2008/12/03


Blogando de dentro do Emacs

Estou testando um programinha pra postar no Blogger de dentro do emacs. Tentei previamente usar um tal g-client que não funcionou direito não. Mas esse e-blogger aqui parece ser bacaninha. Se esse post não for deletado,q ue dizer que funcionou, e que eu gostei!...

2008/11/30


Pensando Pessoa

Só recentemente que descobri, e me descobri em, Fernando Pessoa. Sujeito fenomenal, grande poeta. Viveu em um período por qual tenho uma especial afeição, o comecinho do século XX. O sujeito foi influenciado por pessoas de que em gosto, ou por quem tenho curiosidade, como Edgar Allan Poe e Walt Whitman, mas é autor losófono. Não conhecia alguma personalidade antiga em que pudesse me apoiar na tarefa de ser um falante de português admirador destes autores anglófonos. Tenho gostado muito de vários poemas dele...

Esse li ao acaso numa livraria hoje. Não decorei exatamente, é algo assim:

O Mundo, ó alma cansada,
é uma porta aberta
que possui atrás [desta?]
uma outra porta, fechada.

2008/11/21


caso de teste, uso de estudo

Esse post entra um pouco nas minhas indagações a respeito de como fazer certas traduções. Tem uma verbo no inglês muito bacana, 'exploit', que tem um som bonito, que passa uma impressão forte, é até nome de banda punk. Tenho me deparado muito com ela porque em aprendizagem de máquina a gente fala muito na dualidade "exploration / exploitation", e a gente gostaria, naturalmente, de traduzir este termo.

Dizem que em português já se institui "explotação". Até o digníssimo Sérgio Pachá da ABL me disse --- numa gentil resposta a uma extensa inquirição minha --- que tudo bem usar essa palavra, que inclusive integra o hino nacional do Timor Leste. Mas sei lá, não faz parte do repertório de palavras que usava quando era mais jovem, e sinto uma certa rejeição por ela.

Acho que em português é mais natural falar "exploração" nos dois casos mesmo... "Explorar uma mina", por exemplo, valeria igualmente para geólogos e espeleólogos, e pros engenheiros e mineiros. Não podemos usar essa palavra, entretanto, porque queremos justamente fazer uma distinção entre ambas atividades ao caracterizar a referida dualidade.

Uma palavra alternativa de que gosto muito é "espoliar". Ela preserva a agradável aliteração (explorar/espoliar), e dá uma descrição bem dramática. O verbo nos remete logo à palavra "espólio", uma riqueza obtida por meios até meio imorais... Acho que era perfeito, mas poucos concordam comigo.

Outra alternativa, que não tem muita beleza fonética, é "aproveitar". Acho que em mineração até utiliza-se muito o termo "aproveitamento" pra falar da produção de uma mina... "Aproveitar-se" é uma expressão bem-conhecida, e faz bastante sentido... Nossos sistemas vão "aproveitar-se" se seus conhecimentos e do ambiente pra atingir um objetivo. Mas ninguém gosta muito dessa alternativa porque perde lá a riminha, e a palavra não soa nada como "exploit"...

Hoje decidi que vou é chutar o pau da barraca. Não vou mais me submeter à tortura de tentar achar uma traduçãozinha perfeita pra riminha britânica, e vou é usar um par de palavras que me pareçam adequadas, pensadas ab ovo.

E minha conclusão é que deveríamos falar "teste/uso".

É tão mais simples!! Primeiro é bom por ser mais curtinho de escrever e falar, e dá até pra falar como uma palavra só: "O problema do testiuso..." Acaba com o horror que é você falar e ouvir o extenso "exploraçãoexploitação", e cometer um errinho fonético que faça cair por terra a edificação deste mamute ortográfico.

E é principalmente bom porque remove o romantismo. "Explorar" faz vc pensar num robô usando capacete de conquistador espanhol, pegando malária e desenhando mapas na Colômbia ou Peru. "Teste" transforma tudo num comportamento boçal e estúpido de um rato de laboratório drogado e com a massa cinzenta submetida à ablação. Ele não faz uma estimulante "exploração" de um espaço pra procurar obstáculos inconvenientes, e ver se o botão tem alguma "função" ou "papel" no ambiente. Ele só "testa" se ao andar pra frente ele não enfia a cabeça na parede, e se o botão faz a dor parar ou não.

"Uso" também tira essa coisa do colonizador, da moral, da "esperteza", do se-dar-bem. O cara tá só usando o negócio lá, e pronto. "Usando" a política obtida pelo processo de aprendizagem, ao invés da original. Usando um cotonete pra limpar o ouvido. Pronto.

Teste/uso. "O clássico dilema teste/uso da aprendizagem de máquinas". Pronto, falei, tá na Internet, tá na boca do povo já.

2008/11/20


Agradecimento ao Google

Querido Google. Muito obrigado pelo tema "terminal" do gmail. Estou emocionado. Combinou muito bem com meu Vimperator. Não quer dizer que eu vá parar de usar mutt, claro, mas não deixa de ser legal.

Só me deixa triste que precise ser o último teminha da lista, porque existem inúmeras pessoas do mundo que podem se chocar ou tremer de medo ao ver de repente este tema... Mas essa é a vida no rabo da gaussiana, e eu não troco por nada.

Mais uma vez obrigado,
++nicolau

2008/11/15


Coisinhas e problemões

Finalmente dando continuidade à série de artigos sobre peculiaridades da língua portuguesa, que a tornam satisfatoriamente "rica" ao contrário do que se ouve por aí, vamos falar sobre diminutivos e aumentativos.

Essas coisinhas existem também no espanhol, onde acredito serem usadas de forma similar. É não apenas uma útil forma de qualificação de coisas, mas também uma útil ferramenta para criação de neologismos. Várias palavras existem por aí que surgiram como diminutivo ou aumentativo de alguma outra, e se estabeleceram como palavra específica.

Diminutivos e aumentativos pode tanto tornar algo mais respeitoso quanto ridicularizar. Um "diminutivozinho" é sempre útil pra tornar a fala mas infantil ou ingênua, por exemplo. Pode impedir que alunos medrosos se espantem: "Olha gente, pega essa expressãozinha, e joga na integralzinha. Roda esse programinha com os dados da tabelinha que a gente mediu". Pode tornar algo mais amigável, um "amigão" seu.

Em inglês eu conheço alguns instrumentos similares. Tem o lance de botar um "y" no fim das palavras, por exemplo. "thing - thingy", "computer - computey", sei lá. Não é oficial, não funciona sempre... Pra aumentativo tem um negócio de botar "-o" nas palavras que às vezes acho parecido. Mas também não funciona muito bem. Em francês acho que existe o "ette" pra criar diminutivos, mas não sei se funciona ou é usado da mesma forma que nosso "inho".

Eu sempre esbarro em exemplos de palavras e frases em português com diminutivos ou aumentativos que não consigo traduzir pro inglês sem ao menos achar feio. Qualquer Xinho que vira "small X" fica ridículo. Olha aí o Felipão, "Big Phil", não é a mesma coisa... Que dizer por exemplo do recente Mensalão? como traduzir isso? "Big Phil" é fácil de entender, mas "Big monthly" ou talvez "big allowance" não traduzem tudo.

Como passar em inglês a mesma sensação de "um pedação de queijo?" Um pedação não é simplesmente um "pedaço grande". Quando a gente fala assim, com o "grande" separado, dá uma sensação de uma qualificação mais técnica assim, quase um projeto de engenharia... "Um pedaço com uma proporção 1:3.5 a um pedaço convencional."

Enfim, talvez seja muita viagem minha, mas desde que reparei na dificuldade de traduzir diminutivos e aumentativos, passei a apreciar melhor esta feraremnta de nossa língua.

2008/11/10


Olhando por novas janelas

Todos sabem que sou um antigo usuário e grande fã do VTWM, mas meu coração hoje foi balançado por um concorrente. Mais novinho, cheio das chinfras, e por default com uns keybindings muito bons, o awesome está balançando meu coração. Convido todas pessoas como eu, de gosto refinadíssimo e sempre crítico de suas ferramentas, procurando coisas novas que realmente funcionam e fazem sentido (sem nunca perder os clássicos de vista), a testar. Vocês podem ver um screenshot no site oficial, mas tem que realmente mexer no trem pra ver como é...

2008/11/03


White lightning

Acabei de me mudar para um apartamento novo, depois de um processo que durou meses. Quer dizer, um ano se você considerar que queria um lugar assim desde que saí de Campinas. Tem muita coisa que queria e espero escrever sobre isso tudo, mas só agora tive um verdadeiro ânimo, porque é um assunto verdadeiramente relevante.

Queria dar um depoimento de admiração pelo Speedy da Telefônica. Contratei o Speedy Duo (depois de outro processo longo e um pouquinho aborrecido que ignoraremos por agora), que dá uma linha sem limites para ligações locais, e ainda um Speedy de 2Mbps, por 121 reais.

Essa deve ser a melhor conexão com a Internet que eu jamais tive na vida. IP real (não importa que seja dinâmico), e o bicho atinge mesmo os tais 2Mbps. E eles não são gananciosos não, meu pppstatus aqui tá registrando uma velocidade máxima observada de 4968Mbps!... E nenhum NAT, nenhum administrador chato, nada! Pelo menos nada que eu tenha percebido ainda.

Aliás, meus agradecimentos a quem quer que tenha feito o programinha pppoeconfig, é uma mão na roda. O Debian way de fazer as pessoas felizes. Bom, ao menos eu...

2008/10/22


Série de heróis

Super comentário que ia deixar no blog do Nix, mas virou post:

Achei Heroes ruim desde os primeiros 15 minutos do primeiro episódio. Atuações ruins, e roteiro muito cheio de algo que chamo "suspenses desnecessários", como quando um personagem deixa de falar alguma coisa pra alguém sem qualquer motivo. Não tenho nada contra inverossimilhanças em geral, mas nesse caso é simplesmente fruto de incompetência.

Supernatural eu comecei a ver obrigado, e enquanto não é um primor, dá pra se divertir...

Fringe eu vou dar chance pra mais um ou dois episódios, depois que acabarem de explorar todas coisas óbvias de matemática divertida (e.g. a série de Fibonacci e o número pi). Se eles amadurecerem, e tb pararem de explicar tudo o que acontece (que nem no Bones) talvez eu suporte assistir...

Aliás, algo interessante: muitas dessas séries mais-ou-menos aí (o qu enão é o caso, por exemplo, de Lost e House) tem um personagem que se torna o único motivo porque vc ainda assiste ela. Tipo, no Heroes é o Hiro, no supernatural, talvez o Dean. No Fringe tá se tornando o velhinho...

E tem mais: de vez em quando acabo assistindo uns pedaços do Caminhos do Coração, e acho MUITO mais doido do que Heroes!!... Primeiro porque tem a Juliana Trevisol, que é a maior gata.

2008/10/14


Abaixo os binários!

Um testemunho da minha vida de micreiro, e de usuário dos programas que eu uso.

Gosto muito da minha máquina, uma Compaq v6210br. Podia ser melhor em uma porção de coisas, principalmente podia nunca ter quebrado.

Ela deu uns biziu, madei pra patética assistência técnica da HP, e ela voltou 2 meses depois. Como eles formataram o HD, tou aqui instalando tudo de novo.

Ela rodava bonitinho. A placa de rede sem-fio não lembro se rodava originalmente com o módulo nativo ou por ndiswrapper, mas eventualmente tive que passar a usar um dispositivo de wi-fi por USB, e o que funcionou pra mim foi instalar um Linux 2.6.25 "na marra" (não foi por pacote do Debian (que eu me lembre)) e usar o driver nativo, um tal rt27xx, acho.

A partir daí foi só tristeza, porque a mãquina começou a travar. Não teve mais jeito e precisei mandar pra assistência, que trocou a placa-mãe, e formatou o HD de brinde.

Fui instalar o Debian outra vez, por cima do Mandriva em que não fui inteligente o bastante pra descobrir como fazer pra instalar emacs, e aí mandei um Lenny beta 2 pra ver o que rolava. Usei a instalação "gráfica", que devo dizer que está um xuxuzinho.

Aí fui instalar os dispositivos de rede sem-fio, e ainda o módulo da câmera Logitech que me emprestaram. Peguei os pacotinhos Debian dos kernels 2.6.24 e 2.6.26. Mas foi só tristeza... Não consegui usar a rede nem por ndiswrapper, nem pelo módulos nativos (o da broadcom mudou, agora um tal b43). A câmera funcionou só através do mplayer, mas não no xawtv e nos progs de opencv que tou mexendo.

Resolvi então "apelar", e peguei direto o source do 2.6.27, lembrando da felicidade que eu havia tido antes com outro kernel "em desenvolvimento", o 2.6.25. Rolei lá o make-kpkg, e quando finalmente bootei, a rede funcionou de primeira. Estava na escola, já tarde, e satisfeito arrumei minhas coisas e fui pra casa.

Cheguei aqui, preparei uma cerveja no lado esperando passar por uma sessão de desinsetização pra fazer a câmera funcionar, e não é que a bicha funcionou de primeira??

Feliz da vida, vim aqui dar meu testemunho.

1_ Eu sofro mas eu gosto.

2_ Não tenho a menor vontade de usar nada diferente de Debian. (Talvez Debian com HURD, ou com BSD, mas Debian). Mas não significa que eu não marreto meu sistema com coisas "de fora" de vez em quando, e é assim que é pra ser.

3_ Compilar direto da fonte ao invés de baixar o binário funciona. (às vezes, claro.) É muito bom ver isso, porque essa possibilidade é justamente a diferença mais marcante entre os softwares proprietaristas e livres.

Alguém pode dizer "mas se vc estivesse usando ruíndols teria funcionado de cara, e não precisando recorrer a compilar o kernel mais novo na marra". A estes peço que leiam de novo o item 2.

EDIT: Pra deixar o posto mais útil, uma dica. Pra criar o módulo da nvidia utilizadno a fabulosa ferramenta module-assistant, que te permite (quando está tudo OK) compialr e instalar módulos com o comando (e.g.) "m-a a-i nvidia", tive que alterar o código do pacote original. São mudanças que parece que serão necessárias pra passar do 2.6.26 pro 2.6.27. Segui as dicas desse site aqui.

Foi mais difícil do que o que devia ser, porque não dá pra alterar o código e então rodar o m-a, tem que jogar o código alterado no pacote que ele descompacta... Eu poderia tentar descobrir como criar um patch, mas ia dar muito trabalho.

Aí foi correr pro abraço...

Aliás, outra dica. Por muitos anos passei muita raiva ao mexer com a configuração do X, porque precisava parar de ouvir música (com o xmms, por exemplo), ou então tocar música num console de texto, com mplayer, o que não é confortável. A solução é usar o mpd pra ouvir música, um daemon que fica tocando músicas e pode ser controlado por diferentes clientes, incluindo gráficos, de console (curses) e linha-de-comando. Aí pode reiniciar o X tranqüilo. O cliente que eu uso é o ncmpc, que rodo numa janelinha de xterm com uma fonte pequenininha, fundo branco, e com a opção "auto-center" na lista de músicas... É o melhor tocador que já tive, porque tem um esquema muito simples de navegar pelos artistas ou arquivos. Mas tenho certeza que poucos dividirão comigo este gosto...

2008/10/02


Testinho micreiro

Tudo bem... Mas sou mais o sucessor, Amiga, especialmente pq esse daí nem sei se vendeu no Brasil. :P