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2009/05/19


O lobo que soprou nas bolhas dos porquinhos



Estou adorando ver os delírios e mais completas aloprações insólitas das pessoas tentando explicar por aí, em comunicações rápidas de blogs tweeters e outras buzzinas digitais, do que se trata o tal Wolfram|alpha lançado essa semana.


Quase todo mundo insinua que vai concorrer com o Google. Insinuam ainda que vai concorrer com a Wikipédia... Alguns juntaram isso, disseram que o alpha seria "Google + Wikipedia".


Vamos começar por aí. Inventar um "Google + Wikipédia"? Ora, mas isto é o mais completo absurdo! Em primeiro lugar, já é perfeitamente possível utilizar o Google pra fazer buscas na Wikipédia. É assim, aliás, que eu mesmo quase sempre consulto a Wikipédia: a partir do Google. Faço isso porque o mecanismo da Wikipédia é meio fraquinho, e não considera errinhos de sintaxe, por exemplo (aliás, acho que estão mudando mas nem sei.)


Agora vejamos. O que é o Google? A bem da verdade, em boa parte do tempo o Google _É_ a Wikipédia. Tem muitas consultas que você faz no Google que o primeiro link que aparece é a bendita. Vai lá, procura no Google (no gringo!): "Platypus" (ornitorrinco). O que parece? Pra mim apareceram primeiro resultados de imagens, e a seguir? Wikipedia. E depois um monte de bobagem.

A Wikipédia é o destino natural pra qualquer busca de conteúdo enciclopédico. É o lugar para se ler sobre temas como a pequena era do gelo, a hipótese da língua inglesa ser uma língua crioula, ou ainda encontrar coisas como listas detalhadas de posições sexuais.

O Google serve pra achar coisas na Internet como um todo. É uma ferramenta meia-boca pra achar todo tipo de coisas, porque os sites por aí são todos meia-boca, e se você soubesse exatamente onde tem algo, estaria indo direto, ao invés d e procurar no Google.

Exceto, é claro, quando vc usa o Google como uma terceira função: o de catálogo de bookmarks. Eu tenho muitos sites que eu só acesso pelo Google. Escrevo lá a busca que eu sei que vai mostrar o site, aí entro. É preguiça de usar os bookmarks do meu browser, e de decorar o endereço... Eu decoro a busca do Google. Se o Mozilla tivesse um jeito fácil de buscar nos meus bookmarks, talvez eu usasse.

E existem, é claro, outros produtos do Google como busca de imagens, vídeos, o gmail, etc, mas isso não vem ao caso, tamos falando só do lance de buscas.

Agora vamos voltar na segunda função, a mais "geral". Imagina que você quer encontrar uma certa informação tipo a população de um país ou o PIB per capita de um continente, achar a série histórica. Esse tipo de informação pode ser um inferno de achar. Fica tudo espalhado. Achar essas coisas no Google pode ser um inferno, porque ele te dá inúmeros falsos positivos. E aí você fica lá tentando e tentando escrever as palavras mágicas que vão fazer aparecer os dados do seu interesse.

Aí que entra o Wolfram|alpha... Não se limita a isso, mas é um dos melhores exemplos.

O W|a, como eu vejo, começa como um grande almanaque. Eles juntaram, e irão manter, um grande banco de dados com muuuitas coisas, bem estruturadinho, e com consultas preparadas pra todos esses diferentes dados.

Por exemplo, eles tem dados como população de países e cidades, e PIB, tudo ao longo de anos. Mas ele faz muito mais do que simplesmente mostrar os valores... Ele gera gráficos sob demanda. Se você pede pra ver o PIB de diversos países junto, ele plota sobreposto. Ele também faz _contas_ na hora. Você pode mandar plotar a série subtraindo, dividindo...

Isso tá bem à frente do que o Google pode oferecer. O Gugo até tem função de calculadora e conversão de unidades de medida, por exemplo, mas o W|a tem nas consultas que envolvem computação um objetivo primário. O Google oferece calculadora mais assim, como um vídeo cassete que marca as horas...

E o W|a já coletou algumas coisas bem interessantes. Tem um banco de dados de pessoas, e eu consegui plotar linhas do tempo marcando quando várias pessoas viveram, algo que gosto muito de ver. Sair pelo Google achando essas informações, caindo lá na Wikipédia ou nas biografias daquela universidade da Escócia (st. andrews?) é bem chato. Poder mandar plotar, e ver que Galileo e Descartes morreram pouco antes de Newton e Leibniz nascerem, isso sim é bem mais interessante.

Outro banco legal é o de filmes! Sim senhor. Podes crer que a partir de hoje, quando quiser me lembrar de algum detalhe sobre algum filme (quem dirigiu/escreveu) vou usar esse site muito mais do que o Google, a Wikipédia ou mesmo o imdb. Ele mostra as informações de forma concisa, e ainda bota tudo em colunas pra vc comparar os filmes...

A atenção a alguns detalhes revelam a essência do espírito do Wolfram|alpha. Sempre que datas de eventos históricos são mostradas, aparece do lado, em letras pequenas e cinzas, a quantos anos atrás é isso. Datas de morte de pessoas ainda dizem com quantos anos elas morreram, e períodos de tempo vem tanto em minutos quanto em horas.

O negócio é uma ferramenta de informar. Não é uma ferramenta de buscar páginas da Internet com o Google, e não é uma enciclopédia editada colaborativamente por pessoas de todo o planeta. É uma terceira coisa.

Talvez as pessoas queiram ver o Wolfram|alpha como um substituto do Google ou da Wikipedia porque hoje são alguns do s lugares a que elas recorrem pra achar certas coisas. Mas a verdade é que estes dois aí não estavam cumprindo alguns dos papéis que o W|a vai cumprir. A gente vai no Google é mais por falta de onde ir mesmo. Quem sabe o Google vai começar a apontar a gente pro Wa pra alguns tipos de consulta, igual ele já aponta pra Wikipédia?

Aliás, é bom lembrar também. Uma das funções da Wikipedia é apontar o leitor pra referências. Sim, muito se fala da Wikipedia não ter referências, mas isso é mentira. Tem muitos artigos que trazem no fim ótimas referências, e ótimos links pra páginas da web relacionadas ao assunto.

O W|a também tem suas fontes. E todos artigos mostram suas fontes, e... Surpresa! Umas das fontes é ninguém menos do que a Wikipédia.

Como diabos um site poderia pretender "substituir a Wikipedia", e citá-la como fonte? É óbvio que eles pretendem ser algo diverso da Wikipédia. A Wp é só uma fonte pro Wa, assim como o Wa vai ser alguém que a Wp vai sugerir você visitar de vez em quando.

É uma nova ferramenta gente. Expandam suas mentes, por favor...

Vale a pena mencionar que o pessoal do Wolfram está botando um esforço extra pra fazer consultas a partir de linguagem natural. Hoje no Google até tem gente que faz isso já, escreve lá "Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha??" Assim mesmo, com mais de uma interrogação, e tal. Não sei quanto o Google já se comporta de acordo com o jeito que vc escreve, ao invés de considerar aquela string apenas um "saco de palavras", mas no W|a eles querem realmente conseguir interpretar melhor o que é escrito ali. Até mesmo porque eles tem o poder de responder às consultas de uma forma que o Google não faz, fazendo contas, gerando gráficos, etc.

O Stephen Wolfram, dono da empresa que fez o site, é um velho pesquisador de IA e de lógica e computação. Também o são muitas pessoas trabalhando hoje no Google. Quer dizer, muitos lá são pesquisadores e tal, mas poucos são VELHOS... Talvez a velhice do pessoal do Wolfram venha a ser o grande diferencial. Velho não tem tempo pra procurar coisa em diversos sites, muitos deles cheio de bobagem e banner de pornografia. Velho não tem paciência pra anúncio, e anúncio é uma coisa bem central no universo Google, que inventou o adsense.

O Wolfram|alpha tem umas integrações com o Mathematica, o principal produto do Wolfram. Isso daí mostra parte do espírito do negócio, e mostra de uma vez por todas que esse é um site bem diferente do Google e da Wikipédia. Que dia você acha que vai entrar no Google pra brincar de plotar florzinha? Nunca. Talvez quem sabe um "Google plotter", talvez usando o Google spreadsheet... Mas não se compara.

O futuro do W|a é você poder ir lá sair pegando dados e comparando de forma sofisticada, efetivamente escrevendo pequenos programinhas em linguagem natural. Isso não tem nada a ver com as propostas do Google e da Wikipédia...

A Wikipédia pode ter muitos dados sobre Antares. Lá você vai ler que o nome tem a ver com "ser contrário a Marte", vai ler sobre o nome em outras culturas, vai ver algumas fotos (as que não violarem direitos autorais, né), e outras coisas. E dados básicos. No W|a não tem esses dados profundos, só tem as coisas mais básicas, características físicas, fala no máximo a constelação. Isso, e plota pra você um maravilhoso mapa astral mostrando a estrela no céu, hoje. Se bota uma data, ele dá as coordenadas pra aquela data!... (não mostrou o mapa.. ainda! :) )

O Google pode até criar um "applet de astronomia" ou o escambau naquela página de "iGoogle" ou sei lá como chama, mas não tem nada a ver com o que é o Google, né? O Google de verdade é aquele calendário bizarro de páginas ruins. Qualquer coisa mais sofisticada do que isso eles tão empurrando pra fazer aquele lance de transformar o seu browser em um desktop de um meta-sistema operacional, algo a que não sou muito favorável... O Wolfram|alpha vai justamente na contramão, partindo da idéia de consultas, que é a coisa central do Google "roots", "hard core", e botando ali os tais applets. Você consulta e ele te dá uma página de respostas. É tudo o que a gente queria em um grande número de situações, mas o Google funcionava meio como um intermediário, atrapalhando nossa chegada até os dados nus e crus!...

Enfim, sei lá, não sei mais o que dizer. Bem vindo Wolfram|alpha, os que vão deixar de morrer de curiosidades insaciáveis o saúdam!

2009/04/17


Trem de doidos

"São Paulo é a locomotiva do Brasil." Uma enorme potência industrial e financeira que é quem bota esse país pra frente. Eles adoram sê-lo por isso, mas recentemente percebi muitas outras formas como São Paulo se encaixa tão bem na visão de uma locomotiva.

Primeiro porque se tem uma coisa que paulista gosta é de pegar um dispositivo bem potente e veloz, como uma locomotiva, e prender a ele cargas altamente inerciais, vagões e mais vagões de carvão. Eles tem aquela mania de correr pra pegar sinal fechado, é um esporte local, tem tudo a ver. Tudo a ver também são os carros esportivos que são vendidos por aqui em lojas exclusivíssimas, e que efetivamente andam pela cidade. É impressionante poder ver uma Masserati ou Porsche desfilando pelas ruas entre os graffitis desbotados e vendedores ambulantes, mas é sempre triste constatar que estes veículos passam a maior parte de seu tempo retidos em engarrafamentos, como todo mundo. A azáfama da carroceria vermelha frustrada pelo simples excesso de pessoas nas vias.

É claro que estou falando de muito mais do que os problemas de transporte. Ô gente boa de criar burocracias sem sentido pra atrapalhar sua vida, e conter o fluxo do seu rio, tornando-o um lago inerte como o Pinheiros ou Tietê.

Na verdade é inacurado falar de congestionamentos e de assoreamento enquanto eu falava de trens. A inércia causada por carga excessiva não é a mesma coisa da inércia causada por um livre caminho médio curto. De fato, se tem uma vantagem em trens é que eles não ficam presos em engarrafamentos, e passam por poucos cruzamentos e curvas. Quer dizer, isso em teoria e potencial, porque na prática os metros de Sampa ficam sim parados porque o da frente não saiu da estação ainda... É triste. Só não é menos triste do que as ocasiões em que produtos ficam retidos para entrar no porto de Santos.

Mas é verdade, trens se caracterizariam por essa possibilidade de poder correr em liberdade. E quer saber? Isso faz parte da cultura aqui em São Paulo. Eles adoram a idéia de existir um único caminho sobre o qual todas pessoas devem andar, uma única reta traçada no solo a ferro e fogo, da qual não se pode desviar um único milímetro, apenas o quanto os amortecedores permitirem. Uma única falha no caminho de ferro, qualquer desvio não-planejado que seja, implica num descarrilamento grave, é morte.

E tem os horários. É pra sair tudo na hora certinha. Eu não critico isso, quem gosta de esperar trem que não saiu ou chegou no horário?

[DIGRESSÃO DESIMPORTANTE]
Mas acho que falta um pouco de cultura de tratamento de falhas por aqui. O trem que atrasou não foi uma "vítima de algum imprevisto com que precisamos lidar", não, ele é "o trem errado que está atrapalhando". É o ponto fora da reta, outlier a ser descartado.

Eles bem gostaria de poder descartar um trem que chegou cedo ou tarde demais, é uma pena que as leis atuais proíbam isso, não permitam tratar veículos do transporte público como tratamos, por exemplo, pacotes IP.

Pra quem não sabe, uma das forças do protocolo TCP/IP, e das redes Ethernet, é essa flexibilidade que existe em podermos descartar datagramas. Qualquer pacote que começa a atrapalhar é simplesmente suicidado, e o barramento de uma rede em estrela é um bafafá onde volta e meia duas pessoas começam a falar ao mesmo tempo, e nessas horas elas precisam educadamente decidir parar de falar, para tentar de novo um tempo mais tarde (escolhido aleatoriamente). Esse problema existe devido ao fato da velocidade da luz ser baixa demais, as soluções são ou fazer isso, ou criar algum tipo de protocolo altamente "burocrático", tipo existe me redes em anel, ou em ATM...

Eu tou falando em redes, na verdade, porque ouvi na cantina outro dia um grupo de alunos conversando sobre redes. Um dos alunos expressou um enorme espanto em saber que essas redes que usamos, que parecem funcionar tão bem, pudessem ser na verdade "puro acochambramento" por baixo, essa coisa avacalhada, sem tabelas de horário, sem rotas pré-estabelecidas e sem "farol" retendo datagramas esportivos ou públicos em cruzamentos aqui e ali.

É uma pena que aqueles alunos, apesar de conhecerem redes em anel, aparentemente desconheciam detalhes de seu funcionamento, gostaria de saber se conhecendo melhor eles não se tornariam adeptos dessas outras redes mais "burocráticas"...

***

É gozado, aliás, essa relação dos paulistas com a aleatoriedade. É algo meio distante da cultura local, como mostra essa estranheza com a política estocástica da rede Ethernet. Outro dia num laboratório tentei ensinar um aluno a apresentar todas entradas possíveis a um circuito eletrônico simulado. A forma de fazer isso é agrupar os bits de entrada num barramento, e mandar o programa atribuir valores a esse barramento de forma incremental. Em outras palavras, "0, 1, 2, 3, 4...". Assim você varre todas as possibilidades.

O que os alunos costumam fazer antes de aprender isso é sair clicando meio aleatoriamente nos níveis, numa certa política estocástica para explorar um espaço que seria, na visão ainda-não-iluminada deles, amplo demais para ser exaustivamente explorado. Engraçado ver que enquanto estou dizendo que paulistas seriam certinhos demais e ignoram o mundo das aleatoriedades, justamente nessa ocasião em que eu prego a mais absoluta ordem e determinismo, eles se sintam bem fazendo o oposto.

Enfim, tentei ensinar como fazer, mas depois de explicar, o aluno continuou falando que eu tinha dado um jeito de gerar as entradas possíveis do circuito "tudo aleatório", como se meu método fosse agrupar aqueles bits e gerar a mais perfeita algazarra informacional, numa eficiência de imprevisibilidade e entropia que seria maior do que os sorteios que ele estava antes fazendo no olho e no dedo (no mouse). ele achou que dei um "boost" na aleatoriedade dele, enquanto que na verdade eu fui na direção oposta, ordenei tudo!

***

[CONCLUSÃO INTERESSANTE]
Aí eu fico pensando: Se São Paulo é a locomotiva do Brasil, o que somos nós, o resto?

Minas é bem conhecida pelas velhas "Marias-fumaça", e por ter mais estradas do que outros estados, com carros, ônibus, jipes radicais, bikes, motos, e também as velhas "jardineiras". Mas serão esses os veículos adequados para a alegoria?

Não, a figura que se contrapõe mais com a locomotiva paulistana ainda a dos retirantes nordestinos, naquele quadro do Portinari...

Eu sugiro um meio-termo entre os nômades da seca nortista, caminhando sem veículos, e as "serpentes metálicas" futuristas do sul-maravilha: é o carro-de-boi!

O carro de boi, é claro, é muito mais lento que uma locomotiva, e jamais se revelaria um método eficiente de transporte para carregar kilos e mais kilos de soja, minério e açúcar até Santos, para entregar aos estrangeiros ricos que precisam deles mais do que nós.

Mas o carro de boi tem as suas vantagens, possui até algumas características que pesquisadores tentam com muita dificuldade dar aos veículos mais modernos.

Eu trabalho com inteligência artificial e robótica móvel. Sei que tem gente por aí se descabelando tentando construir um carro inteligente, capaz de estacionar sozinho por exemplo, ou de se reabastecer de forma autônoma. Fala-se muito em seguimento de alvos também, simples como uma bolinha vermelha, ou complexos como uma pessoa. A passagem da informação de sensores métricos ativos como laser e sonar para a visão é uma ladeira que só hoje estamos terminando de galgar depois de décadas.

Gente! O carro de boi já faz isso tudo!

Tou falando sério, o boi te segue, usando informação visual, ou na pior das hipóteses seguindo a cordinha que vc amarra no nariz dele, algo que ainda nem foi pesquisado com robôs. E ele come sozinho, melhor ainda, ele come a grama que vê no caminho, ou na porta da mercearia enquanto você entrega o leite que a esposa do boi produziu de manhã e toma uma cachacinha.

A gente fica aqui "prevendo" um futuro em que vamos conviver com robôs que fazem isso aí como se já não existissem coisas similares hoje e ontem. Bom, no dia que isso acontecer não vai ser nada de novo, vai ser apenas a "reinvenção do carro de boi", não muito diferente da "reinvenção da roda" de aço ao invés de madeira.

O trem foi a reinvenção da roda, mas melhorada, claro. A roda virou de aço, enquanto que o carro de boi tem rodas de madeira. O carro de boi é barulhento pra burro, e o trem... Bem, o trem é mais barulhento ainda!

Mas agora os trens vão ficar inteligentes, vão poder andar em duas dimensões ao invés de apenas trilhos e estradas. E vão fazer um pouco menos de barulho, e vão interagir conosco realizando tarefas simples, seguindo informações visuais e comendo sozinho. É a reinvenção do carro de boi, mas melhorado, claro. É o "carro-de-boi de ferro", de silício e silicone, mas sem chifres.

2008/06/24


Artificial thoughts

Just to reprint a comment I left at this site.

I see the growing hatred towards AI as similar to the emergence of anti-evolution movements. Just as they feared being considered just another animal, people are just afraid of finding out that a "mere" computer, a bag-of-bits, can have "soul" or consciousness. They don't want to become "just another dynamical system". Its just like people that feared that a picture of them taken with a photographic camera was "stealing" his of her human essence somehow. Someday people will stop giving that much importance to things like free will and the idea of personality, and then we will finally start moving forward again.