vc fazer um esquema que pega um programa pirata, instala, gera a chave, e já craqueia sem você precisar ver nada! Facilitaria até isso!




[a respeito do progrma Transmission pra bittorrent]

Vi uma versão mais antiga do Transmission, e parece que era mesmo bastante flowdido. Mas a versão que instalei deixa selecionar arquivos dentro do torrent, e tal, de repente ele deu uma melhorada só recentemente. Eu gosto _mesmo_ é de bittornado, com interface via ncurses, mas esse eu nem recomendo a ninguém (exceto talvez metade dos leitores do meu borg) porque as pessoas ficam horrorizadas.

[ Seria um absurdo falar que "facilidade de achar programas e instalar" é uma vantagem do Linux ]

Bom, primeiro que é inacurado falar "vantagem do Linux" já que Linux é somente um componente do sistema completo na sua máquina (ou conjuntos de máquinas integradas). Existe "uma miríade de possibilidades" sabe, inúmeros gerenciadores de janela diferentes, gerenciadores de arquivos, até gerenciadores de pacotes, e ainda diferentes repositórios de pacotes que você pode utilizar. Isso tudo permite criar inúmeras opções pra utilizar Linux, que são as distros. Eu conheço 10 distros de Linux que são melhores do que o Windows.

Os sistemas de gerenciamento de pacotes oferecem são sim um modo de vida muito mais agradável do que o inferno proporcionado aos usuários de uhimpols. Se não tem muitos programas disponíveis, não sei, mas a administração via apt é mil vezes melhor do que qualquer coisa que conheço.

As pessoas tem na cabeça que usar Linux, e especialmente Debian, é difícil pq tem que sair mexendo em coisas complexas e ignotas. O normal é só chamar o apt e pronto. Não tou nem querendo discutir se "na prática funciona mesmo" ou não. Só tou falando que no mínimo a idéia e intenção do apt é algo revolucionário e positivo.


[ falar isso seria tão absurdo quanto falar que AMD pega fogo e que MacOSX é bom porque é melhor pra trabalhar com imagem ]

É, e Photoshop tem "CMYK nativo" né? Qualquer outro programa é inútil por causa disso.

2008/09/18


Fechando o círculo de fogo na Suíça

Muito boa a qualidade da webcam do LHC. Entrem lá antes de ler o resto, e apreciem por uns instantes, dá pra ver a cada 5 segundos mais ou menos um dos momentos em que uma rajada de neutrons de carga negativa atinge o bloco de Bórax no centro do aparelho, o que causa umas faíscas roxas.

***

Viram que legal?? Muito bom, né? Contribuição de nossa leitora misteriosa, Mme. Z!

Poisé, essa webcam todo mundo pode acessar, tá funcionando bem. Mas lembra quando rolou lá a inauguração do LHC? Eu fiz a maior propaganda, fiquei acordado até tarde... E pra nada! Foi triste. O servidor deles parece que só conseguiu transmitir o tal webcast para um número bastante reduzido de máquinas, e quem não sentou na cadeirinha na hora certa, dançou. Pelo menos eu pude acompanhar pela BBC...

A ironia de tudo é que algo que se fala muito sobre o CERN é ele ter sido o berço da "WWW", esse conjunto específico de protocolos, paradigmas e programas utilizados que formam os serviços que muitos eludem-se ao acreditar que constituem o todo e o fim último da Internet.

Eu fico triste ao constatar que o CERN deu uma aceleração Lorentziana na WWW e ajudou a espalhar a Internet por todo o lado, mas anos depois disto, num momento em que os olhos do mundo se concentraram sobre a instituição, eles promovem um evento na Internet que serviu mais foi pra mostrar como a ferramenta está aquém de nossas necessidades. (ferrmenta - Internet, e não o LHC! :) )

Não conseguiram montar um servidor de vídeo violento, nem rolou mirror, nada... A solução era o que? Multicast né, gente. É usar de fato tecnologias já pesquisadas pra resolver essas coisas, montar uma rede mais flexível, e finalmente implementar por aí o IPv6 e outras milongas mais.

Ou talvez nem isso, não tem uns sites por aí que retransmitem seu vídeo?? Porque ninguém botou o trem lá? Mesmo que tivesse tb, creio que eu teria tido dificuldades pra achar...

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Tudo bem que a pesquisa deles é outra história correndo em paralelo, e o tal nascimento da WWW que teria ocorrido lá não é algo tão deslumbrante assim. Mas dá pra ter uma impressão de que a WWW saiu do CERN nos anos 90, deu meia volta, e mordeu o calcanhar dos próprios naquele dia. Eles criaram lá esse monstrinho cheio de interfaces que me dão raiva, e que até onde eu sei não concretiza as visões de caras como Douglas Engelbart ou Ted Nelson, e demonstraram naquele dia uma fraqueza da ferramenta. Não rolou!! Sei lá as razões, não rolou, fiquei tristinho. O ciclo histórico se completou, mas não pude acompanhar pela internet enquanto o ciclo de partículas ia se fechando dentro do aparelho.

(Mas façamos justiça ao fato de que pelo menos não precisava de Fresh pra abrir o stream).

Estamos vendo a tal web 2.0 surgir, mas por baixo ela continua mais ou menos a mesma. Muita mudança plástica, nem tanta mudança estrutural. Muitas ferramentas sendo desperdiçadas, seja por interesses de monopolização, seja por pura ignorância ou preguiça.

Quem sabe o incremento de força no CERN não seja o prenúncio agora de uma nova etapa na história da Internet?... Tem muita coisa pra acontecer. Eles estão até envolvidos já com o problema de distribuir o processamento dos dados que vão coletar. Tomara que nasça desses desafios tecnológicos o que vai ser de verdade uma "nova" web.

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Não posso terminar sem antes notar outra forma como a web teria agora retornado de forma meio negativa ao CERN, fechando um ciclo numa rebelião anti-progenitora. Quem falou melhor sobre isto foi o John Ellis, que nesta palestra muito boa (e extensa) mostra aproximadamente aos 40 minutos como que a web foi/está sendo utilizada pra espalhar FUD e desinformação sobre o LHC, e até mesmo desvairadas mensagens ameaçadoras carregadas de ódio.

É outra renovação que tem que ocorrer na Internet. Um terceiro tipo de "web 2.0". Além das ferramentas fundamentais e do jeitão dos sites, o conteúdo tem muito pra ser melhorado. Os usuários precisam amadurecer. O mundo precisa amadurecer, virar 2.0. Ouçam meu apelo, pessoas 1.0. Apelo ao qual acredito que se juntariam a mim esses dignatários todos que citei anteriormente, e outras pessoas de bom-senso como os estimados leitores deste humilde blargh. O apelo é: "Vê se cresce!!"

2008/09/12


Who doesn't risk, doesn't...

Faz algum tempo que estou querendo começar um projeto para coletar pequenas palavras e expressões da língua portuguesa que são difíceis de se traduzir; em especial que sejam difíceis de traduzir para o Inglês.

Ouço muito amigos meus falando que consideram o português mais "pobre" do que o inglês, que acham o inglês muito melhor para expressas várias coisas, que é uma língua muito mais rica...

Minha teoria é que todas línguas tem suas peculiaridades exclusivas. A idéia do glingolês ser "melhor" que a nossa língua seria apenas uma impressão derivada do seguinte fato: Quase nenhum conhecedor de português faz traduções para o inglês. Primeiro porque isso é raro, em geral há interesse apenas em traduções no sentido inverso. Segundo que muitas vezes os lusófonos que precisam publicar no idioma da rainha da Inglaterra acabam é produzindo o conteúdo direto neste, ao invés de trabalhar livremente com sua linguagem materna, para então se colocar a traduzir. Se nós, bons conhecedores do bom português, nos empenhássemos mais freqüentemente em fazer este processo, descobriríamos que existe um grande número de "riquezas" de nossa língua que ficam além da expressividade do Tio Sam, e isso do mesmo jeito como às vezes fica aquém...

Hoje começamos com "arriscar"!

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Como traduzir "arriscar" para o inglês?

"Risco" não tem problema. Aliás, tem se for um risco tipo "riscado", porque um risco em um carro, por exemplo, é quase sempre "scratch", que é mais especificamente um "arranhão", e no caso de traços de lápis e caneta usamos "line" que traduzimos sempre direto pra "linha", senão "rabisco"... Mas enfim.

"Risco" de "arriscado" (e não de "A"-riscado como na famosa piada intradutível) é simplesmente "risk". Uma coisa "arriscada" é "risky", até aí tudo bem. O risco de cair da corda-bamba, é "the risk of falling from the slackwire". "Atividade arriscada" ou "de risco" é "risky activity" (que traz uma atroz aliteração e por isso o pessoal fica mais é no "risky business", ou no esquizitado "risk activity", em que a pobre palavra passou por um processo de esquizitação pra virar um adjetivo.)

Mas e quanto ao verbo "arriscar"? Em inglês existe sim o "to risk" (aliás, vamos aproveitar pra malhar esse negócio do infinitivo ter esse prefixo "to ..."). Mas o "to risk" é meio estritamente arriscar uma coisa que você vai perder. "Risk your money", "risk your arm". Em geral a gente até fala mais é "colocar seu dinheiro em risco" nesses casos. E em inglês tem "expose to risk", né?

Acontece que "arriscar" em português pode ter um sentido um pouco diferente, que é o de arriscar fazer algo. "Arriscar fazer uma curva fechada", "Arriscar uma troca na Porta dos Desesperados do Sérgio Mallandro". Às vezes, no coloquial, ainda esquizitifica-se toda a frase, e fica: "arriscar _de_ fazer uma curva...". Isso deve vir da expressão "o risco de fazer uma curva". "Arriscar de fazer uma curva" deve ser uma verbalização dela...

O "arrisca" aqui diz respeito é à ação que você vai fazer, e não à entidade colocada em risco. Existe até o poético "vou arriscar um soneto com estas palavras", por exemplo... O que está em risco é sua reputação como poeta --- ao menos de sonetos --- mas você "arriscou" foi a composição.

Acho que o mais parecido em inglês seria o "take a chance". Uma expressão bastante comum, aliás, pronunciada quase como uma palavra: "I'll teikatchens at the roulette." Mas ainda é diferente. Não dá pra traduzir direito... Quer dizer, você sempre pode arriscar de fazer uma tradução meio ousada.

2008/09/10


Se ligando no LHC

Muitos dos meus leitores vão provavelmente gostar de saber que hoje começa a fase mais "excitante" da ativação do LHC: um feixe de prótons vai circular lá, de forma contínua (mas baixa potência ainda).

O CERN montou um webcast que vai se iniciar em breve, às 4:00 aqui no Brasil, e vai durar até as 13:00. Vc pode acessar tudo em http://webcast.cern.ch/index.html

Não me digam que estou avisando em cima da hora, porque sei que meus leitores são pessoas normais, e estão agora, às 3:00, justamente procurando saber se tem algo bacana pra ver na Internet daqui a uma hora!... :D

Dá pra abrindo direto no mplayer tb:

mms://wmsuds.cern.ch/webcast

Acho que a rádio BBC 4 tb vai estar transmitindo.

O webcast vai ter palestras, vídeos pré-gravados, e entrevistas... Não sei se vai ter alguma filmagem emocionante tipo lançamento de foguete, mas vai ser uma festa...

Aproveitem e confiram também o rap do LHC! (obrigado, Rafael!)

2008/09/06


Olho de Aquiles

O principal ponto fraco do ser humano são os olhos. Não digo figurativamente assim não, tipo, que os olhos enganam, imagens são traiçoeiras, "beauty killed the beast", etc. Eu falo muito desses assuntos, mas estou falando literalmente!

Outro dia estava vendo Desaventuras em Série, e uma das coisas que a super-cuidadosa personagem da Meryl Streep fala é pra tomarem cuidado com a maçaneta de vidro, porque ela pode explodir em mil pedacinhos, e um deles pode te acertar o olho. Ontem tava vendo Sid e Nancy --- muito bom filme, aliás --- e no começo rola um esquema que tá todo mundo deitado, alguém joga algo e um dos cara reclama que poderia ter acertado o olho. Aquele monte de punk podrão cheio de piercing, fazendo skin-carving, e tal, mas mesmo assim os caras tavam ali (no filme, ao menos) neurados em ter um acidente ocular.

Tem alvo mais exemplar na chamada "luta suja" do que o olho? Dedo no olho é a epítome da luta suja. Uma tática famosa dos desesperados em combate, é pegar areia ou terra do chão, e jogar na cara do oponente. Isso aliás, eu vi noutro filme outro dia, o Wild Hogs.



Não é só que o olho é o ponto mais fraco do corpo, e de maior relação estrago / potência do golpe. (i.e., tem um efeito muito trágico (i.e. cegueira) pra uma ação relativamente simples. Qualquer desmembramento é muito mais difícil.) Além disso, é tudo muito desproporcional com relação ao resto do corpo.

Quantas situações você já ponderou pra decidir se era ou não perigoso se expor a ela, e o primeiro e muitas vezes único risco que você conseguiu encontrar para deixar de encarar o desafio foi que "tal coisa pode pegar no olho"?...

Não tem soco na costela, quebra de pescoço, bater cabeça em quina, cair de bunda, torcer o pé, chute no saco e quebrar o nariz que se compare a uma estocada no olho.

Não fosse nossa fragilidade ocular, as pessoas teriam mais dificuldade em racionalizar o medo instintivo que muitas vezes lhes impede de tentar enfrentar situações adversas. Porque o medo de machucar os olhos é a primeira e geralmente única coisa que conseguimos levantar para justificar nossos temores. O mundo poderia ser muito diferente!

2008/09/02


Cromo gúglico

Entrei no site do google chrome, já prevendo a inexistência de uma versão pra Linux, e bolando o e-mail desaforado que ia escrever pra eles, que seria basicamente:

There is no Linux Version??

I hate you!

Fuck off and die.


Quando entrei, entretanto, notei uma preocupação com isso. Um detalhe imbecil que pode passar desapercebido a muitos... Na primeira página tem falando: "Google Chrome (BETA) para W*n*o*s". (palavrão obscurecido por mim) Ora, se está especificando, ao invés de simplesmente escreito "baixe aqui..." como se não existissem alternativas àquele canhesto sistema operacional, então é porque alguém está se preocupando com outras versões, muito provavelmente uma pra Linux.

Sondando mais a página, me chamou a atenção um botãozão azul, "saiba mais", e escrito um texto que nem li: "sobre o desenvolvimento em software livre (em inglês)." Cliquei e caí numa página assim:

Google Chrome para Linux

O Google Chrome para Linux está em desenvolvimento e uma equipe de engenheiros está se esforçando ao máximo para fornecê-lo a você o mais rápido possível.

Insira o seu endereço de e-mail abaixo para que possamos informar você sobre o lançamento do produto.


Eu pergunto: Tá todo mundo caindo nessa página, ou eles tão me transportando lá porque tem um banco de dados mágico que sabe que eu uso Linux?... Ou talvez simplesmente leram os dados que meu browser manda?... Será que algum leitor de nosso blog usuário do sistema operacional alternativo (se há algum que seja) poderia testar pra nós, se eles tão caindo lá tb?

EDIT: Nosso estimado leitor K-Max confirmou nossas suspeitas, e nós reconfirmamos. Eles realmente lêem o user-agent, e oferecem pros usuários de Linux essa página pedindo desculpas aí.

Achei bizarro substituírem o link de download... Quer dizer que eles não querem que tentemos rodar o chrome dentro do wine, por exemplo? :) (A propósito, que user-agent o pessoal usa no Explorer dentro do wine? %) )

Pra quem quiser experimentar por si mesmo, existe um add-on do firefox que te permite alterar seu user-agent facilmente.

E pra quem nem sabe do que se trata... É uma string que seu browser, um espião delator sujo, envia pros servidores de http tagarelando qual é o seu browser e seu sistema operacional e a cor da sua calcinha. Páginas podres que dependem da plataforma do usuário muitas vezes usam essa informação pra modificar o conteúdo, freqüentemente apenas barrando quem não seja usuário de IE ou de Netscape, e de w1mgows. Aí é so vc pegar tipo esse add-on aí, botar lá a string dum desses browsers alternativos, e mandar brasa.

Alterar o user-agent é freqüentemente necessário quando vc quer usar o wget pra leechar páginas. É uma forma de tentar filtrar sanguessugas digitais, verificar se é um browser ou se é o wget... Aí vc bota lá a string mandando dizer que vc usa um browser recomendado pelo Bihl Gades, e o servidor responde "aaah bom, então tá, pode passar! Pegue todos estes arquivos jpeg de alta resolução sem grilo!"

2008/09/01


Morte digital

Eu ainda vou morrer de ataque cardíaco por causa do enorme stress que sofro com cada progrmainha mal-feito que sou obrigado a usar na minha vida.

Acabei de entrar aqui no site da TIM. É impossível entrar no site direto usando mozilla. Estou usando um mozilla bonitinho, com flahs oficial isntalado, mas não sei porque cargas d'água, o site simplesment enão entra. Pior, fica mostranod um desenho ridículo com robozinhos imbecis, e com um quadrado branco enorme tampando a figura, em cima de uma região qu eprovavelmente deveria conter um painel.

Usualmente eu supero isso usando um link secreto que eu tinha anotado, mas está n aminha outra máquina que está na oficina.

Hoje descobri que se eu selecionar "Pernambuco" ao invés de "São Paulo", ele acaba entrando!! O que me dizem disso? Coisa de hacker. Estou pensanod em me mudar pra Pernambuco, porque os sites de Internet feitos pra lá funcionam, ao contrário dos de sampa.

No final das contas não adiantou nada entra rno site da TIM, como sempre, porque tudo que eu requisito simplesmente não funciona. Eles enviam "números de protocolo" pro meu celular automaticametne super bem-feito e sem problema, mas o que eu preciso saber, não dá pra requisitar na Internet.

Acabei, como sempre, recorrendo ao telefone, e tenho que dar o braço a torcer: pedi que enviassem os números das cotnas a mim por sms, e deu certo!... Milagre. Mas antes disso passei alguns minutos torturantes em que a tendendo alterou erroneamente o endereço de uma linha que não me pertence mais.

Mas verdade seja dita, desde que a TIM mudou o atendimento da Bahia pro Rio de Janeiro, ficou MUITO melhor. Lamento informar o pesadelo da realidade aos leitores bahianos, tenho certeza que se fossem eles (meus leitores) trabalhando lá o atendimento estaria ótimo. Mais ainda, estaria todo automatizado, sem necessidade de intervenções humanas e sem números de protocolo.

Enfim. Fui então entrar no site do meu banco. E pra isso eu digitei o endereço na barrinha de endereço do Mozilla... E meu deus, como essa barrinha me tira do sério. Que porcaria. Ela tem uma funcionalidade que admiro muito: conforme vc vai digitando, ela tenta encontrar sites que batem no histórico, e vai listando numa combo box em baixo. É ótimo, vc digita alguns caracteres, e já aprece a página que você quer, vc só dá "pra baixo" e enter. É quase que nem um tab completion.

Só que não funciona sempre. Só às vezes. Por algum ominoso motivo ignoto, às vezes eu vou digitando "gmail..." e não aparece nada. Às vezes aparece. Isso vai modulando meu humor ao longo do dia. Se aparece fico feliz, se nõ aparece fico puto, fica aopertando a setinha, depois apertando mdu mouse pra lá e pra cá sem descobrir o que diabos fazer pra funcionar sempre que eu quiser.

Porcaria de programa. Esse tipo de comportamento imprevisível é indesculpável. Ess e'o maior mal das interfaces gráficas... São enormes esfinges caóticas, que não sabem elas mesmas as respostas para seus enigmas.

Aí beleza, entro no site, peço uma lanc elá, que tme que imprimir, e o mozilla diligentemente bloqueia o pop-up, e apareec aquela barrinha em cima "apareec lentamente faszendo scrollll minhocoso nojento travando, ficando transparente, etc. Não entendo como alguém ache isso agradável. mas enfim) aí aparece a tal barrinha amarela, que antigamente vc apertava na prórpia barirnha, e já abri ao menu. Hoje nõa mais, hoje,t em que apertar o botão na direitoa. Oh well.

Aí você aperta o botão e tem as opções "inserir o site tal na lista / editar lista / bloquear esse site". OK, legal. aí eu permito, e o que acontece?... O firefox NÃO ABRE o popup que er apra abrir. Você tme que ir de novo na porcaria do site, e apretar todos botõeszinhos coloridos de novo até finalmente mandar abrir de novo o popup, e pronto...

Isso não é problema se vc puder simplesmente dar reload, ou se pode ir pra trás e pra frente. Mas em site de banco, que é cheio das pseudo-seguranças picaretas, é tudo difícil de navegar. Qualquer coisinha ele cancela as operações, etc. Então tudo se perde, e eventualmente você tem que LOGAR DE NOVO na sua conta, o que envolve coisas chatas como usar auquele ridículos "teclados java" como o do Banco do Brasil.

Tudo porque a porcaria do mozilla não pode abrir o tal popup que el bloqueou, e que sabe perfeitamente qual é o endereço. Deve tar enfiado no cache dele em algum lugar, mas o puto não abre!!!...

Sei lá se tem algum ícone escondido em algum lugar que ativa isso. Eu quero que aquela opção ali do menu já abra o que ele bloqueo, pô!!!... Que coisa estúpida. É um verdadeiro no-brainer.

Enquanto isso eles ficam preocupados em escolher a melhor corzinha de amarelo piu-piu pra colcoar nesse scrollzinho, ficam decidindo amelhor velocidade com que ele tem que "abaixar" lá do topo da página, tem que resolver o problema de que todo co conteúdo da janela tem que abaixar também...

É ridículo, é muitos homem-hora gastos com estupidez, com coisa que não tem a menor importância. Contando o homem-hora que gasto todo dia passando raiva com todo esse tipo de besteirinha.

Aí entro no blogger pra falar mal de tudo e todos, e tenho sempre que logar d enovo, porque nõa sei porque cargas d'água ele simplesmente é incapaz de manter minha sessão aberta depois que fecho a janela.

É dureza.


Cruzando a janela

Hoje fiz um negócio legal que meus melhores leitores vão saber apreciar!

No meu último trabalho de uma disciplina aqui na Poli (que vou botar no meu site mais cedo ou mais tarde), tínhamos que fazer um par de programas pra rodar no console mesmo (algo que qualquer um tem que concordar comigo que é absolutamente alien no mundo wirdnws desde o XP, senão o 95). Um programa apenas abre um vídeo de entrada e insere uma marca d'água. O outro detecta ela no vídeo gerado.

Fiz tudo usando a FFmpeg. Terminei os programas, funcionou tudo legal. Mas tinha um probleminha: meu professor parece que não usa muito Linux, e queria códigos fonte de quem usou outros esquemas pra programar...

Como o FFmpeg é uma biblioteca pequena, relativamente independente de outra coisas (bem como o programa que eu fiz) então tinha boa chance de que eu conseguisse compilar tudo no widlows sem mudar o código... Mas eu fiz até melhor (agora vem a coisa legal). Resolvi tentar fazer uma compilação cruzada! Gerar o binário pra ele usar na plataforma estranha que ele usa, mas sem eu precisar instalar aquele sistema operacional bizarro nas minhas máquinas: compilar pro uíndious direto do meu Linux!...

Como fazer? Não tem mistério, é só pegar o Mingw32, o que no Debian é apenas questão de dar um apt-get. Aí pega o código fonte do ffmpeg (lá no SVN...), e dá o configure certo, algo como

./configure --disable-ffplay --disable-ffserver --enable-gpl --enable-cross-compile --enable-memalign-hack --target-os=windows --prefix=/usr/local/ffmpeg-mingw32 --cross-prefix=i586-mingw32msvc-


Na hora que vc der o make, ele deve chamar o mingw32 lá pra tudo, e pronto, vc vai instalar as bibliotecas do ffmpeg na versão da plataforma alien num diretório lá num /usr/local da vida. Aí é só compilar o seu programa com o mingw32 tb, e dar os -I e -L certos da vida. No meu caso tive uma dificuldade só lá, deu uns erros assim quando fui compilar:

/usr/local/ffmpeg-mingw32/lib//libavformat.a(rtsp.o): In function `udp_read_packet':
/home/nwerneck/src/ffmpeg/ffmpeg/libavformat/rtsp.c:1251: undefined reference to `_select@20'
/home/nwerneck/src/ffmpeg/ffmpeg/libavformat/rtsp.c:1256: undefined reference to `___WSAFDIsSet@8'
(...)


Mas era só mandar linkar tb uma tal -lw2_32. E aí pronto, gerei as versões binárias pro meu professor rodar meu trabalho na arquitetura estranha que ele usa!... Ah, mas não acabou ainda gente. Tem um detalhe muuuito importante que não pode esquecer. Nesse sistema operacional bizarro existe uma coisa que não pode ser omitida. Algo que é até intuitivo, como tudo que a micoshoft faz, não sei como esqueci de fazer isso.

Seu programa executável nesse tal sistema PRECISA ser um arquivo que o nome termine com a string ".exe". Por exemplo, meu programa chamava "insere", aí tem que mudar o nome pra "insere.exe", por exemplo. Se você não fizer isso o programa SIMPLESMENTE NÃO FUNCIONA. O sistema vai dizer que ele "não soube detectar o formato do programa" uma mensagem de erro super trágica assim.

É só isso, se vc se lembrar de mudar o nome, deve dar tudo certo. Sugere-se tb que o nome não tenha mais de 14 caracteres, contando com a extensão, ou seja, 8 de nome + '.' + 3 de extensão. Não sei porque isso... Vai saber o que esse povo inventa nesses sistema propriatas.

Ah, eu compilei o programa com ligação estática tb, pra ter certeza de que tudo ia funcionar... Isso parece tb que é algo bem comum pra quem trabalha nesse outro sistema aí, então não foi feio.


***
DIGRESSÃO:
A propósito, aprendi algo sobre a FFmpeg muito legal, é a primeira biblioteca que eu vejo que simplesmente abandonou a idéia de fazer "releases", eles mandam você pegar direto o SVN e pronto.

FFmpeg has always been a very experimental and developer-driven project. It is a key component in many multimedia projects and has new features added constantly. New, official "releases" are few and far between. In short, if you want to work with FFmpeg, you are advised to go along with SVN development rather than relying on formal releases. SVN snapshots work really well 99% of the time so people are not afraid to use them.


Traduzindo pra ser legal:
FFmpeg sempre foi um projeto muito experimental, e conduzido pelos desenvolvedores. Ela é um componente chave em muitos projetos de multimídia e tem novidades adicionadas contantemente. Lançamentos oficiais novos são poucos e distantes um do outro. Resumindo, se você quiser trabalhar com a FFmpeg, é aconselhável que você siga o desenvolvimento no SVN ao invés de contar com lançamentos formais. Snapshots do SVN funcionam muito bem 99% do tempo, então as pessoa snão tem medo de utilizá-los.


Isso é muito bacana, por faz algum tempo que o desenvolvimento de software livre vinha desafiando essa visão do mundo dos propriatas (praticante da propriataria de software) de que software é desenvolvido num beco escuro na Zona Fantasma por engenheiros ignotos Lovecraftianos, e empacotados quando eles ficam "prontos".


(Engenheiros na zona fantasma)

Ora, os melhores softwares nunca ficam prontos... Eles estão em constante desenvolvimento e novas características vão sendo incorporadas aos poucos. Essa é a realidade da coisa. Encarar tudo como uma escultura, ou construção de uma casa, é um absurdo. (Aliás, quem já fez uma escultura ou saca, sabe que elas nunca ficam realmente prontas tb... É tudo igual, a diferença é que é tão fácil reformar um programa de computador, que fica mais fácil sucumbir à tentação de dar mais e mais umas mexidinhas...)

Os propriatas de software precisam fazer isso pra ganhar dinheiro, e pra fazer marketing, pra vender aquela ilusão do "software garantido", "com a qualidaaaade do fulano". No mundo livre isso não existe. O que existe é a percepção da realidade que software seguro, é o software velho. Ou você escolhe usar um velho que é comprovado mas menos estribado, ou você vive no avant garde, mas se arriscando a tomar uma cacetada de vez em quando. É por isso que vários projetos criam a idéia do "pacote estável" e o "pacote em testes", e ainda a "distribuição de desenvolviemnto", que é o código no SVN do servidor central onde se gerencia o projeto... No Debian isso é bem claro, existem as diferentes fontes de pacotes em que você pode tentar manter o seu sistema (eventulamente você sempre resolve que precisa de um certo pacote do unstable, ou precisa votlar pra uma certa versão antiga de algum outro pacote...)

O FFmpeg aí jogou no lixo isso tudo. É pegar do svn e pronto!... Você consegue imaginar algo parecido sendo feito por propriatas?? Algo como cobrar uma mensalidade pra você acessar lá a versão SVN do Altokod, ou do C0rreu dal? Duvido que rolasse.

O que os propriatas fazem é manter a versão de desenvolvimento deles em segredo, bem escondida na Zona Fantasma (wikipédia se vc ainda não sabe do que se trata). Aí dá essa ilusão de que "não interessa" aos usuários mundanos. No mundo livre todas versões de tudo tão sempre à disposição. Aí o que acontece? As pessoas vivem angustiadas por se depararem com o comprometimento entre o novo e o seguro... Aí eu pergunto, você realmente prefere viver na alienação?... Ignorance is bliss??...