Após comentário de nosso leitor mais conhecido e polêmico, criei uma resposta tão grande, ilegível intrincada que merece subir a categoria de post completo, então lá vai... (Vejam a mensagem original na página do primeiro post.)
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Olá!... Obrigado pela participação. E desculpe a extensa resposta que se segue, mas foi você que abriu a comporta da represa! :)
A velha discussão só terá fim quando a sociedade estiver tão transformada que não seremos capazes de identificar no futuro algo parecido com isso que chamamos de mercado de software.
Meu texto não foi simplesmente uma analogia entre a indústria de software proprietário e o criminoso. Eu estou é efetivamente afirmando que a citada indústria é anti-ética!
Quanto a um possível desespero, porque haveria de existir? O software livre cresceu a partir do nada, e não precisa garantir algo como algum tipo de fatia do mercado pra sobreviver. Não é tipo uma Intel da vida que precisa se descabelar pra emplacar uma basófia nova, digo, produto novo... Pelo contrário, no mundo do software livre é tudo mais calmo, nada é pra ontem. Eu não tenho desespero, mas apenas a urgência daqueles que viram o futuro e não se contentam em estar aprisionados no passado.
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Quanto à sua secretária ser capaz de se imbuir deste meu espírito, aí sim entra a analogia. A analogia que eu fiz foi com a indústria da construção civil. Você não concorda que o Sérgio Naya é um criminoso anti-ético? Todo mundo concorda! E os multibilionários da indústria do sofretware o são de forma análoga.
Nossas secretárias não se importam com o código fonte dos S.O. delas exatamente da mesma forma com que elas não se importam com a procedência da areia do concreto das colunas de sustentação dos prédios delas. Mas tenho certeza que se você explicar o problema, nos dois casos, elas vão concordar que a questão é mesmo preocupante.
Quanto aos programas serem práticos e terem bom suporte, me desculpe, mas ouço falar nisso desde sempre e ainda estou pra ver um consumidor satisfeito com o suporte de algum produto. Achar prático eu já vi muitos... Eu mesmo estou 90% do tempo muitíssimo satisfeito com meu vtwm+emacs+mozilla 3.0.
Clipinho animado não ajuda ninguém, vai. O que realmente faz a diferença na vida das pessoas é a experiência delas, e se os amigos e pessoas de seu relacionamento usam programas similares, pra quebrar galho e pra que seja fácil a troca de dados. Isso é que importa: é se seu irmão, cunhado e netos tão usando a mesma coisa. Por isso que a revolução do software livre é uma coisa de baixo pra cima. É luta de guerrilha!
E mais, porque as pessoas insistem que existe alguma correlação entre um programa ser proprietário e ele ser amigável?... Isso que as pessoas enxergam como outros programas não serem amigáveis é na verdade uma ilusão, causada por elas não se acostumarem facilmente com alternativas. É preguiça de mudar (por mais que justificável). Isso não aparece no dia-a-dia do software proprietário porque esse mundo é cheio de monopólios, e é raro existir mais de um programa pruma mesma tarefa.
E o que tem de pouco amigável no Firefox, ou no Oppenoffice?...
Outra questão importante: As pessoas só falam que gostariam que houvesse um bom suporte, ou que os programas deveriam ser mais amiguinhos, quando tem algum problema em sua atividade. Pela minha experiência, pra 90% do tempo e 95% das pessoas esses problemas nada tem a ver com opções desconhecidas e mal-localizadas em alguma combo box obscura na terceira orelha do sub-menu avançado do editor de registro. O que acontece mesmo é ou alguma coisa tola como uma tomada desligada, ou um desconhecimento de algum conceito fundamental, como o que é um arquivo, um e-mail, ou um ícone ou janela. Quando as pessoas aprendem a trabalhar de verdade, os problemas desaparecem, e o suporte fica inútil.
A questão do aprendizado vale pra todos programas de todas plataformas. Chega uma hora que não adianta ser amigo. Por mais que alguém se coloque amigavelmente à disposição no meio do caminho tentando entender o que a pessoa quer, não funciona. Isso nada tem a ver com programas proprietários ou livres... E as empresas de software ganham dinheiro alimentando a ilusão de que se vc pagar aquels preços exorbitantes ali, você não vai precisar aprender nada pra usar o programa. Estão cobrando para que você possa sentir que pode continuar sendo ignorante, e você acaba no final sem conseguir trabalhar, insatisfeito porque teve que aprender algo no final das contas...
Vamos aproveitar pra mencionar uma questão interessante aqui: Existem inúmeros de usuários de Photoshop, Winrrous e outros programas proprietários que os utilizam sem pagar, se aproveitando de toda a amigabilidade, mas sem acesso ao suporte. Elas cometem algo que a sociedade considera uma contravenção... A discussão da moralidade da pirataria anda de mãos dadas com a discussão da moralidade da própria produção dos softwares pirateáveis (definido como aquele que não é livre. Por mais que as emprsas tentem montar sistemas de verificação e de segurança, software livre é o único que realmente não dá pra piratear, né! :) )
E vamos lembrar também que tem muito programa livre em que você pode contratar um suporte. Você acha que se eu contar essa ótima idéia pro pessoal da Adobe, eles vão falar puxa, ótima idéia! e abrir o código do photoshop? Ou antes de fazer isso eles ainda se dariam ao trabalho de bagunçar a interface pra tornar ela menos amigável, arruinando o valor do software?...
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Olha só uma boa: se todo valor exorbitante desses softwares livres depende do suporte e da interface amigável, porque a Adobe não abre o código só das bibliotecas mais básicas de processamento gráfico do Photoshop? Você talvez me diga que é a pesquisa... E se eu te disse que a maior parte da pesquisa básica em processamento de imagens ocorre em universidades, e que ainda por cima a Adobe reutiliza suas próprias bibliotecas já a anos?... Quantos anos precisam se passar pra versão 1.0 do Photoshop poder se tornar livre? Se ele snão podem liberar pra não perder clientes, não quer dizer que essas versõse novas nada tem de novo realmente?
E o que dizer dos fabricantes de periféricos que só fazem drivers pra plataformas específicas, e nem se quer se dignificam a publicar especificações para que se façam os drivers, e ainda acham ruim se você fizer engenharia reversa? O que isso tem a ver com suporte e amigabilidade?
Pra finalizar, a respeito do post sobre o Photoshop no wine... Não sei se escrevi mal o texto, mas eu tentei o máximo possível dar um tom oposto a o que você diz. Eu digo bem claramente no final que não é essa notícia que queria ouvir, que o que eu mais quero é parar de ver gente comemorando essa luta interminável em decifrar os softwares proprietários...
Eu nem queria que o GIMP se tornasse o novo Photoshop e a Adobe falisse não. Eu ficaria muitíssimo feliz se a Adobe lançasse uma versão do Photoshop pra Linux, por mais que cheio das restrições, custando o dobro do preço, sem suporte e sei lá mais o que.
Só deu ter certeza que novas versões do Photoshop continuarão funcionando facilmente dentro do wine, eu já ficava um pouco feliz (lá no post eu especulo que a próxima versão vai provavelmente ter uma mudança de funcionamento pretensamente inocente que vai impedir a emulação adequada.)
Existe muita sacanagem no mundo do software proprietário. Os segredos deles andam de mãos dadas com decisões imperialistas, monopolsitas, gananciosas e inescrupulosas. Eu luto por uma sociedade aberta, e as mesmas posturas morais que eu combato no mundo dos computadores eu também combato na engenharia civil, na banca de jornal e no cafezinho ali da esquina.
Aliás, esses caras só emplacam essas sacanagens justamente porque as pessoas não entendem do riscado... Não precisa ser cientista nem mágico pra entender porque essas coisas são erradas: o proprietarismo é errado em qualquer escolaridade. Assim que a gente conseguir explicar pra sua secretrária que a janelinha que abre e fecha ali não é mágica, o bicho vai pegar...
O preço do Photoshop vale a pena porque é um bom produto, ou é porque os funcionários não sabem trabalhar com nenhum outro programa, e se você tentar mudar vai ter dezenas de probleminhas de compatibilidade?...
So pra finalizar mesmo agora: Não fiquem com a impressão que eu quero ver o código fonte do Wymblious. Tenho confiança de que deve ser uma porcaria, um pedaço de lixo ominoso e inútil que deve permanecer nas trevas. Seguindo analogia com construção civil, é um prédio que acho que deve ser demolido mesmo sem ver o projeto. Já o código do Photoshop eu tenho alguma curiosidade, mas duvido que tenha muitas coisas muito interessantes lá dentro.
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2008/03/25
O crime do software proprietário pt. II
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