ATUALIZAÇÃO (2008/06/23):
Graças à Wikipédia, fiquei conhecendo um site que tem informações detalhadas de propriedades termofísicas de diversos materiais, hospedado por um tal CHERICH, valeu pessoal!!
Agora podemos dar uma boa olhada no que acontece com o CO2 e com a Água no verão marciano, e na Terra. Vejam só o belo gráfico que fiz no gnuplot.
Na Terra, a pressão atmosférica teria que ser umas mil vezes maior, ou a temperatura quase 100 graus mais baixa pra gente ter gelo seco naturalmente. Já a água aparece tanto sólida quanto líquida, chegando a gasosa quando as condições permitem.
Num típico dia de verão no norte de Marte temos temperaturas de -80 a -32 graus Celcius, e uma pressão de 8milibars, segundo nos disseram os diligentes Canadenses. Nessas condições o CO2 também é gasoso, e a água é sólida. A esta pressão, precisamos de uns 40 graus para que ocorra evaporação da água (talvez passando rapidamente pelo estado líquido). Restam algumas contas pra saber se a radiação solar poderia realmente causar isso. Quanto ao CO2, seria necessário atingirmos menos de 160K, ou -113C (33 graus abaixo do mínimo registrado) para que o CO2 se congelasse a esta pressão. Estas temperaturas talvez ocorram no inverno, mas não é o que se está registrando agora no verão. A radiação solar ainda deve dificultar mais ainda a formação desse gelo-seco, do mesmo jeito que causou a sublimação das pedrinhas de gelo-molhado trazidas à superfície.
É isso. Agora finalmente fiquei satisfeito. Os chatos que falaram antes que haveriam dúvidas sobre qualquer gelo encontrado, se seria ou não água, podem ir pro espaço, porque no verão é evidentemente muito difícil ter gelo de CO2. A dúvida que existe é sobre o que acontece ao longo do ano, e não sobre o que a Fênix encontraria. E os outros chatos que vieram depois achando graça de quem acreditou na imprensa e estava com dúvidas, mas sem mostrar os dados precisos, podem finalmente aprender o valor correto vendo meu gráfico lindo ali. E você viu pela primeira vez aqui no Philogroky, tá!...
(OBS1: Estou me referindo aos chatos no Slashdot que divulgaram uma temperatura errada para a fusão do CO2 a 800Pa. Eles deram -107F ao invés de -171F, sendo que o mínimo de -80 é justamente -112, abaixo desses supostos -109F. Não bastasse esse erro absurdo, ainda usaram essa unidade de medida obsoleta. Tem ainda os chatos que me responderam malcriadamente no digg sem apontar referências para os valores relevantes... Sair repetindo o que o press release da NASA anunciou não é ciência.)
(OBS2: Note no gráfico que no caso da Terra eu plotei mais ou menos as temperaturas que encontramos na superfície toda e ao longo do ano. Já em Marte estamos falando de uma variação um único dia de verão!)
POST INICIAL:
Está sendo noticiado pra todo lado a descoberta de "gelo" em Marte, pela sonda Fênix. Estou estupefato com a superficialidade das notícias, e com o desperdício da chance de usar a descoberta pra propor exercícios de física básica.
Faz poucas semanas, logo quando a sonda chegou, ouviu-se falar muito que era sabido que Marte possui tanto grandes quantidades de CO2 quanto de H2O (água :P) na atmosfera. A grande pergunta que se iria responder era a exata proporção entre as duas substâncias no gelo que se forma nos pólos do planeta.
Já se sabe algo a respeito da formação de gelo nos pólos de Marte. Sabemos inclusive algumas coisas interessantes. Por exemplo: a atmosfera lá é tão escassa que o congelamento de gases nos pólos ao longo do ano chega a fazer a pressão atingir um terço do valor médio.
Mas existem muitos detalhes que ainda precisam ser estudados, e a sonda está lá pra isso. Só que as únicas notícias que as pessoas querem ouvir é sobre a existência de vida me Marte, principalmente por causa de implicações da descoberta nas religiões estadunidenses.
A pior confusão que surge é quando se fala em "gelo" sem deixar claro se é "gelo" de água ou "gelo" de CO2 (ou do que for). Ora bolas, "gelo" é apenas uma certa substância em estado sólido. A questão toda é que queremos ignorar as grandes quantidades de gelo-seco (de CO2) que se formam no pólo norte durante o inverno, e estudar o gelo de água... Que aliás, também pode ser "seco" naquelas condições ali. Aí a imprensa não quer "complicar", não quer "confundir" os pobres leitores que tem medinho de ler qualquer coisa que não seja uma bobagem desinformativa, e por exemplo ficam falando "gelo" usando o chamado common-sense dos leitores que deverão "saber do que estão falando", e inferir que deve se tratar de gelo de água.
Mas não aqui no Philogroky! Não senhor, aqui você vão ler a notícia inteira.
O que rolou foi que os operadores da Fênix fizeram uma escavação, e no fundinho do buraco que fizeram sobraram umas pedrinhas branquinhas brilhantes. Podia ser água no estado sólido, podia ser CO2 no estado sólido, podia ser quartzo, podia ser sal grosso que sobrou de algum churrasco marciano.
Só que quatro dias-marcianos depois, uma outra olhadela no buraco revelou que as tais pedrinhas haviam sumido!
Essa foto do "antes e depois" você encontra no APOD, ou no site da NASA. Eu fiz minha própria ampliação e deturpação de cores pra tentar deixar na escala natural, e ressaltar a "gelosidade" das pedrinhas
Mas aí então entra o problema... Como podemos saber se é gelo de água?
Quartzo, diamante ou sal de cozinha é difícil que seja, porque certamente seriam sólidos naquelas condições de temperatura e pressão. Pressão, aliás, é o mais importante ali: a atmosfera de Marte é coisa de 700Pa a 900Pa, enquanto a da Terra é bem maior, aproximadamente 101kPa. Então eliminando a hipótese bizarra de que alguma sorrateira ave marciana as tenha roubado, só pode ser que fosse alguma substância que se encontrava no estado sólido, e passou para o gasoso.
É preciso então sabermos a temperatura e pressão que faziam lá naqueles dias, e olhar alguma tabelinha com os pontos tríplices de diversos elementos para termos idéia do que poderia ser. Estas temperatura e pressão estão sendo informadas pelo pessoal do Canadá que projetou a estaçãoznha meteorológica que integra a sonda. Fiquei sabendo através dum FAQ da wired que tem lá na discussão no digg a respeito da foto do APOD... Legal saber; eu bem falei outro dia sobre como eu gostaria justamente de poder acompanhar esses dados!!... :) (Eu deixei um parzinho de comentários lá no digg.)
Os dados do período de interesse são:
Um bar são 100kPa, muito aproximadamente a própria pressão atmosférica terrestre. 8 milibars são portanto 800Pa, e -80C e -32C correspondem a 193K e 241K.
O ideal seria podermos olhar exatamente a curva dos pontos de mudança de estado de cada substância, mas dá pra ter uma idéia só pelo ponto tríplice... O ponto tríplice do gás carbônico / dióxido de carbono / CO2, é em 216K, 517kPa. Quer dizer que a temperatura estava bem na faixa de transição entre os estados sólido e gasoso, mas a pressão lá é bem baixa, muito abaixo desses 517kPa. Eu chutaria que a temperatura para a solidificação do CO2 nessa temperatura está bem acima dos 800Pa marcianos.
Já no caso da água, o ponto fica em 273K e 610Pa. Este valor baixo para a pressão explica a abundância de água líquida na Terra. No caso de Marte, temos uma pressão (800Pa) logo acima do necessário para a existência do estado líquido durante a transição. Se chutarmos uma relação linear, a temperatura de transição aos 800Pa deveria ser uns (273K/610Pa)*800Pa=358K. Quer dizer que estava frio o suficiente lá pra água estar sólida. O mesmo modelo chutado dá pro CO2 a temperatura de transição em (216K/517kPa)*800Pa=0.3K, bem baixinha.
(Claro que esse chute linear é pra lá de ruim. A temperatura de transição da água aos 100kPa é, como todos sabem bem, apenas uns 373K, e não (273K/610Pa)*100kPa=45kK. Mas acho que os valores reais não vai ser muito diferentes.)
Chegamos então à conclusão que nestas condições, é bem rasoável acreditar que não haja nenhum resquício de CO2 no estado sólido, mas que seria bem rasoável encontrar água neste estado. Deve ser então água mesmo. E toda aquela discussão de ter que diferencias CO2 de água não fa zo menor sentido, porque é pra lá de difícil achar CO2 sólido naquelas condições ali. Acredito até que fazia parte do plano, tanto que mandaram a sonda pra chegar lá justamente no verão, pra não ter CO2 congelado. Porque não ouvi falar isso, porque fizeram todo aquele suspense inicial?...
Uma consideração final que devemos fazer é sobre o derretimento. A temperatura máxima lá foi 241K (-32C), bem abaixo dos 358K (85C) que chutamos. Imagino entretanto que a radiação solar ali em cima seja bem mais intensa do que a que estamos acostumados aqui na Terra, justamente por causa da atmosfera fraquinha de Marte. Talvez a radiação direta tenha sido capaz de elevar a temperatura das pedrinhas o suficiente, mesmo com a atmosfera estando fria o bastante.
O resumo então é o seguinte: em pleno verão, é bastante difícil achar CO2 congelado no pólo norte de Marte. Já no caso da água é mais fácil, o que é indicado pela pressão do ponto tríplice dela, que é bem mais baixa (610Pa vs 517000Pa). A temperatura lá está baixa o suficiente para congelar a água, mas não o CO2. Só que a radiação solar é tão intensa, devido à atmosfera frquienha e ainda ao verão, que deve estar sendo capaz de derreter pedirnhas de gelo expostas diretamente a ela.
Se eu animar, tento estudar como seria essa relação entre o gelo, o chão, a atmosfera e a radiação, pra entendermos melhor a possibilidade de haver gelo no solo, mas dele evaporar na superfície... Não podemos dizer que seja algo comum na Terra.
2008/06/21
Sublimes seixos insólitos
2008/05/09
Sobre ciência e capitalismo
Reprodução de um comentário / carta que fiz em resposta a um post-em-um-blog / entrevista-numa-revista. (apriveitando pra conçertar uns erinhos de portuguéz!)
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Prezado Professor Schwartzman
Gostaria de somar minha humilde voz discente à do professor Shellar. O comentário sobre a física de partículas foi infeliz. Um ponto geral deveria permanecer assim: geral. Especificar uma área de estudos qualquer, tachando seus praticantes de fracassados inúteis, seria de mau gosto mesmo se fosse verdade -- o que está longe de ser.
Existem diversos problemas nesta afirmação. Primeiro, é um absurdo resumir a pesquisa em física de partículas à realização de seus experimentos, alguns deles notoriamente custosos. Existe muito trabalho teórico que precisa ser feito para complementá-los, o que inclui tanto análise de resultados quanto a própria concepção de novos experimentos. Algo similar ocorre, por exemplo, na astronomia, que por vez ou outra também recebe semelhantes críticas injustas. Me espanta o senhor não ter inclusive criticado também esta área, ou mesmo criticado diretamente o estudo de matemática pura.
Como engenheiro eletricista especializado em computação, garanto ao senhor que os trabalhos realizados na área de física de partículas, e outras, estimulam sim o desenvolvimento da própria computação, como foi com a citada criação da WWW. Também podemos mencionar atualmente o projeto de computação distribuída sendo desenvolvido para atender ao LHC. Este e outros projetos por vezes bem menores podem e são freqüentemente aproveitados em outras áreas. E como disse o professor Shellar, esta sinergia não ocorre apenas com a computação.
Este desconhecimento da profundidade e extensão dos estudos tanto em física de partículas quanto em outras áreas deve ser fortemente combatido. Vimos recentemente uma lamentável campanha de difamação do programa espacial brasileiro, por exemplo. Me pergunto até que ponto todas estas críticas pseudo-científicas são apenas levemente influenciadas, se correlacionando com interesses políticos antagônicos, ou se são decorrências diretas, causadas não só com altíssimo índice de correlação linear mas dependência funcional completa e determinística.
Questiono veementemente todo esse desejo em transformar as universidades em produtores de patentes e em consultores de indústrias. Isto não quer dizer que prego algo diametralmente oposto, apoio sim que hajam interações, acoplamentos, correlações e causações mútuas. Mas é errado ter na produção industrial, ou mesmo nesta chamada "produção intelectual" -- lamentável invenção do mundo moderno, transformando o conhecimento em commodity -- um fim prioritário da atividade científica. Descobertas científicas não são sacos de farinha.
O mundo das patentes é recheado de pesquisas fúteis. Numerosas são as patentes que não trazem nada de novo. Isto inclui famosamente a indústria farmacêutica. Esta, aliás, merece nossa atenção aqui primeiro porque é muito comum ver um cientista, quando questionado sobre sua atividade, acabar precisando recorrer à criação de remédios para se justificar a contento. Saúde e longevidade são uma espécie de remédio infalível para justificar qualquer coisa. Se contribui para medicina, então algo é visto como bom, se não contribui, dispensável. Isto é lamentável...
A multi-bilionária indústria farmacêutica raramente produz novos conhecimentos científicos relevantes. A interação da indústria com o meio acadêmico também freqüentemente provoca desastres, como pesquisas fraudulentas e desperdício de recursos, sempre devido ao sentimento do "tudo pela patente". Mais do que isto, patentes são um instrumento extremamente mal-utilizado. Elas devem servir é para proteger o inventor, e permitir que este negocie com as indústrias, mas são utilizadas como instrumento para a apropriação de conhecimentos que poderiam perfeitamente, e deveriam ser tornados públicos. São vários os casos de tecnologias inovadoras que caem vítimas de patentes que as engessam, numa ominosa forma de especulação intelectual.
O verdadeiro espírito científico inclui o desejo em divulgar descobertas da forma mais ampla e rápida o possível. Era o espírito de Santos Dumont, que compartilhava suas descobertas, oposto ao dos controversos estadunidenses Wright que faziam pesquisas secretamente com intuito de "vender" (como se fosse algum tipo de mercadoria produzida como ouro, aço ou soja) conhecimentos aos militares para que estes os convertessem em instrumentos do imperialismo e opressão. Esta é a epítome da contraposição entre o que geralmente ocorre na ciência nossa, e na dos EUA, que ainda hoje se preocupa excessivamente em ajudar às forças armadas daquele país, e a "se dar bem" em geral. Isto se vê até mesmo na usualmente "liberal" Berkeley, que recentemente tem me surpreendido muito ao começar a colecionar decepções minhas -- não que isto tenha relevância ao universo. A correlação deste com minhas opiniões não é "estatisticamente significativa".
Termino citando um famoso parágrafo de Henri Poincaré de que gosto muito, do livro O Valor da Ciência:
La recherche de la vérité doit être le but de notre activité; c'est la seule fin qui soit digne d'elle. Sans doute nous devons d'abord nous efforcer de soulager les souffrances humaines, mais pourquoi? Ne pas souffrir, c'est un idéal négatif et qui serait plus sûrement atteint par l'anéantissement du monde. Si nous voulons de plus en plus affranchir l'homme des soucis matériels, c'est pour qu'il puisse employer sa liberté reconquise à l'étude et à la contemplation de la vérité.
A busca da verdade deve ser o objetivo de nossa atividade; é o único fim digno dela. Não há dúvida de que devemos nos esforçar por aliviar os sofrimentos humanos, mas por quê? Não sofrer é um ideal negativo que seria atingido mais seguramente com o aniquilamento do mundo. Se cada vez mais queremos libertar o homem das preocupações materiais, é para que ele possa empregar no estudo e na contemplação da verdade sua liberdade reconquistada.
Me perdoe se soei agressivo em algum ponto. Careci de tempo para apurar a qualidade desta carta. Pretendo apenas estimular um debate construtivo a respeito destas questões que muito me concernem... O que mais me preocupa é que nesta crise que se está detectando no ensino de disciplinas técnicas no Brasil, tenhamos que passar por esta dificuldade em justificá-las, quando ainda por cima já é tão difícil justificar por exemplo um bom número de disciplinas das ciências humanas, como a história, filosofia e literatura que tanto estimo.
2008/05/06
O SESC é que é anti-eu
Dizem que o SESC está correndo o risco do governo federal "fechar a torneirinha", meter a mão no dinheiro deles. É algo deveras absurdom considerando que o SESC é muito bom, seja lá qual for o destino pra onde o governo que remanejar o tutu. Mas me incomodou profundamente, melhor, me deixou ofendido e ultrajado as afirmações do presidente do SESC no final de sua carta aberta:
Esse patrimônio não pode ser sacrificado no altar de prioridades transitórias, em nome das quais se engendra um prejuízo incalculável ao país.
Tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista.
Certo de que compreenderão a gravidade dessa perspectiva, escrevo a vocês, formadores de opinião, representantes de classes, artistas, pensadores, amigos e parceiros do SESC para que se manifestem, pelos meios ao seu alcance, em prol da continuidade de nosso trabalho. Um projeto que, afinal, construímos juntos.
Quer dizer que educação técnica é uma coisa "dissociada do universo subjetivo, crítico e CRIATIVO"?? Todo cientista, físico, programador e engenheiro é um robozão boçal, sem livre-arbítrio, sem coração? Vão pro inferno.
Li outro dia aí, e imagino qu eseja verdade por minha esperiência pessoal, que este país possui uma das maiores proporções de alunos de áreas não-ténicas ("subjetivas") comparado às áreas técnicas. Dizem que estamos em falta de engenheiros. Naõ digo que todos países precisam ser iguais, claro que pode haver uma tendênci ano brasil a se formarem sociólogos e publicitários, mas será que não precisa ter um limite?
A questão é bem que se suspeita estarmos acima do limite. Carecemos de técnicos. Aí o governo quer dar uma mãozinha, e esses patetas vem falar que isso é alguma forma de totalitarismo? Vem falar que o governo incentivar o estudo técnico é nazismo? Nas palavras do meu sociólogo favorito (FHC): "Ooora, tenha paciência!!"
As atividades técnicas exercitam a subjetividade, em especial obrigando as pessoas a encararam coisas que geralmente não são do seu "dia-a-dia" (eu até acho que nas verdadeiras e profundas ciência humanas isto tb é verdade, mas não é nisso que eles consideram que é o ensino subjetivo etc). Atividades técnicas REQUEREM senso crítico, REQUEREM que as pessoas saibam arguemntar sozinhas, criticar injustiças, reconehcer profissionalismo, etc. Criatividade eu nem comento. Um tpecnico sem criatividade é um boçal, mas gente sem criatividade não é exclusividade do meio técnico.
Não sei se o governo está de alguma forma querendo beneficiar APENAS ensino técnico de má qualidade, um conceito absurdo. Posso entender que haja algo a mais nessa história toda que não estou sabendo, mas essa arguemntação que o SESC representa o "ensino humano", e não pode ser prejudicado em benefício de um ensino inumano antagonista é de enojar.
Agora fiquei até com tanta raiva que vou começar a cobrar: Porque o SESC não patrocina umas atividades técniacs lá de vez em quando?
Pode começar com cursos técnicos de iluminação de palco, áudio, administração de bandas de rock, edição de vídeo, produção de cinema, efeitos especiais...
Tenho um símbolo pra vocês interpretarem no seu universo simbólico subjetivo semântico aqui, ó:
2008/02/18
Trucando os 5,5GBps da Telefónica
[[ATUALIZAÇÃO: Finalmente encontrei um post bastante informativo sobre a estrutura da rede do Campus Party criada pela Telefónica num blog por aí, escrito por Rafael Rigues]]
Quando ouvi falar que a Telefónica tava oferecendo acesso à Internet a 5,5 gigabytes por segundo para o Campus Party, fiquei empolgado, e na hora já quis botar a rede à prova, e ver o download mais rápido que alguém conseguia fazer. Chegamos a fazer um download a 8,6MB/s, o que até onde eu sei é o record de maior velocidade de download obtida no Campus Party... Continue lendo sobre como fizemos nosso experimento!
Acontece que todos os 5,5 gigabytes por segundo seria muito difícil de testar, porque é muita coisa, não daria pra testar com um PC. Uma placa de Ethernet de um computador pessoal convencional contemporânea possui um limite de 1Gb/s, a famosa "Ethernet gigabit", o que equivalem a aproximadamente 120MB/s (megabytes por segundo, um CD a cada 6 segundos). Os 5,5GB/s no Campus Party são aproximadamente 47Gb/s, o que acredito ser a velocidade de um único link de fibra ótica. Queria inclusive saber se é isso que o pessoal ligou lá. Como além de ser impossível testar com PCs, seria injusto querer ocupar o link inteiro do Campus Party num teste, achei que ia ser interessante fazer só o seguinte: tentar chegar a 1Gb/s em uma máquina normal dentro do Campus Party.
Na verdade eu queria simplesmente registrar o record de download dentro do Campus Party, e criar um “evento”, uma notícia relacionada a essa grande potência de transmissão. Porque não tem graça ficar só ouvindo falar quanto tem aquele canal bandalargado todo lá, o legal é poder contar, por exemplo “eu baixei lá o último episódio do Lost em 10 segundos!!!”
Pra realizar este experimento, tinha que ter duas coisas: uma pessoa dentro do Campus Party que pudesse fazer o download pra mim, e alguém fora disponibilizando um arquivo em um servidor http “evenenado”, capaz de fazer um upload animalescamente veloz. Quem veio me ajudar neste último requerimento foi meu amigo Arlindo Follador lá da UFMG, e o resto do pessoal que cuida das redes do CDPEE. Eles botaram no ar um Apache, com um arquivo de 700MB disponível pra download num certo endereço de IP, e a partir daí foi só pedir pra amigos dentro do Campus Party, e de outros lugares, testarem pra mim o download e anotar a maior velocidade obtida.
...Eu fiz questão de usar um servidor de http mesmo, Apache, bem convencional, e fazer o download via mozilla ou wget. Pra mostrar que quando a rede é boa, é só disso que vc precisa!... Nada de programas cabulosos. (Na verdade cheguei a precisar de um, mas isso fica pra depois.)
Antes dos testes eu já tinha notícia de alguém ter feito um download (acho q num stand da própria Telefónica, não lembro) a ao menos 3,3MB/s de um CD do Ubuntu de um servidor da UFRGS (link?). Queria ao menos chegar nessa velocidade, né??
Pois bem, servidor no ar, começamos a fazer alguns testes, e vimos que infelizmente não ia dar pra testar o gigabit ainda... Acontece que o switch lá no nosso servidor tinha uma porta de fibra ótica, e as outras eram de apenas 100Mb/s... Isso dá um limite de velocidade superior de 12MB/s... Mas ainda assim resolvemos testar!...
Os resultados estão a seguir. Os números entre parênteses são os (mal-)calculados a partir do outro, o medido.
JucaBlues @CP 8.6MB/s (68.8Mb/s) 13/02/2008 23:41
AmigoArlindo (8.43MB/s) 67.4Mb/s 13/02/2008 16:30
CEFALA 8.30MB/s (66.4Mb/s) 13/02/2008 23:02
Carina univ. 3.3MB/s (26.4Mb/s) 13/02/2008 16:30
Nicolau LTI 1.3MB/s (10.4Mb/s) 13/02/2008 16:30
Nathan (.nz) 710kB/s (5.7Mb/s) 13/02/2008 19:30
Nicolau POLI 600kB/s (4.8Mb/s) 13/02/2008 18:30
Cristiano NYC 360kB/s (2.9Mb/s) 13/02/2008 17:30
Sinval >300kB/s 2.4Mb/s 13/02/2008 17:30
Leo A 236kB/s (1.9Mb/s) 13/02/2008 23:46
Nicolau SDF 160kB/s (1.3Mb/s) 13/02/2008 22:55
Luis 116kB/s (0.93Mb/s) 14/02/2008 19:02
Daniel 115kB/s (0.92Mb/s) 13/02/2008 17:30
NF 106kB/s (0.85Mb/s) 13/02/2008 22:55
Carina casa 50kB/s (0.41Mb/s) 13/02/2008 23:23
(nota: ‘B’ = byte, ‘b’ = bit)
O que podemos ver, em primeiro lugar, é que realmente a conexão dentro do Campus Party foi violenta! Nosso amigo lá dentro conseguiu baixar o arquivo ainda mais rápido do que um servidor (CEFALA) que estava ligado dentro do mesmo prédio, mas não pela fibra ótica. A seguir temos algumas pessoas conectadas dentro de outras universidades (em laboratórios convencionais), e depois podemos constatar um resultado interessante: amigos meus no exterior (Nova Iorque e Nova Zelândia) conseguiram taxas acima de amigos meus com conexões convencionais no Brasil!... Isso é legal pra mostrar como que a distância física pode ser muito pouco importante para velocidades de transmissão na Internet. Mas claro que também não é legal ver como que no Brasil temos conexões tão ruins... :P
Bom, discussão dos resultados: Como nosso servidor estava certaemnte limitado a 12MB/s, Não podemos garantir que o os 8,6MB/s obtidos dentro do Campus Party foram por causa de um limite lá dentro, ou um limite de nosso servidor. Mas com certeza até essa velocidade eu garanto que você conseguia obter lá dentro!... Fiquei feliz em quebrar o único outro record que tinha ouvido ter ocorrido lá dentro, desse pessoal que pegou o Ubuntu (e a gente ainda fez numa bancada mesmo, e não num stand). Que eu saiba, esse foi o download (grande) mais veloz realizado dentro do Campus Party!... (Se vc sabe de outro mais rápido, me avise!)
Recentemente obtive mais um dado interessante sobre o assunto: O blog Fernando Corp Music reportou um outro teste de velocidade que parece ter chegado aos 8MB/s, usando o tal velocímetro do rjnet... Se esse teste for bão mesmo, isso significa que os usuários do Campus Party estariam mesmo restritos a um limite de aproximadamente 100Mb/s, parecido com o que tínhamos em nosso servidor... É uma pena que não pudemos colocar um servidor mais animal na UFMG pra gente ter certeza! :/
Só que como não fui eu quem fez esse velocímetro do rjnet, eu não boto a mão no fogo por ele não... Testei agora aqui em minha máquina, e a princípio ele fez uma medição ruim, só de 100kB/s, enquanto que meu download chegou aos 500... Mas medindo repetidas vezes ele foi chegando nesse valor. Eu gostaria de poder ter confiança de que esse velocímetro seria mesmo capaz de medir com precisão se fosse o caso dos campuseiros estarem ali ligados com conexões acima de 100Mb/s.
Conclusão? Inconclusivo!... Ficamos sem saber se o pessoal do Campus Party não estariam por acaso com limitações de 73Mb/s em suas conexões (esse número é a conta certa feita a partir dos 8,6MB/s que obtivemos). Mas essa é sem dúvida uma conexão muito boa já!!...
No próximo evento a gente monta um servidor animal mesmo, aí vamos testar pra valer!... :)
Mostrei este post ao Gorpo, e ele disse: “poisé, por isso que eu digo... Se vc tem uma dúvida sobre a Internet, pergunte sempre a um engenheiro eletricista!...”
